agosto 10, 2017

[Livros] Fuck Love - Louco Amor - Tarryn Fisher

Título Original: F*ck Love
Autor: Tarryn Fisher
Editora: Faro Editorial
Páginas: 288
Gênero: Ficção, Romance
País: EUA
ISBN: 9788562409998
Classificação★★☆☆☆
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Demorei mais do que esperava para escrever essa resenha porque esse livro representou um monte de coisas para mim - a maioria delas ruins. Por um lado, a história de auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal de uma pessoa com problemas similares aos meus me conquistou, por outro, o desenvolvimento da trama me decepcionou e jogou um balde de água no que eu mais havia gostado no romance. Talvez essa dualidade - o lado positivo e negativo - presente também no amor, no entanto, faça sentido - mesmo que livro não faça.

Partes da trama mexeram comigo positivamente sim, muitas frases pareceram escritas para o meu momento. Até mesmo o drama da protagonista é parcialmente compreensível e, apesar de não concordar com as atitudes da personagem, me apaixonei pelos momentos reflexivos que intercalavam seus momentos de impulso. Tarryn descreve uma jornada de redescoberta que tenta nos faz enxergar que o amor-próprio sempre deve estar acima do amor, mas falha, pois cai em sua própria armadilha. Um outro final teria funcionado para mim.

Helena se apaixonou pelo único cara pelo qual nunca deveria ter se apaixonado - o namorado da melhor amiga. Desejar alguém que não pode ser seu e, principalmente, machucar assim alguém com quem você se importa é uma situação complicada. Em diversos momentos, vi em Helena uma mulher egoísta, carente e desesperada mas, apesar de não ter simpatizado nem um pouco com a protagonista, compreendi suas crises e torci por ela - na maior parte do tempo - e por decisões melhores.

O comportamento obsessivo de Helena poderia ser taxado como abusivo, afinal, ela persegue o namorado da melhor amiga, se infiltra na vida da ex-namorada dele e até mesmo vai morar na cidade em que ele nasceu. Pouca gente teve essa percepção, especialmente porque é uma personagem feminina que inspira mais dó do que raiva mas, a mim, incomodou demais a forma com Helena cercou a vida de Kit e destruiu o relacionamento dele com Della.

Della, Kit e Helena são insuportáveis. Com personalidades rasas, desinteressantes e egocêntricas, o triângulo amoroso não me convenceu e, de verdade, pouco me importou. Em resumo, Helena deseja o namorado palerma da amiga escrota. Não há conexão entre nenhum deles e os fios que mantém a história são tão frágeis que não se sustentam. 

O final foi a pior decepção literária desse ano. Tarryn Fisher é conhecida por fazer seus leitores amarem ou odiarem seus livros e eu entendi o porquê. Em conjunto a uma trama fraca, personagens entediantes e um título pretensioso que prega justamente o contrário da sua narrativa, o desfecho me frustrou a ponto de me deixar indignada. Nem as inúmeras referências - nada espontâneas e extremamente forçadas - a Harry Potter fizeram com que o livro me conquistasse. Infelizmente, Fuck Love só me proporcionou algumas boas frases. 

"Você só começa a procurar a verdade quando alguma coisa dá terrivelmente errado e você percebe que precisa buscar respostas. Não há mais volta quando ultrapassamos esse ponto. As emoções são enterradas debaixo do concreto. É como se dez anos tivessem se apagado da minha vida e eu me tornasse adulta sem ter vivido o tempo atual." (p. 78)

Sinopse: Helena Conway se apaixonou. Contra sua vontade. Perdidamente. Mas não sem motivo.Kit Isley é o oposto dela desencanado, espontâneo, alguém diferente de todos os homens que conheceu. Ele parece o seu complemento. Poderia ser tão perfeito... se Kit não fosse o namorado da sua melhor amiga. 

Helena deve desafiar seu coração, fazer a coisa certa e pensar nos outros. Mas ela não o faz... Tentar se afastar da pessoa amada é como tentar se afogar. Você decide fugir da vida, pulando na água, mas vai contra a natureza não buscar o ar. Seu corpo clama por oxigênio sua mente insiste que você precisa de ar. Então você acaba subindo à superfície, arfando, incapaz de negar a si mesma essa necessidade básica de ar. De amor. De desejo ardente. 

Você pode pensar que já viu histórias parecidas, mas nunca tão genuínas como essa. Tarryn, a escritora apaixonada por personagens reais, heroínas imperfeitas, mais uma vez entrega algo forte, pulsante, que nos faz sofrer mas também nos vicia. Depois dela, todas as outras histórias começam a parecer como contos de fadas. Se você não quer se viciar, não leia a primeira página.

"- Tudo bem, mas estou tentando me encontrar.
- Essa, minha querida, é a coisa mais assustadora que você poderia querer fazer.
- Por quê?
- Porque você pode não gostar do que vai encontrar." (p. 142)


julho 31, 2017

[Livros] Nossa Música - Dani Atkins

Título Original: Our Song
Autor: Dani Atkins
Editora: Arqueiro
Páginas: 368
Gênero: Ficção, Romance
País: Reino Unido
ISBN: 9788580417258
Classificação★★★★☆
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Dani Atkins sempre me faz chorar com seus romances dramáticos e, desta vez, não poderia ser diferente. Nossa Música traz a característica sensibilidade da autora e sua forma peculiar de contar histórias sem linearidade, envolvendo o leitor em uma melodia suave que o prepara - ou não - para um final arrebatador.

Com personagens bem desenvolvidos e uma trama que os conecta no passado e no presente, a autora desenvolve uma complexa história de amor. Apontando cada pequena decisão que levou as protagonistas àquele momento, a narrativa detalhista nos dá dois pontos de vista diferentes e faz com que compreendamos as atitudes delas. 

Por uma coincidência cruel, duas mulheres que partilham um segredo no passado se encontram num hospital. Os maridos de Ally e Charlotte sofreram acidentes seríssimos na mesma noite e estão internados lutando pela vida. Inimigas declaradas e ligadas por uma história de mágoa e traição, elas deverão reavaliar a importância do perdão para seguirem em frente enquanto esperam por seus respectivos milagres.

Ao contrário dos outros livros de Atkins, o final de Nossa Música é extremamente previsível e talvez esse fato seja a única coisa que me incomodou, mas nem por isso fez dele menos emocionante. Apenas um personagem roubou meu coração e com um diálogo destruidor, este foi partido ao meio. Ao som de uma melodia triste, Nossa Música fala de desencontros, fatalidades e a crueldade do destino sem nunca deixar de lado o amor, a coisa mais linda e dolorosa que pode acontecer em nossas vidas.

"Você pensa que tem o controle de sua vida, acredita que é você quem toma todas as decisões, e então algo assim acontece e você se dá conta de que é apenas uma minúscula peça em um jogo de xadrez, sendo movida de um lado para outro ao capricho de alguma coisa ou alguém muito maior." (p. 59)

Sinopse: Ally e Charlotte poderiam ter sido grandes amigas se David nunca tivesse entrado em suas vidas. Mas ele entrou e, depois de ser o primeiro grande amor (e também a primeira grande desilusão) de Ally, casou-se com Charlotte. 

Oito anos depois do último encontro, o que Ally menos deseja é rever o ex e sua bela esposa. Porém, o destino tem planos diferentes e, ao longo de uma noite decisiva, as duas mulheres se reencontram na sala de espera de um hospital, temendo pela vida de seus maridos. Diante de incertezas que achavam ter vencido, elas precisarão repensar antigas decisões e superar o passado para salvar aqueles que amam. 

Com a delicadeza tão presente em seus livros, Dani Atkins mais uma vez nos traz uma história de emoções à flor da pele, um drama familiar comovente que não deixará nenhum leitor indiferente.

"David foi o primeiro para mim. O primeiro em tudo. Meu primeiro namorado de verdade, meu primeiro amor, meu primeiro amante e meu primeiro - e único - coração partido. Não sei bem quando tudo começou a dar errado. Não. Mentira. Eu poderia assinalar os indícios como alfinetes em um mapa para um lugar aonde a pessoa não gostaria de ir." (p. 100)

julho 24, 2017

[Livros] Até Mais, E Obrigado Pelos Peixes! - Douglas Adams (O Guia do Mochileiro das Galáxias #4)

Título Original: So Long, And Thanks For All The Fish
Autor: Douglas Adams
Editora: Arqueiro
Páginas: 221
Gênero: Ficção Científica
País: Inglaterra
ISBN: 9788599296974
Classificação★★★★☆
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Quarto volume de O Guia do Mochileiro das Galáxias, "Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes" é o mais fraco da série, mas ainda assim preserva o humor ácido de Douglas Adams e, sem dúvidas, sua genialidade. Suas metáforas sempre brilhantes e a ironia com que descrevia tão bem a raça humana estão eternizados em mais um clássico contemporâneo do autor. Se, hipoteticamente, houvesse um sentido para a vida, o Universo e tudo mais, a única pessoa que saberia seria Adams.

