outubro 19, 2017

[Livros] Uma Bolota Molenga e Feliz - Sarah Andersen

Título Original: Big Mushy Happy Lump
Autor: Sarah Andersen
Editora: Seguinte
Páginas: 136
Gênero: Tirinhas, Humor
País: USA
ISBN: 9788555340451
Classificação: ★★★
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Segunda compilação de tirinhas da página Sarah's Scribbles, Uma Bolota Molenga e Feliz reúne fofas - e verdadeiras - pequenas histórias da genial Sarah Andersen. Com um tom sarcástico e bem humorado, o livro critica alguns padrões estabelecidos e aborda questões psicológicas que afetam, em especial, os jovens adultos no século XXI.

As ilustrações de Sarah Andersen retratam o cotidiano e seus traços fofinhos em meio às suas ácidas tiradas são sua marca registrada. A diagramação continua impecável e a edição em capa dura é tão linda quanto a primeira, aliás, que bela coleção estamos formando. Em cores opostas, os dois volumes ficam incrivelmente bonitos juntos.

A única diferença de seu antecessor é que em Uma Bolota..., a autora contextualiza algumas de suas tirinhas e cria pequenas histórias em quadrinhos para expor uma situação. Os temas recorrentes e que afetam a nossa geração como fobia social, ansiedade, depressão, isolamento, carência, entre outras, estão representados e integrados ao cotidiano, infelizmente, vistos como algo comum. O que a sociedade insiste em fazer - transformar transtornos psicológicos e emocionais em sentimentos normais.

Inteligente e sagaz, Sarah criou uma personagem com a qual é fácil se identificar. Em pequenas cenas, a ilustradora consegue representar nossos medos e inseguranças, bem como nossas manias e vícios. Tão divertido quanto o primeiro volume, Uma Bolota Molenga e Feliz é uma leitura rápida e leve cheia de passagens memoráveis que vão se encaixar na sua vida como um bom blusão de namorado no inverno. 


Sinopse: As incríveis tirinhas de Sarah Andersen são para nós, que não economizamos dinheiro na livraria, vivemos à base de café, deixamos tudo para a última hora, somos especialistas em roubar o blusão alheio, não sabemos nos comportar em situações sociais e insistimos em Pensar Demais. Esta segunda coletânea continua exatamente onde a primeira parou: debaixo de uma pilha de cobertas, evitando as responsabilidades do mundo real. Este volume traz tiras que acompanham os altos e baixos da montanha-russa implacável que é o começo da vida adulta, além de ensaios ilustrados sobre experiências pessoais da autora ligadas a ansiedade, carreira, relacionamentos e amor por gatinhos. Tudo isso com o mesmo tom sincero, leve e divertido que já conquistou mais de 2 milhões de fãs no Facebook.


outubro 13, 2017

[Livros] Janelas da Mente - Ana Beatriz Barbosa Silva & Eduardo Mello Guimarães

Título Original: Janelas da Mente
Autor: Ana Beatriz Barbosa Silva e Eduardo Mello Guimarães
Editora: Globo Livros
Páginas: 192
Gênero: Contos, Psicologia
País: Brasil
ISBN: 9788525062994
Classificação★★★☆☆
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Janelas da Mente é um livro de contos inspirados em transtornos mentais. Escrito por profissionais da área, Ana Beatriz Barbosa Silva e Eduardo Mello Guimarães, o livro conta histórias que se repetem na vida real e mostra as peculiaridades de cada caso. 

Os temas abordados vão de doenças ligadas à fobias, paranoia, obsessão, compulsão até psicopatia. Sem julgamentos, o livro descreve esses transtornos e os mostra como parte integrante da vida dos personagens. Na maioria dos casos, ninguém sabe que o indivíduo sofre com algum transtorno, nem mesmo ele. 

O impacto desse desequilíbrio vai além da própria pessoa, familiares, amigos, namorados, todos são afetados direta ou indiretamente por isso. Dos casos mais leves aos mais graves, os transtornos mentais afetam a qualidade de vida de quem passa por isso todos os dias, tornando infindável a batalha invisível que acontece em nossa cabeça.

Sofro com transtornos mentais - transtorno de ansiedade e emetofobia - há muitos anos e faço o possível para conviver com isso, alguns dias são mais difíceis que outros e é preciso muito apoio para não desanimar. A sensação de impotência, de não controlar o que acontece com seu corpo e sua mente é frustrante, mas saber que você enfrenta isso constantemente e segue vencedor, é a recompensa. 

Com Janelas da Mentes volta a tona a discussão sobre o que o século XXI fez com nossos cérebros. Os transtornos são cada vez mais comuns e a falta de informação sobre eles torna a vida que quem sofre muito pior. Existem muitos tratamentos, muita ajuda disponível e é importante que você saiba que não está sozinho. Por mais que você não consiga, de fato, ver uma saída, sempre há uma janela.

Sinopse: Em seu segundo mergulho na ficção, a psiquiatra e escritora Ana Beatriz Barbosa Silva brinda o leitor com doze contos a respeito dos comportamentos humanos disfuncionais. Este novo livro é fruto de uma parceria com o também escritor e publicitário Eduardo Mello Guimarães. Baseadas em casos que Ana Beatriz dissecou ao longo de sua carreira, as histórias tratam de temas polêmicos sem meias-verdades e tabus como compulsão, ninfomania e depressão, porém sem perder a leveza e o bom humor, em um texto ágil e dinâmico.

Em meio ao caos do universo urbano e através de uma narrativa inquietante, os autores constroem histórias repletas de drama, humor e emoção que irão fazer com que o leitor se pergunte: onde está o muro que separa a ficção da realidade?


outubro 09, 2017

[Livros] Mr. Romance - Leisa Rayven (Masters Of Love #1)

Título Original: Mr. Romance #1
Autor: Leisa Rayven
Editora: Globo Alt
Páginas: 358
Gênero: Romance, Ficção
País: Australia
ISBN: 9788525064684
Classificação★★★★☆
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Um livro que reúne todos os clichês românticos sedutores num personagem misterioso, Mr. Romance é mais do que uma boa leitura, um romance intrigante. O enredo criado por Leisa Rayven, bem como na trilogia Meu Romeu, envolve um personagem que está interpretando outros personagens. Suas múltiplas personalidades escondem o verdadeiro protagonista e fazem com que o leitor não saiba ao certo por quem se apaixonou.

A narrativa de Leisa é tão envolvente quanto os mocinhos que ela cria e nos conquista já no primeiro capítulo. Mr. Romance dialoga com seus leitores ao trabalhar clichês batidos em new adults contemporâneos e nos forçar a pensar sobre nossas expectativas românticas surreais. 

Eden Tate não acredita no amor e vive se envolvendo com babacas. A jornalista não vê motivo para desejar mais do que um relacionamento de uma noite, afinal, ela está focada em sua carreira que é mais fracassada ainda do que sua vida amorosa. Redatora de matérias duvidosas, Eden busca sua redenção com um grande furo de reportagem que a tire da lama de uma vez por todas. 

Um rumor sobre um tal de Mr. Romance começa a circular e a jornalista se interessa pela história de um galã que seduz a alta sociedade em troca de dinheiro. Determinada a desmascarar o rapaz e expor seu serviço de luxo, Eden começa uma caçada sem imaginar que talvez ela também precise de um pouco de romance em sua vida.

Max Riley não oferece fantasias sexuais às suas clientes, pelo contrário, ele oferece fantasias românticas, entregando tudo o que elas desejam em um homem - menos sexo. É uma forma de suprir as necessidades emocionais dessas mulheres mostrando a elas como um pouco de ficção poderia fazê-las felizes. Sob personalidades distintas, Max faz com que elas se sintam amadas e desejadas expondo-as à situações completamente diferentes das que elas estão acostumadas a viver, mas muito próximas dos clichês românticos que encontramos nos livros.

