maio 27, 2017

[Livros] O Sol Também É Uma Estrela - Nicola Yoon

Título Original: The Sun Is Also A Star
Autor: Nicola Yoon
Editora: Arqueiro
Páginas: 288
Gênero: Ficção, Young Adult
País: EUA
ISBN: 9788580416589
Classificação: ★

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Brilhante como o sol, o segundo romance de Nicola Yoon é absolutamente maravilhoso e se tornou um dos meus favoritos da vida. Falando sobre amor, destino e as relações entre eles, O Sol Também É Uma Estrela não apenas encanta, como também faz pensar. Com uma mistura de ciência e misticismo, este é um livro que não tenta definir o que é o amor, mas sim, retratá-lo da forma mais fiel possível, bem como seus efeitos colaterais.

Sob inúmeros pontos de vista, a autora nos dá uma perspectiva complexa e completa de cada pessoa que cruza o caminho dos protagonistas, explicando as motivações por trás de cada atitude e mostrando que, se o amor é um sol, vários planetas giram ao seu redor. Uma pequena ação pode ter um efeito catastrófico em sequência e estamos todos esbarrando uns nos outros, nós apenas não nos damos conta do quanto afetamos o resto do mundo.

É como se o título fosse uma metáfora para essa percepção de que o sol não gira em torno do planeta e, portanto, as coisas não acontecem apenas para nós. Somos algo maior, um sistema elaborado que depende de várias outras estruturas - pessoas, planetas - para funcionar. Essa mudança no paradigma é representada também com a narração de pessoas comuns que tem pouco a ver com Daniel e Natasha mas ainda assim, afetam suas vidas. À primeira vista, algumas delas são consideradas cruéis, insignificantes mas, quando vistas sob outra perspectiva, se tornam apenas pessoas com seus próprios universos.

Natasha é uma admiradora da ciência, ela acredita na praticidade e não crê em algo que não possa ser provado ou medido cientificamente. Ela é filha de imigrantes ilegais e, por conta de um erro de seu pai, está sendo deportada com a família para a Jamaica. Enquanto tenta reverter a ordem judicial, ela esbarra num garoto que é seu total oposto e vai virar seu mundo de cabeça para baixo.

Daniel é descendente de coreanos e vive para agradar seus pais. Cada escolha da sua vida foi planejada e arquitetada por eles, bem como sua infelicidade. Ele está "destinado" a ser médico, mas deseja ser poeta e um sonhador apaixonado como é, vai mostrar à Natasha que o a vida é bem mais do que fatos concretos, uma grande abstração.

Por um dia, esse casal extremamente improvável vai tentar desvendar o universo um do outro, mostrando que é preciso ter um pouco de fé e um pouco de lógica para se apaixonar. E enquanto tudo parece determinado a afastá-los, o Universo parece determinado a uni-los. Os dois se encaixam como polos positivo e negativo se atraem. Em uma realidade que poderia se desdobrar em milhares de possibilidades diferentes, como um desencontro, um acidente ou uma deportação, eles percebem que o futuro se define a cada passo que damos e, assim, cada estrela faz toda a diferença no Universo.

"Para cada evento no nível quântico, o universo atual se divide em múltiplos universos. Isso significa que, para cada escolha que a gente faz, existe um número infinito de universos em que você fez uma escolha diferente." (p. 70)

Sinopse: Natasha: Sou uma garota que acredita na ciência e nos fatos. Não acredito na sorte. Nem no destino. Muito menos em sonhos que nunca se tornarão realidade. Não sou o tipo de garota que se apaixona perdidamente por um garoto bonito que encontra numa rua movimentada de Nova York. Não quando minha família está a 12 horas de ser deportada para a Jamaica. Apaixonar-me por ele não pode ser a minha história.

Daniel: Sou um bom filho e um bom aluno. Sempre estive à altura das grandes expectativas dos meus pais. Nunca me permiti ser o poeta. Nem o sonhador. Mas, quando a vi, esqueci de tudo isso. Há alguma coisa em Natasha que me faz pensar que o destino tem algo extraordinário reservado para nós dois.

O Universo: Cada momento de nossas vidas nos trouxe a este instante único. Há um milhão de futuros diante de nós. Qual deles se tornará realidade?

