julho 12, 2017

[Livros] Três Coroas Negras - Kendare Blake (Três Coroas Negras #1)

Título Original: Three Dark Crowns
Autor: Kendare Blake
Editora: Globo Alt
Páginas: 304
Gênero: Fantasia, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788525060792
Classificação: ★

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Impactante, Três Coroas Negras foi um imenso 'o chão é lava' para mim, sem trocadilhos com a rainha Elemental. A fantástica história escrita por Kendare Blake me conquistou por sua originalidade e, principalmente, pelo seu final espetacular. Eu não encontrei palavras que pudessem descrever o último capítulo e o estado do meu coração ao fechar esse livro. Talvez a dádiva da escrita ainda não tenha despertado em mim. 

As muitas reviravoltas e desencontros no caminho das irmãs fizeram delas garotas fortes e cheias de raiva por sua sina. Separadas na infância, as rainhas trigêmeas foram criadas por três diferentes e poderosas famílias. Cada uma delas desenvolveu um poder - uma é elemental, uma naturalista e a outra é envenenadora, mas apesar de todo o sofrimento que passaram e os anos de treinamento para adquirirem suas dádivas, as trigêmeas tem um desafio muito mais cruel a cumprir: matar as próprias irmãs. Afinal, só uma pode ficar com a coroa.

A crueldade de uma tradição que obriga irmãs a se digladiarem pela coroa é justificada por uma crença religiosa moldada para nunca ser questionada. Nem mesmo o leitor compreende o pensamento arcaico e manipulador que gerou os rituais e isso é proposital. A narrativa é confusa e pouco explicativa porque as crenças são assim, feitas para deixar coisas sem explicação, forçando o as pessoas a acreditarem no que lhes é dito.

Não há empatia alguma do povo pelas jovens meninas, pelo contrário, sedentos por sangue, eles apostam em suas vencedoras. É um jogo de poder e política onde a mais forte (e a mais inteligente) vence. Ao mesmo tempo que detém um poder absoluto, as rainhas não tem voz, vontade ou direito de escolha. Sendo seu reinado uma maldição, a morte é um destino até menos assustador.

Kendare Blake criou uma sociedade em que a mulher tem um papel muito mais significativo que o homem e, nem por isso, menos cruel. As mulheres dessa série são bárbaras, impiedosas e tem muito mais força que qualquer um dos personagens masculinos - que são pouquíssimos, aliás. As rainhas são controladas por três poderes femininos que as posicionam como peões num tabuleiro, jogando com suas vidas de forma brutal, preparando-as para vencer como se todas pudessem sobreviver.

Katharine, Arsinoe e Mirabella cresceram ouvindo que deveriam matar suas irmãs. O ódio nutrido por suas famílias de criação lhes dá a motivação para destruir suas rivais. Controlando elementos da natureza, forças naturais e venenos, cada uma delas tem uma habilidade única e, apesar, de mostrarem não estarem preparadas para a difícil tarefa que lhes foi incumbida, elas sabem que não há como fugir. É vida ou morte.

Há muito romance, várias relações que se desenvolvem e fazem com que o foco do livro se perca momentaneamente. De certa forma, essas distrações funcionam para o leitor como funcionam para as protagonistas, mostrar que elas são capazes de amar, que não são apenas assassinas cruéis. 

A narrativa se encerra num cliffhanger, literalmente, genial e destruidor que promete uma sequência com mais ainda mais ação e ódio de uma irmã pela outra. Um dos melhores livros que li este ano, Três Coroas Negras mistura uma forte crítica social, política e religiosa ao clamor pela violência como entretenimento. Como escolher uma só coroa, se existem três rainhas tão parecidas que hoje se odeiam, mas se amaram um dia?

"- Você vai precisar que isso seja verdade - diz a Alta Sacerdotisa. - Porque, do contrário, é muito cruel forçar uma rainha a matar aquelas a quem ama. Suas próprias irmãs. E ver que elas surgem à porta como lobos em busca de sua cabeça." (p. 106)

Sinopse: Três herdeiras da coroa, cada uma com um poder mágico especial. Mirabella é uma elemental, capaz de produzir chamas e tempestades com um estalar de dedos. Katharine é uma envenenadora, com o poder de manipular os venenos mais mortais. E Arsinoe é uma naturalista, que tem a capacidade de fazer florescer a rosa mais vermelha e também controlar o mais feroz dos leões.