Enquanto escreve a matéria, Eden vai conhecendo um pouco do misterioso Mr. Romance e cada uma de suas facetas, parece ser mais encantadora que a anterior. Uma característica das narrativas de Leisa Rayven é o fato de o protagonista ser um ator. É muito interessante que não saibamos quem de fato é Max Riley, afinal, conhecemos apenas seus personagens. 

De uma forma inteligente, sensível e sedutora, Mr. Romance vai conquistar corações - tanto o protagonista quanto o livro. Todos precisamos de um pouco de romance em nossas vidas, clichê ou não, se apaixonar é como estar em um bom livro: a gente ama o mocinho e torce por um final feliz. 

"Todos nós temos questões que estamos tentando superar, senhorita Tate. Todo mundo quer se sentir especial, a gente admitindo ou não. E amar sem limites, nos permitindo ser amados de volta, é o que dá sentido à vida. Ou, pelo menos, é o que deveria dar. Todo o resto só atrapalha." (p. 106)

Sinopse: Max Riley pode fazer com que as fantasias mais incríveis ganhem vida: sob o alter-ego de Mr. Romance, ele pode ser um bilionário dominador, um bad boy inocente, um geek sexy ou qualquer outro homem que satisfaça os desejos das mulheres solitárias da alta sociedade de Nova York. 

No entanto, nada disso envolve sexo: são apenas encontros inesquecíveis. Intrigada com a lenda urbana de Mr. Romance, a jornalista Eden Tate está determinada a publicar uma matéria revelando sua identidade e suas artimanhas. 

Desesperado para proteger seu anonimato, Max desafia Eden a ter com ele três encontros: se ela não se apaixonar por ele, poderá publicar a matéria. Caso contrário, deverá esquecer a história. Eden não tem dúvidas de que conseguirá resistir a todos os falsos personagens de Mr. Romance, mas será que é seguro entrar no jogo do maior mentiroso de todos?

"Todas nós já nos machucamos. Todas nós temos cicatrizes em alguns lugares. Mas o romance nos permite esquecer disso por um momento e acreditar que contos de fadas podem ser reais. Nós vivemos em um mundo de homens falhos. Não há vergonha nenhuma em se permitir acreditar em um perfeito por um tempinho" (p.222)

setembro 24, 2017

[Livros] Meus Dias Com Você - Clare Swatman

Título Original: Before You Go
Autor: Clare Swatman
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Gênero: Romance, Ficção
País: Inglaterra
ISBN: 9788580417401
Classificação★★★★☆
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Romance de estreia de Clare Swatman, Meus Dias Com Você narra uma emocionante história de arrependimento, perda e amor. Apesar do clichê romântico já visto em diversos filmes do gênero, a narrativa comove e nos faz pensar sobre as consequências de cada pequena ação. O casal de protagonistas é tão cheio de falhas que chega a ser palpável e, apesar de ser ficção, não é difícil se colocar no lugar deles.

A temática - voltar no tempo para consertar as coisas - é uma velha conhecida dos fãs de ficção científica que tem sido misturada aos romances contemporâneos. Quando incorporada à reflexão e ao arrependimento da protagonista, a chance de mudar o passado e, assim, tentar afetar o presente se torna seu objetivo. Ainda que exista paradoxo de que nada pode realmente ser mudado, o leitor torce para que tudo dê certo.

Começando pelo final e de forma impactante, a trama se desenvolve a partir da morte de Ed. Sua esposa, Zoe, se vê desolada e arrependida por ter brigado com ele na manhã do acidente. Eles nem sequer se despediram e a última vez que se viram sentiam raiva um do outro. O sentimento que o primeiro capítulo gera é de tristeza e angústia porque tantas vezes ficamos furiosos com alguém sem pensar que aquele pode ser nosso último encontro. As coisas pelas quais brigamos têm mesmo tanta importância?

No entanto, algum tempo após a morte do marido, Zoe acorda em um tempo diferente, num lugar conhecido onde Edward Williams ainda não morreu. Ela está na faculdade, no dia em que viria a conhecer o amor da sua vida e tem a chance de tentar mudar as coisas, quem sabe tentar salvá-lo.

Zoe recebe o privilégio de reviver os dias mais importantes da sua vida, mas por mais que tente mudar as coisas, as consequências são sempre as mesmas. Ela, então, decide aproveitar essa segunda chance para amar o marido de novo, mais do que amou pela primeira vez. É absolutamente devastador o desespero da protagonista ao fechar os olhos, sem saber se aquela será a última vez em que verá Ed. É um choque ainda maior pensar que deveríamos nos sentir assim todos os dias.

Apesar de previsível e clichê, Meus Dias Com Você traz uma mensagem tão linda que pouco importa se já a vimos diversas vezes. Às vezes, somos obrigados a viver uma experiência mais de uma vez para finalmente aprender algo com ela. Ainda não podemos alterar o nosso passado ou reviver nossos momentos favoritos, mas podemos aproveitar cada segundo como se fosse o último quando tomamos a consciência de que um dia será mesmo. 

"Quero dizer a ele que nunca é o momento certo, que a vida é muito curta para jogar as coisas fora, para perder tempo, para ficarmos separados. Mas não posso, e sei que um cara de 19 anos não tem como compreender isso." (p. 43)

Sinopse: Quando o marido de Zoe morre, o mundo dela desaba. Mas e se fosse possível tê-lo de volta? Numa fatídica manhã, Ed e Zoe têm uma discussão terrível, algo recorrente no seu casamento em crise, e ela acaba se despedindo de forma brusca quando ele sai para o trabalho.

Pouco tempo depois, um ônibus acerta a bicicleta de Ed, matando-o e deixando Zoe arrasada por não ter lhe dito quanto o amava. Se tivessem ficado mais um pouco juntos aquela manhã, ele ainda estaria vivo? Será que poderiam ter reconstruído o amor que os unira?

Após dois meses, Zoe ainda não conseguiu se conformar. De luto, decide cuidar do jardim do marido, quando acaba caindo e desmaiando. Então, algo estranho acontece: ao acordar, ela está em 1993, no dia em que conheceu Ed na faculdade.

A partir desse instante, Zoe passa a reviver momentos cruciais de sua vida e percebe que talvez tenha conseguido uma segunda chance: uma oportunidade de fazer tudo diferente, de focar naquilo que realmente importa, de mudar os rumos do relacionamento – e, quem sabe, o destino de seu grande amor.

"Ele está tão bonito e tão jovem, usando calça jeans rasgada no joelho e os cabelos caindo nos olhos, e meu coração se aperta um pouco mais, quase explodindo de amor. Meu Ed. 
E então aqui está ele, na minha frente, e seu rosto se abre em um sorriso largo quando me vê, e é como se o sol tivesse nascido." (p. 60)


setembro 22, 2017

[Livros] Contos de A Fúria e a Aurora - Renée Ahdieh

Título Original: The Crown and The Maze
Autor: Renée Ahdieh
Editora: Globo Alt
Páginas: 104
Gênero: Romance, Ficção, Contos
País: EUA
ISBN: 9788525064394
Classificação★★★★☆
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Um livro de contos tão curtinho quanto bonitinho, essa coletânea nos transporta mais uma vez para as areias do deserto e nos faz matar a saudade dos protagonistas inesquecíveis de A Fúria e a Aurora. Histórias já conhecidas são narradas sob outro ponto de vista e, por isso, temos uma visão mais ampla dos acontecimentos dos livros anteriores. 

Renée Ahdieh recontou a história de Sherazade e fez com que nos apaixonássemos por suas mil e uma histórias. Seus  personagens são cativantes e é impossível não criar empatia por cada um deles: Despina, Jalal, Khalid e a protagonista absoluta, Shazi. Senti falta de um pouco mais de Tariq, o terceiro elo do triângulo amoroso, mas talvez a autora tenha outros planos para ele. 