"Natasha é diferente. Acredita no determinismo: causa e efeito Uma ação leva a outra e a outra. As ações determinam seu futuro. Nesse sentido ela não é diferente do pai de Daniel. 
Daniel vive no nebuloso espaço intermediário. Talvez não estivesse destinado a conhecer Natasha hoje. Talvez tenha sido uma coisa aleatória. Mas...
Uma vez que se conheceram, o resto, o amor entre eles, era inevitável." (p. 165)

maio 23, 2017

[Séries] Anne with an E - Netflix


Mais uma produção absurdamente linda da Netflix, Anne With An E é a adaptação do romance Anne de Green Gables (Anne Shirley no Brasil). Um conjunto de fotografia, roteiro e atuações espetaculares, a série conquista o coração de seus espectadores assim como sua fofa e carismática protagonista. 

Narrando a história da jovem orfã que é adotada por engano pela família Cuthbert, a primeira temporada da série conta os fatos mais marcantes da infância difícil de Anne. Desde o desprezo de seus antigos tutores até seu excesso de imaginação para tentar sobreviver num lugar hostil. Sua excentricidade é sua maior - e melhor - característica e por gostar muito de ler e imaginar, a pequena Anne é muito boa com as palavras. Palavras, aliás, não lhe faltam nunca, ela não para quieta um só minuto.

A imaginação fértil dela combinada à seu vasto repertório literário dão origem a um mundo de faz de conta que contamina a visão dela da realidade e faz com que o mundo seja uma versão bem mais bonita do que de fato é. Anne vê as coisas com paixão e a natureza é uma das maiores dádivas para ela. Por conta de seu comportamento peculiar, ela é odiada por muitos e frequentemente excluída do convívio com outras crianças. 

Anne sofre e chora por sua infância triste mas se consola com sua criatividade, dando asas aos seus pensamentos mais lindos e vivendo em seu mundo encantado para fugir da vida real. Em vários momentos, a jovem se imagina mais bonita, inteligente e popular do que é e isso parte o coração, pois ela é a garotinha mais interessante que poderia existir. Como as pessoas podem não ver isso? Como podem não gostar dela?


O romance que se desenvolve entre Anne e Gilbert (quem conhece a história original sabe como termina) é um dos pontos altos da trama. Os dois são tão fofo juntos e uma cena específica que envolve os dois se tornou minha favorita absoluta. É tão bonito ver o amor florescer na juventude, puro e denso como o ar das montanhas no inverno. A paixão de Anne é contagiante, inspiradora e transforma tudo em poesia.

Todos os personagens são fantásticos e os diálogos refinados e cheios de reflexões morais e filosóficas pertinentes. Em muitos momentos, a série critica a sociedade hipócrita da época e seus valores conservadores e preconceituosos. Anne se atreve a sonhar em tempos em que as mulheres só podiam pensar em casamento.

Em muitos momentos me identifiquei muito com a protagonista e outros leitores assíduos também vão se identificar. O amor de Anne pelas palavras e pelas histórias vai além das páginas dos livros, é o que a mantém viva. Ela diz que não saberia o que faria se não fosse a imaginação. De fato, muitos não sabem e, por isso, o mundo é um lugar tão cruel, tão cheio de amargura e sonhos despedaçados. Poucos ousam ser diferentes.

maio 18, 2017

[Livros] A Cruz de Fogo - Parte I - Diana Gabaldon (Outlander #7)

Título Original:The Fiery Cross #6
Autor: Diana Gabaldon
Editora: Arqueiro
Páginas: 720
Gênero: Ficção, Romance Histórico
País: EUA
ISBN: 9788580416602
Classificação: ★

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A Cruz de Fogo (parte I) é o quinto volume da série Outlander, no entanto, o sétimo livro físico publicado da série (por conta do tamanho, alguns deles foram divididos em duas partes) e nos leva às colônias inglesas na América no século XXVIII. Diana Gabaldon resgata a história da origem dos Estados Unidos e nos traz um ponto de vista único sobre a independência americana. 

Nesta primeira parte, os personagens que conhecemos tão bem se preparam para a revolução que está por vir. Jamie Fraser recebe a função de liderar uma milícia em favor da Coroa, evitando que revoluções pela independência venham a tomar força. No entanto, com a perspectiva do futuro que Claire lhe trouxe, ele sabe que deverá mudar de lado e se posicionar contra a Inglaterra nesta batalha. 