Continuando a saga de Arthur Dent, um terráqueo que sobreviveu a destruição da Terra e viajou por inúmeras galáxias. O protagonista descobre que houve um engano e o planeta não foi destruído. Ao retornar a sua vida comum, ele descobre que não é mais o mesmo. Afinal, passar anos vagando pelo espaço mudaria qualquer um. 

A complexidade da física e as noções temporais se mesclam à narrativa de Adams, que outra vez nos deixa perplexos com tamanha inteligência. Todos os acontecimentos dos livros anteriores são retomados e a aparente falta de sentido subitamente faz todo o sentido. 

Em um tom de comédia romântica, o "Até Mais..." é o livro menos popular da trilogia de cinco volumes e foca no romance entre Arthur e a garota por quem ele se apaixona. Essa mesma garota, já conhecida dos leitores de O Guia do Mochileiro das Galáxias, teve um papel importante para o começo da história e compreendeu o que a humanidade tem feito errado durante todo esse tempo. Infelizmente, ela esqueceu o que havia compreendido e, assim, seguimos sem rumo mesmo.

O desaparecimento dos golfinhos, a invasão alienígena, a política corrupta, o pessimismo, o significado da vida e o fim do mundo são apenas algumas coisas inexplicáveis sobre as quais Douglas Adams escreve. Sempre de forma crítica e filosófica, O Guia do Mochileiro das Galáxias nos desafia a questionar tudo em que acreditamos. Uma coisa, no entanto, tem um significado maior e mais complexo neste livro: o amor. Não há sentido nenhum em se apaixonar por alguém e, ainda assim, é como a metáfora linda de estar voando e não saber pousar. 

"Estava enganado ao pensar que podia esquecer que a Terra - imensa, sólida, oleosa, suja e pendurada em um arco-íris - na qual vivia não passava de um pontinho microscópico em um outro pontinho microscópico na infinitude inimaginável do Universo." (p. 50)

Sinopse: Com mais de 15 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo e uma galeria interminável de fãs, a série que traz o inglês Arthur Dent e o extraterrestre Ford Prefect como protagonistas de loucas aventuras espaciais ganha mais um episódio eletrizante.

Depois de viajar pelo Universo, ver o aniquilamento da Terra, participar de guerras interestelares e conhecer as mais extraordinárias criaturas, Arthur está de volta ao seu planeta. Tudo parece igual, mas ele descobre que algo muito estranho aconteceu na sua ausência. Curioso com o fato e apaixonado por uma garota tão estranha quanto o que quer que tenha acontecido, ele parte em busca de uma explicação.

Com sua peculiar ironia e seu talento aparentemente inesgotável para inventar personagens e histórias hilariantes - embora altamente filosóficas -, Douglas Adams nos presenteia com mais uma genial obra capaz de nos fazer refletir sobre o sentindo da vida de uma forma bem diferente da habitual.

Intercalando momentos cômicos com imagens e descrições poéticas, "Até Mais, e Obrigado pelos Peixes!" é mais uma aventura da "trilogia de cinco" que já levou os leitores a conhecerem situações bem improváveis e a viver momentos de reflexão e de pura diversão.

"A Galáxia é um lugar em constantes mudanças. Honestamente, há uma quantidade enorme de mudanças e cada parte está continuamente em movimento, continuamente mudando. Um verdadeiro pesadelo, você diria, para um editor escrupuloso e consciencioso, rigorosamente empenhado em manter esse volume eletrônico enormemente detalhado e complexo a par de todas as circunstâncias e condições mutantes que a Galáxia cospe da cada minuto de cada hora a cada dia, e você estaria enganado." (p. 87)


julho 12, 2017

[Livros] Três Coroas Negras - Kendare Blake (Três Coroas Negras #1)

Título Original: Three Dark Crowns
Autor: Kendare Blake
Editora: Globo Alt
Páginas: 304
Gênero: Fantasia, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788525060792
Classificação: ★

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Impactante, Três Coroas Negras foi um imenso 'o chão é lava' para mim, sem trocadilhos com a rainha Elemental. A fantástica história escrita por Kendare Blake me conquistou por sua originalidade e, principalmente, pelo seu final espetacular. Eu não encontrei palavras que pudessem descrever o último capítulo e o estado do meu coração ao fechar esse livro. Talvez a dádiva da escrita ainda não tenha despertado em mim. 

As muitas reviravoltas e desencontros no caminho das irmãs fizeram delas garotas fortes e cheias de raiva por sua sina. Separadas na infância, as rainhas trigêmeas foram criadas por três diferentes e poderosas famílias. Cada uma delas desenvolveu um poder - uma é elemental, uma naturalista e a outra é envenenadora, mas apesar de todo o sofrimento que passaram e os anos de treinamento para adquirirem suas dádivas, as trigêmeas tem um desafio muito mais cruel a cumprir: matar as próprias irmãs. Afinal, só uma pode ficar com a coroa.

A crueldade de uma tradição que obriga irmãs a se digladiarem pela coroa é justificada por uma crença religiosa moldada para nunca ser questionada. Nem mesmo o leitor compreende o pensamento arcaico e manipulador que gerou os rituais e isso é proposital. A narrativa é confusa e pouco explicativa porque as crenças são assim, feitas para deixar coisas sem explicação, forçando o as pessoas a acreditarem no que lhes é dito.

Não há empatia alguma do povo pelas jovens meninas, pelo contrário, sedentos por sangue, eles apostam em suas vencedoras. É um jogo de poder e política onde a mais forte (e a mais inteligente) vence. Ao mesmo tempo que detém um poder absoluto, as rainhas não tem voz, vontade ou direito de escolha. Sendo seu reinado uma maldição, a morte é um destino até menos assustador.

Kendare Blake criou uma sociedade em que a mulher tem um papel muito mais significativo que o homem e, nem por isso, menos cruel. As mulheres dessa série são bárbaras, impiedosas e tem muito mais força que qualquer um dos personagens masculinos - que são pouquíssimos, aliás. As rainhas são controladas por três poderes femininos que as posicionam como peões num tabuleiro, jogando com suas vidas de forma brutal, preparando-as para vencer como se todas pudessem sobreviver.

Katharine, Arsinoe e Mirabella cresceram ouvindo que deveriam matar suas irmãs. O ódio nutrido por suas famílias de criação lhes dá a motivação para destruir suas rivais. Controlando elementos da natureza, forças naturais e venenos, cada uma delas tem uma habilidade única e, apesar, de mostrarem não estarem preparadas para a difícil tarefa que lhes foi incumbida, elas sabem que não há como fugir. É vida ou morte.

Há muito romance, várias relações que se desenvolvem e fazem com que o foco do livro se perca momentaneamente. De certa forma, essas distrações funcionam para o leitor como funcionam para as protagonistas, mostrar que elas são capazes de amar, que não são apenas assassinas cruéis. 

A narrativa se encerra num cliffhanger, literalmente, genial e destruidor que promete uma sequência com mais ainda mais ação e ódio de uma irmã pela outra. Um dos melhores livros que li este ano, Três Coroas Negras mistura uma forte crítica social, política e religiosa ao clamor pela violência como entretenimento. Como escolher uma só coroa, se existem três rainhas tão parecidas que hoje se odeiam, mas se amaram um dia?

"- Você vai precisar que isso seja verdade - diz a Alta Sacerdotisa. - Porque, do contrário, é muito cruel forçar uma rainha a matar aquelas a quem ama. Suas próprias irmãs. E ver que elas surgem à porta como lobos em busca de sua cabeça." (p. 106)

Sinopse: Três herdeiras da coroa, cada uma com um poder mágico especial. Mirabella é uma elemental, capaz de produzir chamas e tempestades com um estalar de dedos. Katharine é uma envenenadora, com o poder de manipular os venenos mais mortais. E Arsinoe é uma naturalista, que tem a capacidade de fazer florescer a rosa mais vermelha e também controlar o mais feroz dos leões.

Mas para coroar-se rainha, não basta ter nascido na família real. Cada irmã deve lutar por esse posto, no que não é apenas um jogo de ganhar ou perder: é uma batalha de vida ou morte. Na noite em que completam dezesseis anos, a batalha começa.