Como um tapete mágico, as páginas escritas por Ahdieh nos levam diretamente para um mundo incrível que mistura fantasia, ficção e magia. Khalid, o amante amaldiçoado, se mostra ainda mais apaixonante e conquista um pouco mais meu coração. Eu queria muitas histórias mais, mas tudo bem... vou fechar os olhos e sonhar com o rei de Khorasan enquanto espero pela próxima aurora.

"Fazia sentido acreditar que essa garota - essa Sherazade al-Khayzuran - não devia estar em sã consciência. Pela experiência de Khalid, apenas duas coisas levavam as pessoas a tomar medidas tão drásticas. 
Amor. E ódio. 
Qual seria o caso?" (p. 14)

Sinopse: O que passava pela cabeça de Khalid antes dele conhecer Sherazade e qual foi a sua primeira impressão ao vê-la? O que ele sentiu, tempos depois, já completamente apaixonado por ela, ao ser forçado a se afastar e ver seu palácio destruído? E como Despina se envolveu e se apaixonou pelo capitão da guarda real Jalal al-Khoury? Nesses três contos, Renée Ahdieh retorna ao mundo de As mil e uma noites para dar voz a Khalid e Despina em pontos chave da história, nos envolvendo novamente nesse encantador universo de palácios, desertos e paixões avassaladoras.

"- Você mandou Sherazade embora com um rapaz a quem eu não confiaria uma cobra morrendo. Você não tem ideia...

- Ele a ama, Khalid jan - Jalal interrompeu com suavidade. - Ele a manterá em segurança. Ele me prometeu.
- E o que lhe dá o direito de....
- Olhe à sua volta, Khalid Ibn al-Rashid. Olhe à sua volta com olhos de homem, não com o coração de um menino." (p. 36)


setembro 06, 2017

[Livros] As Cores do Amor - Camila Moreira

Título Original: As Cores do Amor
Autor: Camila Moreira
Editora: Paralela
Páginas: 320
Gênero: Ficção, Romance, Hot
País: Brasil
ISBN: 9788584390823
Classificação★☆☆☆☆
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As Cores do Amor, recebido em parceria com a editora Paralela, infelizmente, foi uma das minhas maiores decepções literárias. O romance forçado e repleto de exageros não conseguiu me convencer e, confesso, torci mais para que os protagonistas se separassem do que para que ficassem juntos. 

Com uma premissa - à primeira vista - interessante e abordando em primeiro plano o racismo, o livro tinha bastante potencial mas se perde em excessos. As situações e a intensidade do preconceito são absurdas e ainda que - até quando? - uma constante na vida de pessoas negras, soaram fabricadas demais para forçar reações.

Apesar de ambientada na contemporaneidade, os pensamentos dos protagonistas nos remetem à romances de época, totalmente descontextualizados e pouco verossímeis. E se o comportamento do vilão da história, o racista e ignorante coronel Montolvani é injustificável, o do panaca de seu filho é ainda mais. 

Criado sob a vigilância de um pai cruel, preconceituoso e conservador, Henrique se "rebelou" contra os ideais de seu progenitor. Essa sua revolta, no entanto, não dura muito pois o jovem é obrigado a retornar à casa do pai quando descobre que ele está doente. Independente do que o coronel faça, Henrique sente pena do velho e volta para cuidar dele, como se o câncer do pai anulasse a podridão de sua alma. Essas idas e vindas do rapaz levando em consideração tudo o que o canalha faz para humilhá-lo são incompreensíveis para mim.

Após se apaixonar por Silvia, uma jovem negra, Henrique se vê num dilema: assumi-la ou não. O pai nunca aceitaria que ele namorasse alguém de pele escura e, para o protagonista, a aprovação do pai é algo a ser levado em consideração. Logo de início, o rapaz esnoba Silvia, tentando fingir que não a conhece perto do pai. Sua atitude covarde, no entanto, logo é esquecida e perdoada e o casal que não possui química alguma volta a se envolver.

Infelizmente, nada nesse romance funcionou para mim. Nem mesmo as cenas eróticas que prometiam prender a atenção dos leitores, conseguiram me convencer. Não há sensualidade, sutileza na descrição das cenas. Os diálogos são rasos, bobos e cheios de repetições irritantes, vide o tanto de vezes que eles usam os apelidos carinhosos 'minha morena' e 'galego'. Urgh!

Silvia é muito conformada, aceita tudo, perdoa todas as imbecilidades de Henrique enquanto paga de mulher forte, bem resolvida e madura. Existem muitas outras incongruências mas, dentre elas, a paixão repentina dos dois é a pior. Em poucos dias, ambos já falam de amor como se a humilhação que Silvia sofreu não fosse importante. É surreal a falta de proporcionalidade.

As Cores do Amor tem pouco de amor e muito de preconceito - e essa não é a premissa que o romance anuncia. Talvez se houvesse um maior equilíbrio entre ambos, a história fosse mais interessante. Me peguei querendo abandonar a leitura muitas vezes, eu realmente gostaria de ter visto cores mais vivas e um melhor desenvolvimento, infelizmente, não foi dessa vez. 

"- Se você diz, minha linda.
- Minha linda?
- Um homem pode sonhar." (p. 40)

Sinopse: O que define uma pessoa? O dinheiro? O sobrenome? A cor da pele? Filho único de um barão da soja, Henrique Montolvani foi criado para assumir o lugar do pai e se tornar um dos homens mais poderosos da região. No entanto, o jovem se tornou um cafajeste aos olhos das mulheres, um cara egocêntrico segundo os amigos e um projeto que deu errado na concepção do pai. 

Quando o destino coloca Sílvia em seu caminho, uma jovem decidida e cheia de personalidade, Henrique reavaliará todas as suas escolhas. O amor que ele sente por Sílvia o fará enfrentar o pai e transformará sua vida de uma maneira que ele nunca pensou que fosse possível. Um sentimento capaz de provar que nada pode definir uma pessoa, a não ser o que ela traz no coração.

"- Estou apaixonado por você.
Era tudo o que eu precisava ouvir.
Muitas vezes, passamos a vida toda nos escondendo do amor, tentando evitá-lo, mas esquecemos que não temos controle sobre esse sentimento. Não tem como aprisionar um furacão em um copo. Henrique me fazia sentir um turbilhão de emoções que não cabiam no meu coração." (p. 109)


setembro 04, 2017

[Livros] Eu Te Darei O Sol - Jandy Nelson

Título Original: I'll Give You The Sun
Autor: Jandy Nelson
Editora: Novo Conceito
Páginas: 364
Gênero: Ficção, YA, Romance
País: EUA
ISBN: 9788581636467
Classificação: ★★★★★
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Eu Te Darei O Sol é uma das melhores leituras da minha vida. Jandy Nelson escreveu uma história de cortar o coração e eu daria as estrelas para poder curar a dor desses protagonistas.

A narrativa expõe o drama de dois irmãos que se amam tanto quanto se odeiam e disputam a atenção dos pais. Gêmeos idênticos, eles sempre foram metades um do outro, mas a vida os separou e fez com que eles se perdessem de si mesmos. É como se não houvesse espaço para os dois juntos, mas só houvesse vazio quando estão separados.

Bullying, sexualidade, morte, rebeldia, arte, perdão, culpa, fé, felicidade e amor são apenas alguns dos temas que permeiam a obra de Jandy Nelson. Um livro complexo e repleto de metáforas, Eu Te Darei O Sol conta não só a jornada desses dois adolescentes tão parecidos quanto diferentes, mas também a de tantos outros jovens que sofrem por não se encontrarem em si mesmos.
É difícil escrever sobre um livro que mexeu comigo de forma tão intensa. Talvez minhas mãos pudessem expressar com mais precisão do que as palavras o sentimento que veio com essa leitura. Uma verdadeira obra-prima, esse young adult vai partir seu coração como que para dar vida a uma dolorosa escultura em pedra. E a arte final é única, sensível, brilhante como o sol. 