Enquanto o futuro se escreve bem à sua frente, Claire, Brianna e Roger que vieram de lá enfrentam os dilemas paradoxais de tentarem manter tudo no seu curso certo, sem alterar nada para que a história não seja afetada. É um dos livros mais lentos e, sinceramente, o mais prolixo - como se isso fosse possível para Diana Gabaldon - da série até agora. O ritmo desacelerado possivelmente antecede uma grande reviravolta que acontecerá em sua continuação, mas desanima a leitura e fez com que eu ficasse semanas presa nos acontecimentos de um só dia.

A vida na Cordilheira dos Frasers segue pacata - até demais - e, sob pontos de vista alternados, temos uma compreensão ampla das dificuldades que os protagonistas enfrentam para sobreviver e se adequar à época. Brianna e Roger se tornaram tão significativos quanto Claire e Jamie, mas sua falta de personalidade em um trama nada impactante trouxe pouco ou quase nenhum significado.

Em mais de setecentas páginas, A Cruz de Fogo (parte I) nos posiciona e nos prepara para grandes e decisivos acontecimentos em um ritmo bem diferente de seus antecessores. Alguns mistérios permanecem sem solução e o misticismo característico da trama ainda se faz presente nas tradições ancestrais. A maturidade de Jamie e Claire também se torna evidente, diminuindo bruscamente o ritmo de suas aventuras, mas jamais o seu amor. Mesmo que seja o livro mais fraco da série até o momento, Gabaldon ainda é uma exímia contadora de histórias e as mistura a História com perfeição. 

"Nenhum de nós falou, não queríamos perturbar aquela quietude. Era como estar na extremidade de um pião, pensei - um turbilhão de coisas e pessoas rodopiando a toda volta, e um passo em uma direção ou outra nos lançaria de novo naquele furor giratório, mas ali, bem no centro, havia paz." (p. 34)

Sinopse: O ano é 1771. Na Carolina do Norte, conserva-se a duras penas um frágil equilíbrio entre a aristocracia colonial e os esforçados pioneiros. E entre esses dois lados prestes a entrar em conflito está Jamie Fraser, um homem de honra exilado de sua amada Escócia. Convocado a liderar uma milícia para conter as insurgências, ele sabe que quebrar o juramento que fez à Coroa inglesa o tornará um traidor, mas mantê-lo será a certeza de sua ruína.

A guerra se aproxima, garantiu-lhe sua esposa, Claire Randall. E, mesmo não querendo acreditar nesse triste futuro, Jamie Fraser está ciente de que não pode ignorar o conhecimento que só uma viajante do tempo poderia ter. Afinal, a visão única de Claire já os colocou em risco, mas também lhes trouxe salvação.

A Cruz de Fogo é uma envolvente história sobre o empenho de Jamie em proteger sua família, construir uma comunidade e manter suas terras às vésperas de um conflito histórico. Nesses esforços, ele é ajudado por sua mulher, sua filha Brianna e seu genro Roger MacKenzie, que nasceram no século XX e agora tentam se adaptar à tortuosa vida do século XVIII.

"- Pensando bem - acrescentou ele, interessado -, esta noite poderia ser o elo. Quer dizer, a ocasião em que o costume do Velho Mundo é trazido para o Novo. Não seria interessante? 
- Interessante - Brianna concordou desanimada. (...)
- Tudo começa em algum lugar, Bree - disse ele, mais delicadamente. - Na maior parte das vezes, não sabemos onde nem como; importa se soubermos dessa vez?" (p. 319)

maio 02, 2017

[Livros] Quando A Bela Domou A Fera - Eloisa James (Contos de Fada #1)

Título Original: When Beauty Tamed The Beast
Autor: Eloisa James
Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Gênero: Distopia, YA, Ficção, Fantasia
País: EUA
ISBN: 9788580416800
Classificação: ★★
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Primeiro volume de uma série de releituras de contos de fadas, Quando A Bela Domou A Fera mistura diversas influências contemporâneas ao clássico A Bela e a Fera. A presença de novos elementos na narrativa foi inicialmente o que me atraiu para a leitura, no entanto, tais transformações acabaram interferindo no romance histórico e o resultado não me agradou o bastante. 