"Três bruxas de negro num vale vêm ao mundo,
Pequenas doces trigêmeas
Nutrem um ódio profundo

Três bruxas de negro, lindas de se ver
Duas a serem devoradas
E uma Rainha por ser." (p. 201)


julho 05, 2017

[Livros] A Cruz de Fogo - Parte II - Diana Gabaldon (Outlander #8)

Título Original:The Fiery Cross #8
Autor: Diana Gabaldon
Editora: Arqueiro
Páginas: 592
Gênero: Ficção, Romance Histórico
País: EUA
ISBN: 9788580416862
Classificação: ★

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Se a primeira parte de A Cruz de Fogo não havia trazido muita emoção e aventura à saga de Claire e Jamie Fraser, este segundo volume valeu a espera por algo mais empolgante. Com inúmeras reviravoltas, a vida pacata nas montanhas deu lugar a um turbilhão de perigos e acendeu uma cruz de fogo para nos preparar para o que vem por aí.

É incrível como Diana Gabaldon consegue reunir tanta história para contar. Cada volume da série Outlander - ainda na metade da publicação no Brasil - tem aproximadamente seiscentas páginas e, ainda assim, a trama se desenrola de maneira interessante. Com muito embasamento histórico e científico misturado com fantasia e misticismo, a autora traz em seu romance histórico uma riqueza narrativa ímpar e nos envolve com cada uma de suas palavras, mesmo que elas não sejam poucas.

Na continuação de A Cruz de Fogo, Claire e Jaime estão se preparando para as primeiras revoltas dos rebeldes contra a Coroa. Munidos do ponto de vista único de Claire, Brianna e Roger, a família Fraser tenta permanecer alheia às movimentações políticas, enquanto o conflito ainda não está bem delineado. Sabendo que o lado vencedor declarará independência da Inglaterra criando Os Estados Unidos da América que nós conhecemos, eles se preparam para o caos da formação de um novo país.

Brianna e Roger, um casal que não me agrada muito em contraste a Claire e Jamie, enfrenta uma das maiores dúvidas de sua chegada no século XVIII. A perspectiva iminente da guerra e os riscos que envolvem sua estadia nesse período turbulento da história faz com que a relação deles se abale e será preciso muito mais do que conhecimento histórico para mantê-los juntos.

Um Jamie mais maduro e forte aparece em A Cruz de Fogo. Relembrando os horrores da guerra e visando proteger sua própria família, o escocês retoma sua força adormecida em busca do Novo Mundo. O sentimento de vingança ainda paira no ar, por terem deixado Bonnet impune após suas atrocidades, Jamie e Roger planejam dar fim à vida do cruel marinheiro e fazer com que ele pague por todo o sofrimento que causou. Os perigos dessa empreitada são bastante evidentes, mas como dissuadir um homem das Terras Altas a desistir de sua honra?

Com um ritmo bem mais acelerado que seu antecessor, Diana Gabaldon coloca nosso coração à prova e arrisca a vida de nossos personagens favoritos. Em meio a um período conturbado e muito importante para a formação do nosso presente, Jamie Fraser e sua família tentam sobreviver ao futuro reescrevendo o passado. Milhares de páginas lidas e ainda não tive o suficiente de Outlander, como já dizia Claire, voltar das pedras é cada vez mais doloroso, assim como fechar as páginas do seu livro favorito.

"Coloquei minha mão sobre a dele, onde estava, pousada em cima da caixa. A pele dele estava quente por causa do trabalho e do calor do dia, e ele cheirava a suor. Os pelos de seu braço brilhavam ruivos e dourados ao sol, e eu entendi muito bem naquele momento por que os homens mediam o tempo. Eles desejavam fixar um momento, na esperança vã de que, ao fazer isso, o tempo não passe." (p. 181)

Sinopse: Uma história sobre lealdade. Não há mais como escapar: a guerra está diante de Jamie, Claire e sua família. Quando as tensões entre o governo e os rebeldes se acirram, a milícia é convocada mais uma vez e o conflito chega ao clímax na Batalha de Alamance.

De volta ao vilarejo onde moram, os Frasers e os MacKenzies ainda terão que enfrentar diversas tribulações, que acabarão aproximando Jamie e seu genro, Roger. Os dois tramam um plano para acabar com Stephen Bonnet, o sórdido capitão que violentara Brianna, pondo em dúvida a paternidade de seu filho, Jemmy.

Em meio a várias revelações, o mais surpreendente é o retorno inesperado de um conhecido, que traz uma pista capaz de desvendar os mistérios que cercam os viajantes do tempo.

Grandiosa, envolvente e inesquecível, a segunda parte de A Cruz de Fogo é uma vibrante mistura de fatos históricos e dramas humanos.

"- Por quê? - perguntei por fim. - Por que você... escolheu ficar? (...)
- Porque você precisa de mim - disse ele baixinho.
- Não porque você me ama?
Ele olhou para mim, esboçando um sorriso.
- Sassenach... eu a amo agora e sempre vou amá-la. Se eu estiver morto, se você estiver morta, se estivermos juntos ou separados. Você sabe que é verdade." (p. 347)


julho 03, 2017

[Livros] Big Rock - Lauren Blakely

Título Original: Big Rock
Autor: Lauren Blakely
Editora: Faro Editorial
Páginas: 224
Gênero: Romance Erótico, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788562409943
Classificação: ★

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Um romance erótico leve, perfeito para esquentar esses dias frios, Big Rock de Lauren Blakely é um dos melhores livros do gênero que li nos últimos tempos. Com uma narrativa descomplicada, a autora não ousa e aposta no clichê que tanto adoramos - o sedutor galanteador que se interessa por uma garota em especial. O protagonista nos conquista com seus muitos atributos, sendo o mais importante deles sua capacidade de contar uma boa história.

Com uma auto-confiança típica de machos-alfa da literatura e da vida real, Spencer inicia a narrativa falando sobre suas qualidades. Nada modesto, ele se descreve como um profundo conhecedor do prazer feminino e promete arrancar suspiros das leitoras. De fato, sua promessa se cumpre e no decorrer de Big Rock, percebemos o porquê desse tipo de homem ser tão desejado. 

Há uma referência ao "tamanho avantajado" do rapaz no primeiro capítulo e esse detalhe acaba aparecendo diversas vezes no decorrer da trama apesar de ser a menor - ou não - das qualidades na lista de Spencer Holiday. Essa e outras tiradas cômicas naturais, especialmente nos diálogos, não tornam a narrativa vulgar, pelo contrário, trazem leveza e fluidez a trama. Em muitos momentos, me vi rindo do comportamento do playboy convencido, tendo certeza que já conheci caras que se acham tanto quanto ele. 

Spencer e Charlotte são melhores amigos desde a faculdade. Ele um solteirão inveterado, não se vê em um relacionamento com ninguém. Ela, acabou de sair de uma relação horrível e tenta se livrar do ex babaca que a traiu. Os dois são sócios numa rede de bares e, assim como nos negócios, parceiros para proteger um ao outro de problemas.

Quando a família de Spencer se vê tentando fechar negócio com um conservador e autoritário magnata, ele é obrigado a fingir que não é um conquistador que traz uma mulher diferente para casa todas as noites. Por uma semana, até a concretização do acordo, ele propõe fingir ser noivo de Charlotte e essa friendzone rapidamente vai evoluir para amigos com benefícios. As transformações no relacionamento dos dois são deliciosas de acompanhar e, de uma maneira fofa sem deixar de ser sensual, Lauren Blakely nos dá um romance apaixonante repleto de cenas arrebatadoras e momentos cômicos.

O título do livro - sabiamente não traduzido - tem duplo sentido e remete tanto ao instrumento de Spencer, quanto ao grande diamante que ele dá a Charlotte, sacada genial da autora! Bem costurada, a história retoma acontecimentos dos primeiros capítulos ao seu final, mostrando que foi bem planejada e desenvolvida. Aliás, não há nada que não funcione bem nesse livro, incluindo Spencer Holiday, tudo é perfeito e na medida certa. 

"Eu posso ser mestre na arte de trepar, mas também sou um cavalheiro. Eu abro as portas do seu coração antes de abrir as suas pernas. Eu puxarei a cadeira para você se sentar, tirarei seu casaco, pagarei o jantar e a tratarei como uma rainha, na cama e fora dela." (p. 7)

SinopseA maioria dos homens não entendem as mulheres.” Spencer Holiday sabe disso. E ele também sabe do que as mulheres gostam.

E não pense você que se trata só de mais um playboy conquistador. Tá, ok, ele é um playboy conquistador, mas ele não sacaneia as mulheres, apenas dá aquilo que elas querem, sem mentiras, sem criar falsas expectativas. “A vida é assim, sempre como uma troca, certo?” Quer dizer, a vida ERA assim.

Agora que seu pai está envolvido na venda multimilionária dos negócios da família, ele tem de mudar. Spencer precisa largar sua vida de playboy e mulherengo e parecer um empresário de sucesso, recatado, de boa família, sem um passado – ou um presente - comprometedor... pelo menos durante esse processo.