"Eu a encontro e a encontro e a encontro, mas não consigo realmente encontrá-la." (p. 257)

Sinopse: Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia.

Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém. Contado em perspectivas e tempos diferentes, EU TE DAREI O SOL é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.

"Platão falou sobre coisas que existiam e que tinham quatro pernas, quatro braços e duas cabeças. Eram coisas únicas, estáticas e poderosas. Poderosas demais, então Zeus as cortou pela metade e espalhou as metades pelo mundo, para que os humanos estivessem para sempre fadados a procurar suas metade, a metade com a qual compartilham a própria alma. Somente os humanos mais sortudos encontram suas metades, sabe?" (p. 338)

agosto 10, 2017

[Livros] Fuck Love - Louco Amor - Tarryn Fisher

Título Original: F*ck Love
Autor: Tarryn Fisher
Editora: Faro Editorial
Páginas: 288
Gênero: Ficção, Romance
País: EUA
ISBN: 9788562409998
Classificação★★☆☆☆
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Demorei mais do que esperava para escrever essa resenha porque esse livro representou um monte de coisas para mim - a maioria delas ruins. Por um lado, a história de auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal de uma pessoa com problemas similares aos meus me conquistou, por outro, o desenvolvimento da trama me decepcionou e jogou um balde de água no que eu mais havia gostado no romance. Talvez essa dualidade - o lado positivo e negativo - presente também no amor, no entanto, faça sentido - mesmo que livro não faça.

Partes da trama mexeram comigo positivamente sim, muitas frases pareceram escritas para o meu momento. Até mesmo o drama da protagonista é parcialmente compreensível e, apesar de não concordar com as atitudes da personagem, me apaixonei pelos momentos reflexivos que intercalavam seus momentos de impulso. Tarryn descreve uma jornada de redescoberta que tenta nos faz enxergar que o amor-próprio sempre deve estar acima do amor, mas falha, pois cai em sua própria armadilha. Um outro final teria funcionado para mim.

Helena se apaixonou pelo único cara pelo qual nunca deveria ter se apaixonado - o namorado da melhor amiga. Desejar alguém que não pode ser seu e, principalmente, machucar assim alguém com quem você se importa é uma situação complicada. Em diversos momentos, vi em Helena uma mulher egoísta, carente e desesperada mas, apesar de não ter simpatizado nem um pouco com a protagonista, compreendi suas crises e torci por ela - na maior parte do tempo - e por decisões melhores.

O comportamento obsessivo de Helena poderia ser taxado como abusivo, afinal, ela persegue o namorado da melhor amiga, se infiltra na vida da ex-namorada dele e até mesmo vai morar na cidade em que ele nasceu. Pouca gente teve essa percepção, especialmente porque é uma personagem feminina que inspira mais dó do que raiva mas, a mim, incomodou demais a forma com Helena cercou a vida de Kit e destruiu o relacionamento dele com Della.

Della, Kit e Helena são insuportáveis. Com personalidades rasas, desinteressantes e egocêntricas, o triângulo amoroso não me convenceu e, de verdade, pouco me importou. Em resumo, Helena deseja o namorado palerma da amiga escrota. Não há conexão entre nenhum deles e os fios que mantém a história são tão frágeis que não se sustentam. 

O final foi a pior decepção literária desse ano. Tarryn Fisher é conhecida por fazer seus leitores amarem ou odiarem seus livros e eu entendi o porquê. Em conjunto a uma trama fraca, personagens entediantes e um título pretensioso que prega justamente o contrário da sua narrativa, o desfecho me frustrou a ponto de me deixar indignada. Nem as inúmeras referências - nada espontâneas e extremamente forçadas - a Harry Potter fizeram com que o livro me conquistasse. Infelizmente, Fuck Love só me proporcionou algumas boas frases. 

"Você só começa a procurar a verdade quando alguma coisa dá terrivelmente errado e você percebe que precisa buscar respostas. Não há mais volta quando ultrapassamos esse ponto. As emoções são enterradas debaixo do concreto. É como se dez anos tivessem se apagado da minha vida e eu me tornasse adulta sem ter vivido o tempo atual." (p. 78)

Sinopse: Helena Conway se apaixonou. Contra sua vontade. Perdidamente. Mas não sem motivo.Kit Isley é o oposto dela desencanado, espontâneo, alguém diferente de todos os homens que conheceu. Ele parece o seu complemento. Poderia ser tão perfeito... se Kit não fosse o namorado da sua melhor amiga. 

Helena deve desafiar seu coração, fazer a coisa certa e pensar nos outros. Mas ela não o faz... Tentar se afastar da pessoa amada é como tentar se afogar. Você decide fugir da vida, pulando na água, mas vai contra a natureza não buscar o ar. Seu corpo clama por oxigênio sua mente insiste que você precisa de ar. Então você acaba subindo à superfície, arfando, incapaz de negar a si mesma essa necessidade básica de ar. De amor. De desejo ardente. 

Você pode pensar que já viu histórias parecidas, mas nunca tão genuínas como essa. Tarryn, a escritora apaixonada por personagens reais, heroínas imperfeitas, mais uma vez entrega algo forte, pulsante, que nos faz sofrer mas também nos vicia. Depois dela, todas as outras histórias começam a parecer como contos de fadas. Se você não quer se viciar, não leia a primeira página.

"- Tudo bem, mas estou tentando me encontrar.
- Essa, minha querida, é a coisa mais assustadora que você poderia querer fazer.
- Por quê?
- Porque você pode não gostar do que vai encontrar." (p. 142)


julho 31, 2017

[Livros] Nossa Música - Dani Atkins

Título Original: Our Song
Autor: Dani Atkins
Editora: Arqueiro
Páginas: 368
Gênero: Ficção, Romance
País: Reino Unido
ISBN: 9788580417258
Classificação★★★★☆
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Dani Atkins sempre me faz chorar com seus romances dramáticos e, desta vez, não poderia ser diferente. Nossa Música traz a característica sensibilidade da autora e sua forma peculiar de contar histórias sem linearidade, envolvendo o leitor em uma melodia suave que o prepara - ou não - para um final arrebatador.

Com personagens bem desenvolvidos e uma trama que os conecta no passado e no presente, a autora desenvolve uma complexa história de amor. Apontando cada pequena decisão que levou as protagonistas àquele momento, a narrativa detalhista nos dá dois pontos de vista diferentes e faz com que compreendamos as atitudes delas. 

Por uma coincidência cruel, duas mulheres que partilham um segredo no passado se encontram num hospital. Os maridos de Ally e Charlotte sofreram acidentes seríssimos na mesma noite e estão internados lutando pela vida. Inimigas declaradas e ligadas por uma história de mágoa e traição, elas deverão reavaliar a importância do perdão para seguirem em frente enquanto esperam por seus respectivos milagres.

Ao contrário dos outros livros de Atkins, o final de Nossa Música é extremamente previsível e talvez esse fato seja a única coisa que me incomodou, mas nem por isso fez dele menos emocionante. Apenas um personagem roubou meu coração e com um diálogo destruidor, este foi partido ao meio. Ao som de uma melodia triste, Nossa Música fala de desencontros, fatalidades e a crueldade do destino sem nunca deixar de lado o amor, a coisa mais linda e dolorosa que pode acontecer em nossas vidas.

"Você pensa que tem o controle de sua vida, acredita que é você quem toma todas as decisões, e então algo assim acontece e você se dá conta de que é apenas uma minúscula peça em um jogo de xadrez, sendo movida de um lado para outro ao capricho de alguma coisa ou alguém muito maior." (p. 59)

Sinopse: Ally e Charlotte poderiam ter sido grandes amigas se David nunca tivesse entrado em suas vidas. Mas ele entrou e, depois de ser o primeiro grande amor (e também a primeira grande desilusão) de Ally, casou-se com Charlotte. 