O linguajar empregado nos diálogos, as descrições e mesmo o desenvolvimento da relação entre os protagonistas foi muito cru e não consegui me conectar com a história de forma alguma. Alguns acontecimentos pareceram demasiadamente forçados e outros mais previsíveis do que o permitido para o gênero. Desde o começo da trama sabe-se o final e não é apenas: "sei que os protagonistas ficam juntos", é mais como "sei que ficam juntos e sei exatamente como tudo acontece". 

O que me motivou a ler o livro de Eloisa James foi a construção do protagonista Piers Yelverton. Inspirado no Dr. Gregory House da série de televisão House, o rapaz tem todas as características do arrogante e prepotente médico, mas não se mantém fiel à esta personalidade forte até o final. Aos poucos isso se desconstrói de uma maneira pouco crível e nada sutil. 

Essa mistura de elementos da cultura pop ao clássico me gerou expectativas de uma leitura interessante mas, infelizmente, o resultado me decepcionou brutalmente. A assimilação do comportamento grosseiro e egoísta do médico, rendeu-lhe o apelido de "Fera" e curiosamente esta é a única ligação da história inspiradora ao romance. Um elo fraco e que, sinceramente, foi forçado ao extremo, deveriam haver outras conexões que justificassem a releitura.

A protagonista Linnet é a típica Bela, mas não falo de A Bela e a Fera, pelo contrário, falo de Isabella Swan, seu total oposto. Vendida na sinopse como uma moça diferente, que se destacava das demais, Linnet Thrynne é exatamente o estereótipo de mocinha tapada, igual a grande maioria das senhoritas da época. Ela se diz durona, inteligente e teimosa, mas aceita sem pestanejar qualquer coisa que lhe é imposta e é tão tola que seus diálogos causam vergonha. Sua vitimização faz com que ela seja ainda mais insuportável e foi bem difícil torcer para que seu final fosse feliz. Graças ao gênero, sempre é.

Fadados a ficarem para sempre solteiros, o médico que sofre constantemente com uma dor lancinante na perna e a jovem que teve sua reputação destruída por engano não acreditam em casamento, mas o tempo fará com que eles descubram que o amor pode estar nos lugares mais sombrios. A lição mais importante que a autora deixa é a de que não somos o que parecemos ser. Nem tão belos e nem tão monstruosos.

De forma geral, Quando A Bela Domou A Fera não foi uma história marcante ou mesmo significativa. O título, bastante prepotente esconde uma história nada parecida com o livro que a inspira. Com um desenvolvimento narrativo pouco plausível, nem mesmo a extensa pesquisa científica que a autora realizou se mostrou capaz de salvar o livro. Se o Dr. Piers fosse realmente o Dr. House, com certeza diagnosticaria as falhas neste enredo e, infelizmente, são muitas mais do que acertos. 

"- Eu leio romances demais para não ser romântica.
- Romances não têm nada a ver com a vida real.
- São melhores que a vida real." (p. 166)

Sinopse: Eleito um dos dez melhores romances de 2011 pelo Library Journal, "Quando a Bela domou a Fera" é uma releitura de um dos contos de fadas mais adorados de todos os tempos.

Piers Yelverton, o conde de Marchant, vive em um castelo no País de Gales, onde seu temperamento irascível acaba ferindo todos os que cruzam seu caminho. Além disso, segundo as más línguas, o defeito que ele tem na perna o deixou imune aos encantos de qualquer mulher.

Mas Linnet não é qualquer mulher. É uma das moças mais adoráveis que já circularam pelos salões de Londres. Seu charme e sua inteligência já fizeram com que até mesmo um príncipe caísse a seus pés. Após ver seu nome envolvido em um escândalo da realeza, ela definitivamente precisa de um marido e, ao conhecer Piers, prevê que ele se apaixonará perdidamente em apenas duas semanas.

No entanto, Linnet não faz ideia do perigo que seu coração corre. Afinal, o homem a quem ela o está entregando talvez nunca seja capaz de corresponder a seus sentimentos. Que preço ela estará disposta a pagar para domar o coração frio e selvagem do conde? E Piers, por sua vez, será capaz de abrir mão de suas convicções mais profundas pela mulher mais maravilhosa que já conheceu?

"- Está querendo insinuar que sou fácil? - perguntou Linnet, ressentida.
- Está insinuando que eu não a respeitaria se você fosse?" (p. 200)


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