Tentando agradar o futuro comprador da rede de joalherias da família, o antiquado sr. Offerman, ele fala demais e acaba se envolvendo numa confusão. E agora a sua sócia terá que fingir ser sua noiva, até que esse contrato seja assinado. O problema é que ele nunca olhou para Charlotte dessa maneira – e talvez por isso eles sejam os melhores amigos e sócios. Nunca tinha olhado... até agora.

"Alguma coisa está acontecendo. Alguma coisa estranha, completamente desconhecida. Meu coração está falando uma língua que eu não compreendo, enquanto tenta me arrastar para Charlotte.
Era só o que faltava. Agora, em vez de lutar contra um órgão todo santo dia, vou ter de lutar contra dois." (p. 152)

julho 02, 2017

[Livros] Tudo e Todas As Coisas - Nicola Yoon

Título Original: Everything Everything
Autor: Nicola Yoon
Editora: Arqueiro
Páginas: 280
Gênero: Ficção, YA
País: EUA
ISBN: 9788580416992
Classificação: ★

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Nicola Yoon conquistou meu coração depois de O Sol Também É Uma Estrela e, por conta disso, resolvi ler seu primeiro livro publicado que recentemente foi adaptado para o cinema. Infelizmente, o romance não me convenceu tanto quanto eu esperava e apesar de não ter decepcionado, Tudo e Todas As Coisas também não me comoveu. É como se faltasse alguma coisa, como se eu esperássemos ver tudo mas só víssemos algumas coisas.

Os questionamentos científicos e existenciais característicos da narrativa de Yoon se fazem presentes e este é o ponto alto do livro. As sacadas geniais envolvendo matemática e filosofia se combinadas às ilustrações lindas - feitas pelo marido da autora - agregam muito à história. Como um diário da protagonista, nós temos uma visão complexa do que é ser privada do convívio social e ser obrigada a viver por meio dos livros, o que acaba sendo uma metaleitura interessante, uma vez que nós só conhecemos o mundo de Maddie por meio de um.

Madeline nasceu com uma rara condição genética - IDCG também conhecida como imunodeficiência combinada grave - e viveu toda a sua vida em um ambiente esterilizado sem contato com o mundo externo. As únicas pessoas que ela tem são a mãe e a enfermeira. Aos dezoito anos, sua experiência de vida ou a falta dela fez com que a jovem se conforme com tudo o que não pode ter. No entanto, as coisas mudam quando ela se apaixona pela primeira vez e seu mundo vira de cabeça para baixo. 

Olly e sua família - bastante problemática por sinal - acabaram de se mudar para a casa ao lado da de Maddie. A curiosidade atrai a garota a bisbilhotar a vida de seus vizinhos e de forma recíproca, o atraente garoto também se sente curioso a respeito da menina que nunca sai de casa. A relação de curiosidade e estranhamento entre os dois evolui, a meu ver, de forma muito apressada e pouco verdadeira, é como se instantaneamente eles tivessem se apaixonado pelo vidro que os separa.

O romance central é extremamente previsível e basicamente todo o desenrolar da trama também. Intencionalmente ou não, é fácil deduzir o final do livro e isso contribuiu para meu desencanto. Em contrapartida ao casal morno e forçado de protagonistas, as duas mães presentes na narrativa mereciam mais destaque. Em oposição, há uma mãe super-protetora, sempre presente e preocupada que zela por Maddie desde que ela nasceu e uma mãe que apanha do marido, expõe suas crianças a um pai violento e, aparentemente, o ama mais do que ama aos próprios filhos. É uma balança desequilibrada de preocupação e amor. 

Tudo e Todas As Coisas arrebatou muitos corações adolescentes e a história é realmente bonitinha, até digna de uma adaptação cinematográfica, mas não passa disso. A grande mensagem do romance é a de que devemos aproveitar cada instante e viver todas as experiências que o mundo puder nos proporcionar. Seja através da leitura ou no mundo real, devemos buscar a felicidade em tudo e em todas as coisas.

"- O que você pediu? - pergunta ela assim que abro os olhos.
Só existe uma coisa que eu possa desejar: uma cura milagrosa que me permita correr lá fora, livre como um animal selvagem. Mas nunca peço isso, porque é impossível. É como pedir que sereias, dragões e unicórnios existam de verdade. Então, peço alguma coisa mais provável do que a cura. Alguma coisa que não nos deixe tristes ao ser dita. 
- A paz mundial - respondo." (p. 18)

Sinopse: Tudo envolve riscos. Não fazer nada também é arriscado. A decisão é sua. A doença que eu tenho é rara e famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Não saio de casa. Não saí uma vez sequer em 17 anos. As únicas pessoas que eu vejo são minha mãe e minha enfermeira, Carla.

Então, um dia, um caminhão de mudança para na frente da casa ao lado. Eu olho pela janela e o vejo. Ele é alto, magro e está todo de preto: blusa, calça jeans, tênis e um gorro que cobre o cabelo. Ele percebe que eu estou olhando e me encara. Seu nome é Olly.

Talvez não seja possível prever tudo, mas algumas coisas, sim. Por exemplo, vou me apaixonar por Olly. Isso é certo. E é quase certo que isso vai provocar uma catástrofe.

"Se minha vida fosse um livro e você o lesse de trás para a frente, nada mudaria. Hoje é igual a ontem. Amanhã vai ser igual a hoje. No livro de Maddy, todos os capítulos são iguais. 
Até surgir Olly. (...)
Agora, minha vida não faz mais nenhum sentido. Como posso voltar a ser A Garota que Lê? Não que eu lamente viver nos livros. Tudo o que sei sobre o mundo aprendi com eles. Mas a descrição de uma árvore não é uma árvore, e milhares de beijos de papel jamais serão iguais à sensação dos lábios de Olly colados nos meus." (p. 145)

junho 21, 2017

[Séries] As 3 Cenas Mais Tristes de The Originals (spoilers) #1

Sabe quando você está assistindo a uma série e chega naquele momento em que alguma coisa emocionante acontece e eles ainda colocam aquela trilha sonora especial para te fazer se acabar de chorar? Eu coleciono momentos assim (chorei em todos eles) em várias séries que eu já assisti. Resolvi fazer listas dos momentos mais tristes e lindos em The Originals - uma das minhas séries favoritas. Prepare os lencinhos e se ainda não assistiu a série, assista, é fantástica!


The Originals - 03x21 : Davina & Kol


"- Eu estava morto há eras. E naquela noite eu vi você saindo da igreja como se o mundo todo estivesse nos seus ombros. Você viu flores mortas, parou, olhou ao redor e trouxe as flores de volta à vida com sua magia. Você sorriu e algo dentro de mim se abriu. Eu estava morto há eras e apenas naquele momento eu voltei à vida novamente."


The Originals - 03x19 : Cami & Klaus



"- Diferentemente de todas as almas que eu encontrei e esqueci em minha longa existência, eu vou te levar comigo.
- Acho que isso me faz imortal."


The Originals - 02x14 : Davina & Kol


"- Debaixo dessas mesmas estrelas, há um cara com sua garota. Ele acha que tem todo o tempo do mundo e ele está certo. E eu o odeio por isso."

junho 19, 2017

[Livros] A Conquista - Elle Kennedy (Amores Improváveis #4)

Título Original: The Goal #4
Autor: Elle Kennedy
Editora: Paralela
Páginas: 296
Gênero: Romance, NA
País: EUA
ISBN: 9788584390663
Classificação: ★

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Desfecho de Amores Improváveis, A Conquista é o mais morno dos new adults que compõe a série de quatro volumes mas, ainda assim, consegue conquistar corações. Elle Kennedy optou por encerrar a história dos jogadores de hóquei da Briar com o mais fofo e gentil dos quatro amigos - Tucker - e mostrou uma narrativa mais adulta que as anteriores, o que pode ser um ponto positivo ou negativo dependendo do leitor. 

A quebra no padrão trouxe amadurecimento para as personagens e desenvolveu questões mais complexas, no entanto, destoou dos outros e quebrou a sensação de identificação que a série vinha construindo comigo. A protagonista nada carismática e com dramas excessivamente forçados também não contribuiu para que eu gostasse desse livro tanto quanto dos demais. 

Os protagonistas se conheceram por acaso no Malone's - lanchonete famosa para os fãs da autora - e foi atração à primeira vista. Uma noite inesquecível acaba unindo o destino dos dois e nem a fama de bruxa que Sabrina James tem é capaz de afastar o romântico e apaixonante John Tucker dela. 

O problema é que, como todas as outras mocinhas da série, Sabrina esnoba o cara até não poder mais, afinal, ela não tem tempo para um relacionamento. Ela vive nos subúrbios de Boston e se esforça muito para sair do lugar onde vive com a avó e o tarado do padrasto. Entrar em Harvard é seu sonho e sua única possibilidade de sucesso, assim, ela se dedica inteiramente aos estudos. Namorar seria uma distração. Mas como evitar se distrair depois de ter o melhor sexo da sua vida?