Oito anos depois do último encontro, o que Ally menos deseja é rever o ex e sua bela esposa. Porém, o destino tem planos diferentes e, ao longo de uma noite decisiva, as duas mulheres se reencontram na sala de espera de um hospital, temendo pela vida de seus maridos. Diante de incertezas que achavam ter vencido, elas precisarão repensar antigas decisões e superar o passado para salvar aqueles que amam. 

Com a delicadeza tão presente em seus livros, Dani Atkins mais uma vez nos traz uma história de emoções à flor da pele, um drama familiar comovente que não deixará nenhum leitor indiferente.

"David foi o primeiro para mim. O primeiro em tudo. Meu primeiro namorado de verdade, meu primeiro amor, meu primeiro amante e meu primeiro - e único - coração partido. Não sei bem quando tudo começou a dar errado. Não. Mentira. Eu poderia assinalar os indícios como alfinetes em um mapa para um lugar aonde a pessoa não gostaria de ir." (p. 100)

julho 24, 2017

[Livros] Até Mais, E Obrigado Pelos Peixes! - Douglas Adams (O Guia do Mochileiro das Galáxias #4)

Título Original: So Long, And Thanks For All The Fish
Autor: Douglas Adams
Editora: Arqueiro
Páginas: 221
Gênero: Ficção Científica
País: Inglaterra
ISBN: 9788599296974
Classificação★★★★☆
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Quarto volume de O Guia do Mochileiro das Galáxias, "Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes" é o mais fraco da série, mas ainda assim preserva o humor ácido de Douglas Adams e, sem dúvidas, sua genialidade. Suas metáforas sempre brilhantes e a ironia com que descrevia tão bem a raça humana estão eternizados em mais um clássico contemporâneo do autor. Se, hipoteticamente, houvesse um sentido para a vida, o Universo e tudo mais, a única pessoa que saberia seria Adams.

Continuando a saga de Arthur Dent, um terráqueo que sobreviveu a destruição da Terra e viajou por inúmeras galáxias. O protagonista descobre que houve um engano e o planeta não foi destruído. Ao retornar a sua vida comum, ele descobre que não é mais o mesmo. Afinal, passar anos vagando pelo espaço mudaria qualquer um. 

A complexidade da física e as noções temporais se mesclam à narrativa de Adams, que outra vez nos deixa perplexos com tamanha inteligência. Todos os acontecimentos dos livros anteriores são retomados e a aparente falta de sentido subitamente faz todo o sentido. 

Em um tom de comédia romântica, o "Até Mais..." é o livro menos popular da trilogia de cinco volumes e foca no romance entre Arthur e a garota por quem ele se apaixona. Essa mesma garota, já conhecida dos leitores de O Guia do Mochileiro das Galáxias, teve um papel importante para o começo da história e compreendeu o que a humanidade tem feito errado durante todo esse tempo. Infelizmente, ela esqueceu o que havia compreendido e, assim, seguimos sem rumo mesmo.

O desaparecimento dos golfinhos, a invasão alienígena, a política corrupta, o pessimismo, o significado da vida e o fim do mundo são apenas algumas coisas inexplicáveis sobre as quais Douglas Adams escreve. Sempre de forma crítica e filosófica, O Guia do Mochileiro das Galáxias nos desafia a questionar tudo em que acreditamos. Uma coisa, no entanto, tem um significado maior e mais complexo neste livro: o amor. Não há sentido nenhum em se apaixonar por alguém e, ainda assim, é como a metáfora linda de estar voando e não saber pousar. 

"Estava enganado ao pensar que podia esquecer que a Terra - imensa, sólida, oleosa, suja e pendurada em um arco-íris - na qual vivia não passava de um pontinho microscópico em um outro pontinho microscópico na infinitude inimaginável do Universo." (p. 50)

Sinopse: Com mais de 15 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo e uma galeria interminável de fãs, a série que traz o inglês Arthur Dent e o extraterrestre Ford Prefect como protagonistas de loucas aventuras espaciais ganha mais um episódio eletrizante.

Depois de viajar pelo Universo, ver o aniquilamento da Terra, participar de guerras interestelares e conhecer as mais extraordinárias criaturas, Arthur está de volta ao seu planeta. Tudo parece igual, mas ele descobre que algo muito estranho aconteceu na sua ausência. Curioso com o fato e apaixonado por uma garota tão estranha quanto o que quer que tenha acontecido, ele parte em busca de uma explicação.

Com sua peculiar ironia e seu talento aparentemente inesgotável para inventar personagens e histórias hilariantes - embora altamente filosóficas -, Douglas Adams nos presenteia com mais uma genial obra capaz de nos fazer refletir sobre o sentindo da vida de uma forma bem diferente da habitual.

Intercalando momentos cômicos com imagens e descrições poéticas, "Até Mais, e Obrigado pelos Peixes!" é mais uma aventura da "trilogia de cinco" que já levou os leitores a conhecerem situações bem improváveis e a viver momentos de reflexão e de pura diversão.

"A Galáxia é um lugar em constantes mudanças. Honestamente, há uma quantidade enorme de mudanças e cada parte está continuamente em movimento, continuamente mudando. Um verdadeiro pesadelo, você diria, para um editor escrupuloso e consciencioso, rigorosamente empenhado em manter esse volume eletrônico enormemente detalhado e complexo a par de todas as circunstâncias e condições mutantes que a Galáxia cospe da cada minuto de cada hora a cada dia, e você estaria enganado." (p. 87)


julho 12, 2017

[Livros] Três Coroas Negras - Kendare Blake (Três Coroas Negras #1)

Título Original: Three Dark Crowns
Autor: Kendare Blake
Editora: Globo Alt
Páginas: 304
Gênero: Fantasia, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788525060792
Classificação: ★

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Impactante, Três Coroas Negras foi um imenso 'o chão é lava' para mim, sem trocadilhos com a rainha Elemental. A fantástica história escrita por Kendare Blake me conquistou por sua originalidade e, principalmente, pelo seu final espetacular. Eu não encontrei palavras que pudessem descrever o último capítulo e o estado do meu coração ao fechar esse livro. Talvez a dádiva da escrita ainda não tenha despertado em mim. 

As muitas reviravoltas e desencontros no caminho das irmãs fizeram delas garotas fortes e cheias de raiva por sua sina. Separadas na infância, as rainhas trigêmeas foram criadas por três diferentes e poderosas famílias. Cada uma delas desenvolveu um poder - uma é elemental, uma naturalista e a outra é envenenadora, mas apesar de todo o sofrimento que passaram e os anos de treinamento para adquirirem suas dádivas, as trigêmeas tem um desafio muito mais cruel a cumprir: matar as próprias irmãs. Afinal, só uma pode ficar com a coroa.

A crueldade de uma tradição que obriga irmãs a se digladiarem pela coroa é justificada por uma crença religiosa moldada para nunca ser questionada. Nem mesmo o leitor compreende o pensamento arcaico e manipulador que gerou os rituais e isso é proposital. A narrativa é confusa e pouco explicativa porque as crenças são assim, feitas para deixar coisas sem explicação, forçando o as pessoas a acreditarem no que lhes é dito.

Não há empatia alguma do povo pelas jovens meninas, pelo contrário, sedentos por sangue, eles apostam em suas vencedoras. É um jogo de poder e política onde a mais forte (e a mais inteligente) vence. Ao mesmo tempo que detém um poder absoluto, as rainhas não tem voz, vontade ou direito de escolha. Sendo seu reinado uma maldição, a morte é um destino até menos assustador.

Kendare Blake criou uma sociedade em que a mulher tem um papel muito mais significativo que o homem e, nem por isso, menos cruel. As mulheres dessa série são bárbaras, impiedosas e tem muito mais força que qualquer um dos personagens masculinos - que são pouquíssimos, aliás. As rainhas são controladas por três poderes femininos que as posicionam como peões num tabuleiro, jogando com suas vidas de forma brutal, preparando-as para vencer como se todas pudessem sobreviver.

Katharine, Arsinoe e Mirabella cresceram ouvindo que deveriam matar suas irmãs. O ódio nutrido por suas famílias de criação lhes dá a motivação para destruir suas rivais. Controlando elementos da natureza, forças naturais e venenos, cada uma delas tem uma habilidade única e, apesar, de mostrarem não estarem preparadas para a difícil tarefa que lhes foi incumbida, elas sabem que não há como fugir. É vida ou morte.

Há muito romance, várias relações que se desenvolvem e fazem com que o foco do livro se perca momentaneamente. De certa forma, essas distrações funcionam para o leitor como funcionam para as protagonistas, mostrar que elas são capazes de amar, que não são apenas assassinas cruéis. 

A narrativa se encerra num cliffhanger, literalmente, genial e destruidor que promete uma sequência com mais ainda mais ação e ódio de uma irmã pela outra. Um dos melhores livros que li este ano, Três Coroas Negras mistura uma forte crítica social, política e religiosa ao clamor pela violência como entretenimento. Como escolher uma só coroa, se existem três rainhas tão parecidas que hoje se odeiam, mas se amaram um dia?

"- Você vai precisar que isso seja verdade - diz a Alta Sacerdotisa. - Porque, do contrário, é muito cruel forçar uma rainha a matar aquelas a quem ama. Suas próprias irmãs. E ver que elas surgem à porta como lobos em busca de sua cabeça." (p. 106)

Sinopse: Três herdeiras da coroa, cada uma com um poder mágico especial. Mirabella é uma elemental, capaz de produzir chamas e tempestades com um estalar de dedos. Katharine é uma envenenadora, com o poder de manipular os venenos mais mortais. E Arsinoe é uma naturalista, que tem a capacidade de fazer florescer a rosa mais vermelha e também controlar o mais feroz dos leões.

Mas para coroar-se rainha, não basta ter nascido na família real. Cada irmã deve lutar por esse posto, no que não é apenas um jogo de ganhar ou perder: é uma batalha de vida ou morte. Na noite em que completam dezesseis anos, a batalha começa.

"Três bruxas de negro num vale vêm ao mundo,
Pequenas doces trigêmeas
Nutrem um ódio profundo

Três bruxas de negro, lindas de se ver
Duas a serem devoradas
E uma Rainha por ser." (p. 201)


julho 05, 2017

[Livros] A Cruz de Fogo - Parte II - Diana Gabaldon (Outlander #8)

Título Original:The Fiery Cross #8
Autor: Diana Gabaldon
Editora: Arqueiro
Páginas: 592
Gênero: Ficção, Romance Histórico
País: EUA
ISBN: 9788580416862
Classificação: ★

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Se a primeira parte de A Cruz de Fogo não havia trazido muita emoção e aventura à saga de Claire e Jamie Fraser, este segundo volume valeu a espera por algo mais empolgante. Com inúmeras reviravoltas, a vida pacata nas montanhas deu lugar a um turbilhão de perigos e acendeu uma cruz de fogo para nos preparar para o que vem por aí.

É incrível como Diana Gabaldon consegue reunir tanta história para contar. Cada volume da série Outlander - ainda na metade da publicação no Brasil - tem aproximadamente seiscentas páginas e, ainda assim, a trama se desenrola de maneira interessante. Com muito embasamento histórico e científico misturado com fantasia e misticismo, a autora traz em seu romance histórico uma riqueza narrativa ímpar e nos envolve com cada uma de suas palavras, mesmo que elas não sejam poucas.

Na continuação de A Cruz de Fogo, Claire e Jaime estão se preparando para as primeiras revoltas dos rebeldes contra a Coroa. Munidos do ponto de vista único de Claire, Brianna e Roger, a família Fraser tenta permanecer alheia às movimentações políticas, enquanto o conflito ainda não está bem delineado. Sabendo que o lado vencedor declarará independência da Inglaterra criando Os Estados Unidos da América que nós conhecemos, eles se preparam para o caos da formação de um novo país.

Brianna e Roger, um casal que não me agrada muito em contraste a Claire e Jamie, enfrenta uma das maiores dúvidas de sua chegada no século XVIII. A perspectiva iminente da guerra e os riscos que envolvem sua estadia nesse período turbulento da história faz com que a relação deles se abale e será preciso muito mais do que conhecimento histórico para mantê-los juntos.

Um Jamie mais maduro e forte aparece em A Cruz de Fogo. Relembrando os horrores da guerra e visando proteger sua própria família, o escocês retoma sua força adormecida em busca do Novo Mundo. O sentimento de vingança ainda paira no ar, por terem deixado Bonnet impune após suas atrocidades, Jamie e Roger planejam dar fim à vida do cruel marinheiro e fazer com que ele pague por todo o sofrimento que causou. Os perigos dessa empreitada são bastante evidentes, mas como dissuadir um homem das Terras Altas a desistir de sua honra?

Com um ritmo bem mais acelerado que seu antecessor, Diana Gabaldon coloca nosso coração à prova e arrisca a vida de nossos personagens favoritos. Em meio a um período conturbado e muito importante para a formação do nosso presente, Jamie Fraser e sua família tentam sobreviver ao futuro reescrevendo o passado. Milhares de páginas lidas e ainda não tive o suficiente de Outlander, como já dizia Claire, voltar das pedras é cada vez mais doloroso, assim como fechar as páginas do seu livro favorito.

"Coloquei minha mão sobre a dele, onde estava, pousada em cima da caixa. A pele dele estava quente por causa do trabalho e do calor do dia, e ele cheirava a suor. Os pelos de seu braço brilhavam ruivos e dourados ao sol, e eu entendi muito bem naquele momento por que os homens mediam o tempo. Eles desejavam fixar um momento, na esperança vã de que, ao fazer isso, o tempo não passe." (p. 181)

Sinopse: Uma história sobre lealdade. Não há mais como escapar: a guerra está diante de Jamie, Claire e sua família. Quando as tensões entre o governo e os rebeldes se acirram, a milícia é convocada mais uma vez e o conflito chega ao clímax na Batalha de Alamance.

De volta ao vilarejo onde moram, os Frasers e os MacKenzies ainda terão que enfrentar diversas tribulações, que acabarão aproximando Jamie e seu genro, Roger. Os dois tramam um plano para acabar com Stephen Bonnet, o sórdido capitão que violentara Brianna, pondo em dúvida a paternidade de seu filho, Jemmy.

Em meio a várias revelações, o mais surpreendente é o retorno inesperado de um conhecido, que traz uma pista capaz de desvendar os mistérios que cercam os viajantes do tempo.

Grandiosa, envolvente e inesquecível, a segunda parte de A Cruz de Fogo é uma vibrante mistura de fatos históricos e dramas humanos.

"- Por quê? - perguntei por fim. - Por que você... escolheu ficar? (...)
- Porque você precisa de mim - disse ele baixinho.
- Não porque você me ama?
Ele olhou para mim, esboçando um sorriso.
- Sassenach... eu a amo agora e sempre vou amá-la. Se eu estiver morto, se você estiver morta, se estivermos juntos ou separados. Você sabe que é verdade." (p. 347)


julho 03, 2017

[Livros] Big Rock - Lauren Blakely

Título Original: Big Rock
Autor: Lauren Blakely
Editora: Faro Editorial
Páginas: 224
Gênero: Romance Erótico, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788562409943
Classificação: ★

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Um romance erótico leve, perfeito para esquentar esses dias frios, Big Rock de Lauren Blakely é um dos melhores livros do gênero que li nos últimos tempos. Com uma narrativa descomplicada, a autora não ousa e aposta no clichê que tanto adoramos - o sedutor galanteador que se interessa por uma garota em especial. O protagonista nos conquista com seus muitos atributos, sendo o mais importante deles sua capacidade de contar uma boa história.