Tuck sabe o que dizem sobre Sabrina, mas não se importa. A partir do momento em que botou os olhos na garota, soube que ela era mais do que diziam. No entanto, se aproximar dela é mais difícil do que ele pensava e ao perceber que seu comportamento frio é uma forma de defesa, ele decide protegê-la a todo custo. Mesmo que seja de se magoar.

Anunciada em O Jogo, a gravidez de Sabrina James é o foco da história, mas apenas um dos empecilhos para o casal ficar junto. A teimosia da jovem faz com que grande parte do tempo eles passem separados e o romance entre os dois é pouquíssimo desenvolvido. Engravidar no início da vida adulta é uma surpresa para os dois e coloca em cheque uma relação que já não tinha um futuro muito promissor, levando-os a tomar decisões que os acompanharão pelo resto da vida. 

Apesar do fofo Tuck não ter todo o charme de Garrett, Logan e Dean, há cavalheirismo, sensualidade, humor, inteligência e algo mais que só os jogadores de hóquei da Briar têm. É como se cada um deles existisse na ficção para diminuir nossas chances de encontrar um cara perfeito na realidade. Depois de tantos protagonistas e casais lindos formados, a série de Elle Kennedy vai deixar saudade. É como se depois de ter conquistado nossos corações esses garotos estivessem prontos para encarar a vida adulta e conquistar o mundo. 

"E então ela me oferece uma abertura.
- E o que você quer hoje em dia?
- Você." (p. 25)

Sinopse: De todos os jogadores do time de Hóquei da universidade de Briar, John Tucker se destaca por ser o mais sensato, gentil e amável. Diferente de seus amigos mulherengos, ele sonha mesmo é com uma vida tranquila- esposa, filhos e, quem sabe um dia, abrir um negócio próprio. Mas nem mesmo o cara mais calmo do mundo estaria preparado para o turbilhão de emoções que ele está prestes a enfrentar. 

Sabrina James é a pessoa mais ambiciosa, dedicada e batalhadora do campus. Seu jeito sério e objetivo é interpretado por muitos como frieza, mas ela não está nem aí para sua fama de antipática. Tudo o que ela quer é passar em Harvard, tirar ótimas notas e conquistar a tão sonhada carreira como advogada. Só assim ela conseguirá escapar de seu passado difícil e de sua família terrível. Um acontecimento inesperado vai desses jovens de cabeça para baixo. 

Tucker e Sabrina vão precisar se unir e rever seus planos para o futuro. Juntos, eles aprenderão que a vida é cheia de surpresas, e que o amor é a maior conquista de todas.

"A verdade é que não tenho nenhuma resposta. Não sei o que Tucker e eu somos um para o outro. Só sei que sinto falta dele quando não está por perto. Que toda vez que aparece uma mensagem dele no meu celular, meu coração flutua feito um balão de gás. Que quando ele me olha com aqueles olhos castanhos de pálpebras pesadas, esqueço meu próprio nome." (p. 142)

junho 10, 2017

[Livros] A Rainha de Tearling - Erika Johansen (A Rainha de Tearling #1)

Título Original:The Queen Of The Tearling #1
Autor: Erika Johansen
Editora: Suma de Letras
Páginas: 352
Gênero: Fantasia, Distopia,
País: EUA
ISBN: 9788556510280
Classificação: ★

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Uma mistura de fantasia e distopia em "tons" medievais, A Rainha de Tearling é um romance complexo e com diversas nuances. Com uma heroína forte e representativa que se desenvolve junto com a trama, esse é o tipo de história que se destaca das demais, envolvendo inclusive magia. Não se nota similaridade com outras distopias populares contemporâneas. É como se Erika tivesse criado algo inteiramente novo e fora dos padrões, uma verdadeira Travessia.

Com um desenrolar lento, bastante característico do gênero, A Rainha de Tearling foi uma das leituras que eu mais demorei para concluir esse ano. A introdução e ambientação distópica se fez necessária e a construção dos personagens, extremamente precisa, ajudou a criarmos empatia com eles, nos preparando para os acontecimentos do próximo volume.

Criada longe da realeza, Kelsea foi educada por seus pais adotivos para assumir seu trono quando completasse dezenove anos. A jovem sempre achou que havia sido abandonada pela mãe, mas descobriu que na verdade, foi escondida de pessoas cruéis responsáveis pela morte da rainha. Ser a rainha de Tearling é, portanto, uma sentença de morte, mas Kelsea a desafia e a aceita de bom grado.

Em um reino que existe muitos séculos no futuro, a civilização voltou a cometer os mesmos erros do passado. O poder permanece nas mãos de quem governa com mãos de ferro e a monarquia absolutista tira do povo tudo o que eles tem, inclusive suas próprias vidas. A barbárie impera e o "tom medieval" que faz com que muitos acreditem que essa narrativa se passe na Idade Média é proposital, Erika Johansen fez com que o futuro nos remetesse ao nosso passado mais sombrio, evidenciando que estamos sempre cometendo os mesmos erros e que a História tende a se repetir.

Kelsea assume a obrigação de cuidar do seu povo e tentar eliminar toda e qualquer injustiça, mas sua força de vontade imediatamente esbarra na burocracia e nas leis arcaicas e desumanas que vigoram. O povo do Tearling é controlado pelo terror e sofre nas mãos do Regente - tio da princesa, ele mantém uma parceria de "negócios" com a Rainha Vermelha, uma feiticeira cruel e impiedosa que governa o reino vizinho e ameaça destruir todo o Tearling caso seu reinado de sangue seja questionado.

Por toda a sua vida, a jovem princesa viveu escondida por estar jurada de morte. Diversos mercenários, como os Caden, servos da Rainha Vermelha e até mesmo do Regente a perseguiram sem sucesso. Protegida pelos pais adotivos, Kelsea cresceu e quando decide aceitar o trono, essa proteção passa a ser oferecida pela Guarda Real - os mais valentes e fiéis servos de sua falecida mãe. 

A Guarda é chefiada por Clava, o mais habilidoso e corajoso dos guerreiros, disposto a matar e morrer pela rainha de Tearling. A relação de confiança e amizade que Clava e Kelsea desenvolvem é o ponto alto do livro e a fé que o cavaleiro deposita na garota é tocante, ele a vê como uma salvadora, a única pessoa capaz de libertar seu povo. Mais sábio e mais experiente, ele a aconselha e contrabalanceia o comportamento impulsivo e sonhador da nova rainha, dando a ela a segurança que ela precisa, literalmente.

O livro - primeiro de uma trilogia - termina no seu ápice, nos deixando apreensivo para as consequências das escolhas de Kelsea. A Rainha de Tearling nos faz questionar diversos valores e nos dá pontos de vista diversos sobre o conceito de benevolência e maldade. Há uma preocupação em mostrar os dois lados de uma situação e as consequências de cada movimento feito por eles. Erika Johansen constrói um mundo único que pode, infelizmente, ser mais parecido com o nosso do que imaginamos.

"A ideia de os pobres de Tearling se rebelarem contra o governo era tão improvável que chegava a ser engraçada. Eles estavam ocupados demais tentando obter a próxima refeição." (p. 151)

Sinopse: Quando a rainha Elyssa morre, a princesa Kelsea é levada para um esconderijo, onde é criada em uma cabana isolada, longe das confusões políticas e da história infeliz de Tearling, o reino que está destinada a governar. 

Dezenove anos depois, os membros remanescentes da Guarda da Rainha aparecem para levar a princesa de volta ao trono – mas o que Kelsea descobre ao chegar é que a fortaleza real está cercada de inimigos e nobres corruptos que adorariam vê-la morta. Mesmo sendo a rainha de direito e estando de posse da safira Tear – uma joia de imenso poder –, Kelsea nunca se sentiu mais insegura e despreparada para governar. 

Em seu desespero para conseguir justiça para um povo oprimido há décadas, ela desperta a fúria da Rainha Vermelha, uma poderosa feiticeira que comanda o reino vizinho, Mortmesne. Mas Kelsea é determinada e se torna cada dia mais experiente em navegar as políticas perigosas da corte. Sua jornada para salvar o reino e se tornar a rainha que deseja ser está apenas começando. Muitos mistérios, intrigas e batalhas virão antes que seu governo se torne uma lenda... ou uma tragédia.