Com uma auto-confiança típica de machos-alfa da literatura e da vida real, Spencer inicia a narrativa falando sobre suas qualidades. Nada modesto, ele se descreve como um profundo conhecedor do prazer feminino e promete arrancar suspiros das leitoras. De fato, sua promessa se cumpre e no decorrer de Big Rock, percebemos o porquê desse tipo de homem ser tão desejado. 

Há uma referência ao "tamanho avantajado" do rapaz no primeiro capítulo e esse detalhe acaba aparecendo diversas vezes no decorrer da trama apesar de ser a menor - ou não - das qualidades na lista de Spencer Holiday. Essa e outras tiradas cômicas naturais, especialmente nos diálogos, não tornam a narrativa vulgar, pelo contrário, trazem leveza e fluidez a trama. Em muitos momentos, me vi rindo do comportamento do playboy convencido, tendo certeza que já conheci caras que se acham tanto quanto ele. 

Spencer e Charlotte são melhores amigos desde a faculdade. Ele um solteirão inveterado, não se vê em um relacionamento com ninguém. Ela, acabou de sair de uma relação horrível e tenta se livrar do ex babaca que a traiu. Os dois são sócios numa rede de bares e, assim como nos negócios, parceiros para proteger um ao outro de problemas.

Quando a família de Spencer se vê tentando fechar negócio com um conservador e autoritário magnata, ele é obrigado a fingir que não é um conquistador que traz uma mulher diferente para casa todas as noites. Por uma semana, até a concretização do acordo, ele propõe fingir ser noivo de Charlotte e essa friendzone rapidamente vai evoluir para amigos com benefícios. As transformações no relacionamento dos dois são deliciosas de acompanhar e, de uma maneira fofa sem deixar de ser sensual, Lauren Blakely nos dá um romance apaixonante repleto de cenas arrebatadoras e momentos cômicos.

O título do livro - sabiamente não traduzido - tem duplo sentido e remete tanto ao instrumento de Spencer, quanto ao grande diamante que ele dá a Charlotte, sacada genial da autora! Bem costurada, a história retoma acontecimentos dos primeiros capítulos ao seu final, mostrando que foi bem planejada e desenvolvida. Aliás, não há nada que não funcione bem nesse livro, incluindo Spencer Holiday, tudo é perfeito e na medida certa. 

"Eu posso ser mestre na arte de trepar, mas também sou um cavalheiro. Eu abro as portas do seu coração antes de abrir as suas pernas. Eu puxarei a cadeira para você se sentar, tirarei seu casaco, pagarei o jantar e a tratarei como uma rainha, na cama e fora dela." (p. 7)

SinopseA maioria dos homens não entendem as mulheres.” Spencer Holiday sabe disso. E ele também sabe do que as mulheres gostam.

E não pense você que se trata só de mais um playboy conquistador. Tá, ok, ele é um playboy conquistador, mas ele não sacaneia as mulheres, apenas dá aquilo que elas querem, sem mentiras, sem criar falsas expectativas. “A vida é assim, sempre como uma troca, certo?” Quer dizer, a vida ERA assim.

Agora que seu pai está envolvido na venda multimilionária dos negócios da família, ele tem de mudar. Spencer precisa largar sua vida de playboy e mulherengo e parecer um empresário de sucesso, recatado, de boa família, sem um passado – ou um presente - comprometedor... pelo menos durante esse processo.

Tentando agradar o futuro comprador da rede de joalherias da família, o antiquado sr. Offerman, ele fala demais e acaba se envolvendo numa confusão. E agora a sua sócia terá que fingir ser sua noiva, até que esse contrato seja assinado. O problema é que ele nunca olhou para Charlotte dessa maneira – e talvez por isso eles sejam os melhores amigos e sócios. Nunca tinha olhado... até agora.

"Alguma coisa está acontecendo. Alguma coisa estranha, completamente desconhecida. Meu coração está falando uma língua que eu não compreendo, enquanto tenta me arrastar para Charlotte.
Era só o que faltava. Agora, em vez de lutar contra um órgão todo santo dia, vou ter de lutar contra dois." (p. 152)

julho 02, 2017

[Livros] Tudo e Todas As Coisas - Nicola Yoon

Título Original: Everything Everything
Autor: Nicola Yoon
Editora: Arqueiro
Páginas: 280
Gênero: Ficção, YA
País: EUA
ISBN: 9788580416992
Classificação: ★

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Nicola Yoon conquistou meu coração depois de O Sol Também É Uma Estrela e, por conta disso, resolvi ler seu primeiro livro publicado que recentemente foi adaptado para o cinema. Infelizmente, o romance não me convenceu tanto quanto eu esperava e apesar de não ter decepcionado, Tudo e Todas As Coisas também não me comoveu. É como se faltasse alguma coisa, como se eu esperássemos ver tudo mas só víssemos algumas coisas.

Os questionamentos científicos e existenciais característicos da narrativa de Yoon se fazem presentes e este é o ponto alto do livro. As sacadas geniais envolvendo matemática e filosofia se combinadas às ilustrações lindas - feitas pelo marido da autora - agregam muito à história. Como um diário da protagonista, nós temos uma visão complexa do que é ser privada do convívio social e ser obrigada a viver por meio dos livros, o que acaba sendo uma metaleitura interessante, uma vez que nós só conhecemos o mundo de Maddie por meio de um.

Madeline nasceu com uma rara condição genética - IDCG também conhecida como imunodeficiência combinada grave - e viveu toda a sua vida em um ambiente esterilizado sem contato com o mundo externo. As únicas pessoas que ela tem são a mãe e a enfermeira. Aos dezoito anos, sua experiência de vida ou a falta dela fez com que a jovem se conforme com tudo o que não pode ter. No entanto, as coisas mudam quando ela se apaixona pela primeira vez e seu mundo vira de cabeça para baixo. 

Olly e sua família - bastante problemática por sinal - acabaram de se mudar para a casa ao lado da de Maddie. A curiosidade atrai a garota a bisbilhotar a vida de seus vizinhos e de forma recíproca, o atraente garoto também se sente curioso a respeito da menina que nunca sai de casa. A relação de curiosidade e estranhamento entre os dois evolui, a meu ver, de forma muito apressada e pouco verdadeira, é como se instantaneamente eles tivessem se apaixonado pelo vidro que os separa.

O romance central é extremamente previsível e basicamente todo o desenrolar da trama também. Intencionalmente ou não, é fácil deduzir o final do livro e isso contribuiu para meu desencanto. Em contrapartida ao casal morno e forçado de protagonistas, as duas mães presentes na narrativa mereciam mais destaque. Em oposição, há uma mãe super-protetora, sempre presente e preocupada que zela por Maddie desde que ela nasceu e uma mãe que apanha do marido, expõe suas crianças a um pai violento e, aparentemente, o ama mais do que ama aos próprios filhos. É uma balança desequilibrada de preocupação e amor. 

Tudo e Todas As Coisas arrebatou muitos corações adolescentes e a história é realmente bonitinha, até digna de uma adaptação cinematográfica, mas não passa disso. A grande mensagem do romance é a de que devemos aproveitar cada instante e viver todas as experiências que o mundo puder nos proporcionar. Seja através da leitura ou no mundo real, devemos buscar a felicidade em tudo e em todas as coisas.