"Esperei muito tempo por você, rainha tear. Mais do que pode imaginar." (p. 308)


maio 27, 2017

[Livros] O Sol Também É Uma Estrela - Nicola Yoon

Título Original: The Sun Is Also A Star
Autor: Nicola Yoon
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Gênero: Ficção, Young Adult
País: EUA
ISBN: 9788580416589
Classificação: ★

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Brilhante como o sol, o segundo romance de Nicola Yoon é absolutamente maravilhoso e se tornou um dos meus favoritos da vida. Falando sobre amor, destino e as relações entre eles, O Sol Também É Uma Estrela não apenas encanta, como também faz pensar. Com uma mistura de ciência e misticismo, este é um livro que não tenta definir o que é o amor, mas sim, retratá-lo da forma mais fiel possível, bem como seus efeitos colaterais.

Sob inúmeros pontos de vista, a autora nos dá uma perspectiva complexa e completa de cada pessoa que cruza o caminho dos protagonistas, explicando as motivações por trás de cada atitude e mostrando que, se o amor é um sol, vários planetas giram ao seu redor. Uma pequena ação pode ter um efeito catastrófico em sequência e estamos todos esbarrando uns nos outros, nós apenas não nos damos conta do quanto afetamos o resto do mundo.

É como se o título fosse uma metáfora para essa percepção de que o sol não gira em torno do planeta e, portanto, as coisas não acontecem apenas para nós. Somos algo maior, um sistema elaborado que depende de várias outras estruturas - pessoas, planetas - para funcionar. Essa mudança no paradigma é representada também com a narração de pessoas comuns que tem pouco a ver com Daniel e Natasha mas ainda assim, afetam suas vidas. À primeira vista, algumas delas são consideradas cruéis, insignificantes mas, quando vistas sob outra perspectiva, se tornam apenas pessoas com seus próprios universos.

Natasha é uma admiradora da ciência, ela acredita na praticidade e não crê em algo que não possa ser provado ou medido cientificamente. Ela é filha de imigrantes ilegais e, por conta de um erro de seu pai, está sendo deportada com a família para a Jamaica. Enquanto tenta reverter a ordem judicial, ela esbarra num garoto que é seu total oposto e vai virar seu mundo de cabeça para baixo.

Daniel é descendente de coreanos e vive para agradar seus pais. Cada escolha da sua vida foi planejada e arquitetada por eles, bem como sua infelicidade. Ele está "destinado" a ser médico, mas deseja ser poeta e um sonhador apaixonado como é, vai mostrar à Natasha que o a vida é bem mais do que fatos concretos, uma grande abstração.

Por um dia, esse casal extremamente improvável vai tentar desvendar o universo um do outro, mostrando que é preciso ter um pouco de fé e um pouco de lógica para se apaixonar. E enquanto tudo parece determinado a afastá-los, o Universo parece determinado a uni-los. Os dois se encaixam como polos positivo e negativo se atraem. Em uma realidade que poderia se desdobrar em milhares de possibilidades diferentes, como um desencontro, um acidente ou uma deportação, eles percebem que o futuro se define a cada passo que damos e, assim, cada estrela faz toda a diferença no Universo.

"Para cada evento no nível quântico, o universo atual se divide em múltiplos universos. Isso significa que, para cada escolha que a gente faz, existe um número infinito de universos em que você fez uma escolha diferente." (p. 70)

Sinopse: Natasha: Sou uma garota que acredita na ciência e nos fatos. Não acredito na sorte. Nem no destino. Muito menos em sonhos que nunca se tornarão realidade. Não sou o tipo de garota que se apaixona perdidamente por um garoto bonito que encontra numa rua movimentada de Nova York. Não quando minha família está a 12 horas de ser deportada para a Jamaica. Apaixonar-me por ele não pode ser a minha história.

Daniel: Sou um bom filho e um bom aluno. Sempre estive à altura das grandes expectativas dos meus pais. Nunca me permiti ser o poeta. Nem o sonhador. Mas, quando a vi, esqueci de tudo isso. Há alguma coisa em Natasha que me faz pensar que o destino tem algo extraordinário reservado para nós dois.

O Universo: Cada momento de nossas vidas nos trouxe a este instante único. Há um milhão de futuros diante de nós. Qual deles se tornará realidade?

"Natasha é diferente. Acredita no determinismo: causa e efeito Uma ação leva a outra e a outra. As ações determinam seu futuro. Nesse sentido ela não é diferente do pai de Daniel. 
Daniel vive no nebuloso espaço intermediário. Talvez não estivesse destinado a conhecer Natasha hoje. Talvez tenha sido uma coisa aleatória. Mas...
Uma vez que se conheceram, o resto, o amor entre eles, era inevitável." (p. 165)

maio 23, 2017

[Séries] Anne with an E - Netflix


Mais uma produção absurdamente linda da Netflix, Anne With An E é a adaptação do romance Anne de Green Gables (Anne Shirley no Brasil). Um conjunto de fotografia, roteiro e atuações espetaculares, a série conquista o coração de seus espectadores assim como sua fofa e carismática protagonista. 

Narrando a história da jovem orfã que é adotada por engano pela família Cuthbert, a primeira temporada da série conta os fatos mais marcantes da infância difícil de Anne. Desde o desprezo de seus antigos tutores até seu excesso de imaginação para tentar sobreviver num lugar hostil. Sua excentricidade é sua maior - e melhor - característica e por gostar muito de ler e imaginar, a pequena Anne é muito boa com as palavras. Palavras, aliás, não lhe faltam nunca, ela não para quieta um só minuto.

A imaginação fértil dela combinada à seu vasto repertório literário dão origem a um mundo de faz de conta que contamina a visão dela da realidade e faz com que o mundo seja uma versão bem mais bonita do que de fato é. Anne vê as coisas com paixão e a natureza é uma das maiores dádivas para ela. Por conta de seu comportamento peculiar, ela é odiada por muitos e frequentemente excluída do convívio com outras crianças. 

Anne sofre e chora por sua infância triste mas se consola com sua criatividade, dando asas aos seus pensamentos mais lindos e vivendo em seu mundo encantado para fugir da vida real. Em vários momentos, a jovem se imagina mais bonita, inteligente e popular do que é e isso parte o coração, pois ela é a garotinha mais interessante que poderia existir. Como as pessoas podem não ver isso? Como podem não gostar dela?


O romance que se desenvolve entre Anne e Gilbert (quem conhece a história original sabe como termina) é um dos pontos altos da trama. Os dois são tão fofo juntos e uma cena específica que envolve os dois se tornou minha favorita absoluta. É tão bonito ver o amor florescer na juventude, puro e denso como o ar das montanhas no inverno. A paixão de Anne é contagiante, inspiradora e transforma tudo em poesia.

Todos os personagens são fantásticos e os diálogos refinados e cheios de reflexões morais e filosóficas pertinentes. Em muitos momentos, a série critica a sociedade hipócrita da época e seus valores conservadores e preconceituosos. Anne se atreve a sonhar em tempos em que as mulheres só podiam pensar em casamento.

Em muitos momentos me identifiquei muito com a protagonista e outros leitores assíduos também vão se identificar. O amor de Anne pelas palavras e pelas histórias vai além das páginas dos livros, é o que a mantém viva. Ela diz que não saberia o que faria se não fosse a imaginação. De fato, muitos não sabem e, por isso, o mundo é um lugar tão cruel, tão cheio de amargura e sonhos despedaçados. Poucos ousam ser diferentes.

maio 18, 2017

[Livros] A Cruz de Fogo - Parte I - Diana Gabaldon (Outlander #7)

Título Original:The Fiery Cross #7
Autor: Diana Gabaldon
Editora: Arqueiro
Páginas: 720
Gênero: Ficção, Romance Histórico
País: EUA
ISBN: 9788580416602
Classificação: ★

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A Cruz de Fogo (parte I) é o quinto volume da série Outlander, no entanto, o sétimo livro físico publicado da série (por conta do tamanho, alguns deles foram divididos em duas partes) e nos leva às colônias inglesas na América no século XXVIII. Diana Gabaldon resgata a história da origem dos Estados Unidos e nos traz um ponto de vista único sobre a independência americana. 

Nesta primeira parte, os personagens que conhecemos tão bem se preparam para a revolução que está por vir. Jamie Fraser recebe a função de liderar uma milícia em favor da Coroa, evitando que revoluções pela independência venham a tomar força. No entanto, com a perspectiva do futuro que Claire lhe trouxe, ele sabe que deverá mudar de lado e se posicionar contra a Inglaterra nesta batalha. 

Enquanto o futuro se escreve bem à sua frente, Claire, Brianna e Roger que vieram de lá enfrentam os dilemas paradoxais de tentarem manter tudo no seu curso certo, sem alterar nada para que a história não seja afetada. É um dos livros mais lentos e, sinceramente, o mais prolixo - como se isso fosse possível para Diana Gabaldon - da série até agora. O ritmo desacelerado possivelmente antecede uma grande reviravolta que acontecerá em sua continuação, mas desanima a leitura e fez com que eu ficasse semanas presa nos acontecimentos de um só dia.

A vida na Cordilheira dos Frasers segue pacata - até demais - e, sob pontos de vista alternados, temos uma compreensão ampla das dificuldades que os protagonistas enfrentam para sobreviver e se adequar à época. Brianna e Roger se tornaram tão significativos quanto Claire e Jamie, mas sua falta de personalidade em um trama nada impactante trouxe pouco ou quase nenhum significado.

Em mais de setecentas páginas, A Cruz de Fogo (parte I) nos posiciona e nos prepara para grandes e decisivos acontecimentos em um ritmo bem diferente de seus antecessores. Alguns mistérios permanecem sem solução e o misticismo característico da trama ainda se faz presente nas tradições ancestrais. A maturidade de Jamie e Claire também se torna evidente, diminuindo bruscamente o ritmo de suas aventuras, mas jamais o seu amor. Mesmo que seja o livro mais fraco da série até o momento, Gabaldon ainda é uma exímia contadora de histórias e as mistura a História com perfeição. 

"Nenhum de nós falou, não queríamos perturbar aquela quietude. Era como estar na extremidade de um pião, pensei - um turbilhão de coisas e pessoas rodopiando a toda volta, e um passo em uma direção ou outra nos lançaria de novo naquele furor giratório, mas ali, bem no centro, havia paz." (p. 34)

Sinopse: O ano é 1771. Na Carolina do Norte, conserva-se a duras penas um frágil equilíbrio entre a aristocracia colonial e os esforçados pioneiros. E entre esses dois lados prestes a entrar em conflito está Jamie Fraser, um homem de honra exilado de sua amada Escócia. Convocado a liderar uma milícia para conter as insurgências, ele sabe que quebrar o juramento que fez à Coroa inglesa o tornará um traidor, mas mantê-lo será a certeza de sua ruína.

A guerra se aproxima, garantiu-lhe sua esposa, Claire Randall. E, mesmo não querendo acreditar nesse triste futuro, Jamie Fraser está ciente de que não pode ignorar o conhecimento que só uma viajante do tempo poderia ter. Afinal, a visão única de Claire já os colocou em risco, mas também lhes trouxe salvação.

A Cruz de Fogo é uma envolvente história sobre o empenho de Jamie em proteger sua família, construir uma comunidade e manter suas terras às vésperas de um conflito histórico. Nesses esforços, ele é ajudado por sua mulher, sua filha Brianna e seu genro Roger MacKenzie, que nasceram no século XX e agora tentam se adaptar à tortuosa vida do século XVIII.

"- Pensando bem - acrescentou ele, interessado -, esta noite poderia ser o elo. Quer dizer, a ocasião em que o costume do Velho Mundo é trazido para o Novo. Não seria interessante? 
- Interessante - Brianna concordou desanimada. (...)
- Tudo começa em algum lugar, Bree - disse ele, mais delicadamente. - Na maior parte das vezes, não sabemos onde nem como; importa se soubermos dessa vez?" (p. 319)

maio 02, 2017

[Livros] Quando A Bela Domou A Fera - Eloisa James (Contos de Fada #1)

Título Original: When Beauty Tamed The Beast
Autor: Eloisa James
Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Gênero: Distopia, YA, Ficção, Fantasia
País: EUA
ISBN: 9788580416800
Classificação: ★★
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Primeiro volume de uma série de releituras de contos de fadas, Quando A Bela Domou A Fera mistura diversas influências contemporâneas ao clássico A Bela e a Fera. A presença de novos elementos na narrativa foi inicialmente o que me atraiu para a leitura, no entanto, tais transformações acabaram interferindo no romance histórico e o resultado não me agradou o bastante. 

O linguajar empregado nos diálogos, as descrições e mesmo o desenvolvimento da relação entre os protagonistas foi muito cru e não consegui me conectar com a história de forma alguma. Alguns acontecimentos pareceram demasiadamente forçados e outros mais previsíveis do que o permitido para o gênero. Desde o começo da trama sabe-se o final e não é apenas: "sei que os protagonistas ficam juntos", é mais como "sei que ficam juntos e sei exatamente como tudo acontece". 

O que me motivou a ler o livro de Eloisa James foi a construção do protagonista Piers Yelverton. Inspirado no Dr. Gregory House da série de televisão House, o rapaz tem todas as características do arrogante e prepotente médico, mas não se mantém fiel à esta personalidade forte até o final. Aos poucos isso se desconstrói de uma maneira pouco crível e nada sutil. 

Essa mistura de elementos da cultura pop ao clássico me gerou expectativas de uma leitura interessante mas, infelizmente, o resultado me decepcionou brutalmente. A assimilação do comportamento grosseiro e egoísta do médico, rendeu-lhe o apelido de "Fera" e curiosamente esta é a única ligação da história inspiradora ao romance. Um elo fraco e que, sinceramente, foi forçado ao extremo, deveriam haver outras conexões que justificassem a releitura.

A protagonista Linnet é a típica Bela, mas não falo de A Bela e a Fera, pelo contrário, falo de Isabella Swan, seu total oposto. Vendida na sinopse como uma moça diferente, que se destacava das demais, Linnet Thrynne é exatamente o estereótipo de mocinha tapada, igual a grande maioria das senhoritas da época. Ela se diz durona, inteligente e teimosa, mas aceita sem pestanejar qualquer coisa que lhe é imposta e é tão tola que seus diálogos causam vergonha. Sua vitimização faz com que ela seja ainda mais insuportável e foi bem difícil torcer para que seu final fosse feliz. Graças ao gênero, sempre é.

Fadados a ficarem para sempre solteiros, o médico que sofre constantemente com uma dor lancinante na perna e a jovem que teve sua reputação destruída por engano não acreditam em casamento, mas o tempo fará com que eles descubram que o amor pode estar nos lugares mais sombrios. A lição mais importante que a autora deixa é a de que não somos o que parecemos ser. Nem tão belos e nem tão monstruosos.

De forma geral, Quando A Bela Domou A Fera não foi uma história marcante ou mesmo significativa. O título, bastante prepotente esconde uma história nada parecida com o livro que a inspira. Com um desenvolvimento narrativo pouco plausível, nem mesmo a extensa pesquisa científica que a autora realizou se mostrou capaz de salvar o livro. Se o Dr. Piers fosse realmente o Dr. House, com certeza diagnosticaria as falhas neste enredo e, infelizmente, são muitas mais do que acertos. 

"- Eu leio romances demais para não ser romântica.
- Romances não têm nada a ver com a vida real.
- São melhores que a vida real." (p. 166)

Sinopse: Eleito um dos dez melhores romances de 2011 pelo Library Journal, "Quando a Bela domou a Fera" é uma releitura de um dos contos de fadas mais adorados de todos os tempos.

Piers Yelverton, o conde de Marchant, vive em um castelo no País de Gales, onde seu temperamento irascível acaba ferindo todos os que cruzam seu caminho. Além disso, segundo as más línguas, o defeito que ele tem na perna o deixou imune aos encantos de qualquer mulher.

Mas Linnet não é qualquer mulher. É uma das moças mais adoráveis que já circularam pelos salões de Londres. Seu charme e sua inteligência já fizeram com que até mesmo um príncipe caísse a seus pés. Após ver seu nome envolvido em um escândalo da realeza, ela definitivamente precisa de um marido e, ao conhecer Piers, prevê que ele se apaixonará perdidamente em apenas duas semanas.

No entanto, Linnet não faz ideia do perigo que seu coração corre. Afinal, o homem a quem ela o está entregando talvez nunca seja capaz de corresponder a seus sentimentos. Que preço ela estará disposta a pagar para domar o coração frio e selvagem do conde? E Piers, por sua vez, será capaz de abrir mão de suas convicções mais profundas pela mulher mais maravilhosa que já conheceu?

"- Está querendo insinuar que sou fácil? - perguntou Linnet, ressentida.
- Está insinuando que eu não a respeitaria se você fosse?" (p. 200)


abril 27, 2017

[Livros] A Prisão do Rei - Victoria Aveyard (A Rainha Vermelha #3)

Título Original: King's Cage
Autor: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Páginas: 553
Gênero: Distopia, YA, Ficção, Fantasia
País: EUA
ISBN: 9999094163351
Classificação: ★★★☆
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Terceiro livro da saga A Rainha Vermelha, A Prisão do Rei toma um caminho bem diferente de seus antecessores. Se nos outros livros, Victoria Aveyard nos bombardeou com reviravoltas e cenas de tirar o fôlego, desta vez, a autora desacelerou bastante o passo e a história se arrastou de forma entediante por cruéis trezentas páginas. O ritmo da história combinado a escolha dos narradores impactou muito o desenvolvimento da trama e, assim, considero este um dos mais fracos livros da série.