"- O que você pediu? - pergunta ela assim que abro os olhos.
Só existe uma coisa que eu possa desejar: uma cura milagrosa que me permita correr lá fora, livre como um animal selvagem. Mas nunca peço isso, porque é impossível. É como pedir que sereias, dragões e unicórnios existam de verdade. Então, peço alguma coisa mais provável do que a cura. Alguma coisa que não nos deixe tristes ao ser dita. 
- A paz mundial - respondo." (p. 18)

Sinopse: Tudo envolve riscos. Não fazer nada também é arriscado. A decisão é sua. A doença que eu tenho é rara e famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Não saio de casa. Não saí uma vez sequer em 17 anos. As únicas pessoas que eu vejo são minha mãe e minha enfermeira, Carla.

Então, um dia, um caminhão de mudança para na frente da casa ao lado. Eu olho pela janela e o vejo. Ele é alto, magro e está todo de preto: blusa, calça jeans, tênis e um gorro que cobre o cabelo. Ele percebe que eu estou olhando e me encara. Seu nome é Olly.

Talvez não seja possível prever tudo, mas algumas coisas, sim. Por exemplo, vou me apaixonar por Olly. Isso é certo. E é quase certo que isso vai provocar uma catástrofe.

"Se minha vida fosse um livro e você o lesse de trás para a frente, nada mudaria. Hoje é igual a ontem. Amanhã vai ser igual a hoje. No livro de Maddy, todos os capítulos são iguais. 
Até surgir Olly. (...)
Agora, minha vida não faz mais nenhum sentido. Como posso voltar a ser A Garota que Lê? Não que eu lamente viver nos livros. Tudo o que sei sobre o mundo aprendi com eles. Mas a descrição de uma árvore não é uma árvore, e milhares de beijos de papel jamais serão iguais à sensação dos lábios de Olly colados nos meus." (p. 145)

junho 21, 2017

[Séries] As 3 Cenas Mais Tristes de The Originals (spoilers) #1

Sabe quando você está assistindo a uma série e chega naquele momento em que alguma coisa emocionante acontece e eles ainda colocam aquela trilha sonora especial para te fazer se acabar de chorar? Eu coleciono momentos assim (chorei em todos eles) em várias séries que eu já assisti. Resolvi fazer listas dos momentos mais tristes e lindos em The Originals - uma das minhas séries favoritas. Prepare os lencinhos e se ainda não assistiu a série, assista, é fantástica!


The Originals - 03x21 : Davina & Kol


"- Eu estava morto há eras. E naquela noite eu vi você saindo da igreja como se o mundo todo estivesse nos seus ombros. Você viu flores mortas, parou, olhou ao redor e trouxe as flores de volta à vida com sua magia. Você sorriu e algo dentro de mim se abriu. Eu estava morto há eras e apenas naquele momento eu voltei à vida novamente."


The Originals - 03x19 : Cami & Klaus



"- Diferentemente de todas as almas que eu encontrei e esqueci em minha longa existência, eu vou te levar comigo.
- Acho que isso me faz imortal."


The Originals - 02x14 : Davina & Kol


"- Debaixo dessas mesmas estrelas, há um cara com sua garota. Ele acha que tem todo o tempo do mundo e ele está certo. E eu o odeio por isso."

junho 19, 2017

[Livros] A Conquista - Elle Kennedy (Amores Improváveis #4)

Título Original: The Goal #4
Autor: Elle Kennedy
Editora: Paralela
Páginas: 296
Gênero: Romance, NA
País: EUA
ISBN: 9788584390663
Classificação: ★

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Desfecho de Amores Improváveis, A Conquista é o mais morno dos new adults que compõe a série de quatro volumes mas, ainda assim, consegue conquistar corações. Elle Kennedy optou por encerrar a história dos jogadores de hóquei da Briar com o mais fofo e gentil dos quatro amigos - Tucker - e mostrou uma narrativa mais adulta que as anteriores, o que pode ser um ponto positivo ou negativo dependendo do leitor. 

A quebra no padrão trouxe amadurecimento para as personagens e desenvolveu questões mais complexas, no entanto, destoou dos outros e quebrou a sensação de identificação que a série vinha construindo comigo. A protagonista nada carismática e com dramas excessivamente forçados também não contribuiu para que eu gostasse desse livro tanto quanto dos demais. 

Os protagonistas se conheceram por acaso no Malone's - lanchonete famosa para os fãs da autora - e foi atração à primeira vista. Uma noite inesquecível acaba unindo o destino dos dois e nem a fama de bruxa que Sabrina James tem é capaz de afastar o romântico e apaixonante John Tucker dela. 

O problema é que, como todas as outras mocinhas da série, Sabrina esnoba o cara até não poder mais, afinal, ela não tem tempo para um relacionamento. Ela vive nos subúrbios de Boston e se esforça muito para sair do lugar onde vive com a avó e o tarado do padrasto. Entrar em Harvard é seu sonho e sua única possibilidade de sucesso, assim, ela se dedica inteiramente aos estudos. Namorar seria uma distração. Mas como evitar se distrair depois de ter o melhor sexo da sua vida?

Tuck sabe o que dizem sobre Sabrina, mas não se importa. A partir do momento em que botou os olhos na garota, soube que ela era mais do que diziam. No entanto, se aproximar dela é mais difícil do que ele pensava e ao perceber que seu comportamento frio é uma forma de defesa, ele decide protegê-la a todo custo. Mesmo que seja de se magoar.

Anunciada em O Jogo, a gravidez de Sabrina James é o foco da história, mas apenas um dos empecilhos para o casal ficar junto. A teimosia da jovem faz com que grande parte do tempo eles passem separados e o romance entre os dois é pouquíssimo desenvolvido. Engravidar no início da vida adulta é uma surpresa para os dois e coloca em cheque uma relação que já não tinha um futuro muito promissor, levando-os a tomar decisões que os acompanharão pelo resto da vida. 

Apesar do fofo Tuck não ter todo o charme de Garrett, Logan e Dean, há cavalheirismo, sensualidade, humor, inteligência e algo mais que só os jogadores de hóquei da Briar têm. É como se cada um deles existisse na ficção para diminuir nossas chances de encontrar um cara perfeito na realidade. Depois de tantos protagonistas e casais lindos formados, a série de Elle Kennedy vai deixar saudade. É como se depois de ter conquistado nossos corações esses garotos estivessem prontos para encarar a vida adulta e conquistar o mundo. 

"E então ela me oferece uma abertura.
- E o que você quer hoje em dia?
- Você." (p. 25)

Sinopse: De todos os jogadores do time de Hóquei da universidade de Briar, John Tucker se destaca por ser o mais sensato, gentil e amável. Diferente de seus amigos mulherengos, ele sonha mesmo é com uma vida tranquila- esposa, filhos e, quem sabe um dia, abrir um negócio próprio. Mas nem mesmo o cara mais calmo do mundo estaria preparado para o turbilhão de emoções que ele está prestes a enfrentar. 

Sabrina James é a pessoa mais ambiciosa, dedicada e batalhadora do campus. Seu jeito sério e objetivo é interpretado por muitos como frieza, mas ela não está nem aí para sua fama de antipática. Tudo o que ela quer é passar em Harvard, tirar ótimas notas e conquistar a tão sonhada carreira como advogada. Só assim ela conseguirá escapar de seu passado difícil e de sua família terrível. Um acontecimento inesperado vai desses jovens de cabeça para baixo. 

Tucker e Sabrina vão precisar se unir e rever seus planos para o futuro. Juntos, eles aprenderão que a vida é cheia de surpresas, e que o amor é a maior conquista de todas.

"A verdade é que não tenho nenhuma resposta. Não sei o que Tucker e eu somos um para o outro. Só sei que sinto falta dele quando não está por perto. Que toda vez que aparece uma mensagem dele no meu celular, meu coração flutua feito um balão de gás. Que quando ele me olha com aqueles olhos castanhos de pálpebras pesadas, esqueço meu próprio nome." (p. 142)

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