A narração dos capítulos nos fornece três diferentes pontos de vista: Mare, Evangeline e Cameron. Com motivações absolutamente diferentes, a escolha das três garotas não foi aleatória mas acabou prejudicando a narrativa. Mare passou grande parte do livro presa pelo ex-noivo, Maven, sofrendo todo o tipo de tortura física e psicológica. Evangeline é uma manipuladora e faz o possível para proteger a si mesma e aos interesses da família. Cameron, no entanto, é uma sanguenova que tem muita raiva por ter sido obrigada a se juntar à Guarda Escarlate. 

Se a Guarda Escarlate já não é exatamente popular por suas ações radicais, ter o ponto de vista de alguém que não concorda com o grupo tende a influenciar os leitores a não escolherem um lado. Discordo veementemente da forma de atuação política da Guarda e com atentados cada vez mais violentos, se fez necessário um ponto de vista mais humano de dentro da organização. Não há. Provavelmente, esta foi uma escolha proposital de Victoria, justamente para nos mostrar o grande caos político em que essa distopia se enquadra, infelizmente tão contemporânea que assusta.

As movimentações políticas e o jogo de manipulação propagado pelo governo é explícito e complexo. A autora expôs uma realidade distópica em que a rebelião é a única alternativa, no entanto, os ideais se perdem conforme o poder se dissipa. É um infinito de contraste de pontos de vista, crenças e poderes. Escolher um lado não é fácil, especialmente, quando tantos sacrifícios são requeridos pelo "bem maior", essa expressão que justifica todo tipo de atrocidade para consertar outra atrocidade vigente.

Ao finalizar a leitura é possível compreender porque o herdeiro destronado, Cal, hesita tanto em escolher um lado, a Guarda Escarlate não se mostra uma alternativa justa à monarquia absolutista. Teria sido interessante conhecer o ponto de vista dele perante os eventos que sucederam a prisão de Mare. 

Maven, no entanto, se mostrou mais complexo e misterioso do que parecia ser. O jovem rei confessou que é uma criação da mãe - manipuladora de mentes - e nos deixa na dúvida sobre o quanto de sua maldade foi implantada em suas lembranças pela falecida rainha Elara. Em muitos momentos, tive pena dele por tantas escolhas erradas, mas mesmo sem os laços que o uniam à sua mentora, Maven permanece um tirano obcecado por Mare Barrow e pelo poder.

O ritmo narrativo acelera nas últimas páginas e grandes alianças políticas se consolidam. É quase irônico o quanto o poder depende do medo. Enquanto os dois lados armam suas estratégias para a batalha, famílias, vidas e sonhos são dizimados por exércitos inteiros. É um massacre para ambos os lados e a vitória se afasta cada vez mais da paz. A justiça é uma utopia, seja no mundo real, seja no mundo distópico. Somos todos prisioneiros em nossas jaulas prateadas.

"Ele me enganou quando era príncipe, me atraindo para sua armadilha. Agora, estou na prisão do rei. Mas ele também está. Minhas correntes são as Pedras Silenciosas. As dele são a coroa." (p. 183)

Sinopse: No terceiro volume da série que já vendeu mais de 250 mil exemplares no Brasil, tudo vai queimar. Mare Barrow foi capturada e passa os dias presa no palácio, impotente sem seu poder, atormentada por seus erros. Ela está à mercê do garoto por quem um dia se apaixonou, um jovem dissimulado que a enganou e traiu. Agora rei, Maven continua com os planos de sua mãe, fazendo de tudo para manter o controle de Norta — e de sua prisioneira.

Enquanto Mare tenta aguentar o peso sufocante das Pedras Silenciosas, o resto da Guarda Escarlate se organiza, treinando e expandindo. Com a rebelião cada vez mais forte, eles param de agir sob as sombras e se preparam para a guerra. Entre eles está Cal, um prateado em meio aos vermelhos. Incapaz de decidir a que lado dedicar sua lealdade, o príncipe exilado só tem uma certeza: ele não vai descansar enquanto não trouxer Mare de volta.

"- Não sou tolo, menininha elétrica. - Seu tom acompanha o meu. - Se vai brincar com a minha mente, vou brincar com a sua. Somos bons nisso. (...)
- Não me compare a você, não somos iguais.
- Pessoas como nós mentem para todo mundo. Principalmente para nós mesmos." 
(p. 215)


abril 21, 2017

[Livros] A Química Que Há Entre Nós - Krystal Sutherland

Título Original: Our Chemical Hearts
Autor: Krystal Sutherland
Editora: Globo Alt
Páginas: 272
Gênero: YA, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788525062406
Classificação: ★★★★
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Um soco no estômago. A Química Que Há Entre Nós foi uma daquelas leituras que nos chacoalham e nos fazem reavaliar nossas vidas e nossas escolhas amorosas. Mais do que um romance adolescente, essa é a história de um amor de verdade, não daqueles idealizados, mas daqueles que machucam, doem e fazem chorar encolhido na cama. De uma forma simples sem deixar de ser emocionante, o livro de Krystal Sutherland mostra que sentimentos não são nada mais do que química e às vezes as fórmulas não batem.

Outra vez me identifiquei muito com um personagem e mergulhei - literalmente - na história. Henry é o típico garoto que ama perdidamente e se desespera com a possibilidade de não ser amado de volta. Gostar de alguém já é suficientemente difícil, mas não ser retribuído dói como brasa quente e demora a passar. Junto ao protagonista, chorei por cada vez que tive meu coração partido e cada ilusão criada por mim mesma sobre alguém que parecia especial.

Henry Page é um tímido garoto com pouca ou nenhuma experiência com garotas, o típico nerd bonitinho que não sabe se aproximar do sexo oposto. Ele conta com seus dois melhores amigos - Lola e Murray - para fazer da sua experiência no ensino médio algo menos decepcionante. Quando conhece uma garota nova chamada Grace Town, Henry se apaixona instantaneamente por ela e esse é o começo de um perigoso mergulho no amor sem direito a bote salva-vidas ou boia. 

Grace tem problemas sérios com seu passado e tenta, na nova escola, recomeçar sua vida. O que aconteceu em seu passado não chega a ser um grande mistério para leitores de ya's, mas é algo impactante e tão difícil que mudou completamente sua personalidade e a transformou em outro alguém. A protagonista trava uma luta intensa contra seus próprios demônios e, ainda assim, o tolo Henry se apaixona por ela.

A amizade que os dois desenvolvem é espontânea e uma das coisas mais lindas sobre esse livro é a naturalidade como a autora envolve os protagonistas. Henry e Grace são cativantes e suas histórias são como tantas outras que acontecem fora da ficção. Em muitos momentos, percebi em Henry aspectos similares aos meus e sofri vendo-o cometer os mesmos erros que eu costumo cometer. O sofrimento expresso na narrativa é palpável e, apesar de serem níveis diferentes de dor, a autora nos mostra que não é possível comparar qual é a maior. A dor apenas dói.

Apesar de não ter aprovado a adaptação do título para o português, A Química Que Há Entre Nós - Our Chemical Hearts - é mais um belo romance ya publicado pelo selo Globo Alt. A forma como Krystal fala do amor é direta, objetiva, como ele próprio é, uma reação química. Quem complica o sentimento somos nós que ousamos ser peixes em lagos muito profundos quando não ainda sabemos nadar.

"- Você não pode projetar suas fantasias nas pessoas e esperar que elas cumpram o papel, Henry. As pessoas não são recipientes vazios para você encher com seus devaneios." (p. 220)

Sinopse: Grace Town é esquisita. E não é apenas por suas roupas masculinas, seu desleixo e a bengala que usa para andar. Ela também age de modo estranho: não quer se enturmar com ninguém e faz perguntas nada comuns.

Mas, por algum motivo inexplicável, Henry Page gosta muito dela. E cada vez mais ele quer estar por perto e viver esse sentimento que não sabe definir. Só que quanto mais próximos eles ficam, mais os segredos de Grace parecem obscuros. 

Mesmo que pareça um romance fadado ao fracasso, Henry insiste em mergulhar nesse universo misterioso, do qual nunca poderia sair o mesmo. Com o tempo, fica claro para ele que o amor é uma grande confusão, mas uma confusão que ele quer desesperadamente viver.

"- Eles envenenaram você com essa bobagem de 'o amor é paciente, o amor é gentil' desde que você era criança. Mas o amor é científico, cara. Quer dizer, ele é apenas uma reação química no cérebro. Às vezes essa reação dura uma vida inteira, repetindo-se de novo e de novo. E às vezes não. Às vezes ela entra em supernova e começa a desaparecer. Nós somos todos apenas corações químicos. Isso deixa o amor menos brilhante?" (p. 245)

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