Mas para coroar-se rainha, não basta ter nascido na família real. Cada irmã deve lutar por esse posto, no que não é apenas um jogo de ganhar ou perder: é uma batalha de vida ou morte. Na noite em que completam dezesseis anos, a batalha começa.

"Três bruxas de negro num vale vêm ao mundo,
Pequenas doces trigêmeas
Nutrem um ódio profundo

Três bruxas de negro, lindas de se ver
Duas a serem devoradas
E uma Rainha por ser." (p. 201)


julho 05, 2017

[Livros] A Cruz de Fogo - Parte II - Diana Gabaldon (Outlander #8)

Título Original:The Fiery Cross #8
Autor: Diana Gabaldon
Editora: Arqueiro
Páginas: 592
Gênero: Ficção, Romance Histórico
País: EUA
ISBN: 9788580416862
Classificação: ★

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Se a primeira parte de A Cruz de Fogo não havia trazido muita emoção e aventura à saga de Claire e Jamie Fraser, este segundo volume valeu a espera por algo mais empolgante. Com inúmeras reviravoltas, a vida pacata nas montanhas deu lugar a um turbilhão de perigos e acendeu uma cruz de fogo para nos preparar para o que vem por aí.

É incrível como Diana Gabaldon consegue reunir tanta história para contar. Cada volume da série Outlander - ainda na metade da publicação no Brasil - tem aproximadamente seiscentas páginas e, ainda assim, a trama se desenrola de maneira interessante. Com muito embasamento histórico e científico misturado com fantasia e misticismo, a autora traz em seu romance histórico uma riqueza narrativa ímpar e nos envolve com cada uma de suas palavras, mesmo que elas não sejam poucas.

Na continuação de A Cruz de Fogo, Claire e Jaime estão se preparando para as primeiras revoltas dos rebeldes contra a Coroa. Munidos do ponto de vista único de Claire, Brianna e Roger, a família Fraser tenta permanecer alheia às movimentações políticas, enquanto o conflito ainda não está bem delineado. Sabendo que o lado vencedor declarará independência da Inglaterra criando Os Estados Unidos da América que nós conhecemos, eles se preparam para o caos da formação de um novo país.

Brianna e Roger, um casal que não me agrada muito em contraste a Claire e Jamie, enfrenta uma das maiores dúvidas de sua chegada no século XVIII. A perspectiva iminente da guerra e os riscos que envolvem sua estadia nesse período turbulento da história faz com que a relação deles se abale e será preciso muito mais do que conhecimento histórico para mantê-los juntos.

Um Jamie mais maduro e forte aparece em A Cruz de Fogo. Relembrando os horrores da guerra e visando proteger sua própria família, o escocês retoma sua força adormecida em busca do Novo Mundo. O sentimento de vingança ainda paira no ar, por terem deixado Bonnet impune após suas atrocidades, Jamie e Roger planejam dar fim à vida do cruel marinheiro e fazer com que ele pague por todo o sofrimento que causou. Os perigos dessa empreitada são bastante evidentes, mas como dissuadir um homem das Terras Altas a desistir de sua honra?

Com um ritmo bem mais acelerado que seu antecessor, Diana Gabaldon coloca nosso coração à prova e arrisca a vida de nossos personagens favoritos. Em meio a um período conturbado e muito importante para a formação do nosso presente, Jamie Fraser e sua família tentam sobreviver ao futuro reescrevendo o passado. Milhares de páginas lidas e ainda não tive o suficiente de Outlander, como já dizia Claire, voltar das pedras é cada vez mais doloroso, assim como fechar as páginas do seu livro favorito.

"Coloquei minha mão sobre a dele, onde estava, pousada em cima da caixa. A pele dele estava quente por causa do trabalho e do calor do dia, e ele cheirava a suor. Os pelos de seu braço brilhavam ruivos e dourados ao sol, e eu entendi muito bem naquele momento por que os homens mediam o tempo. Eles desejavam fixar um momento, na esperança vã de que, ao fazer isso, o tempo não passe." (p. 181)

Sinopse: Uma história sobre lealdade. Não há mais como escapar: a guerra está diante de Jamie, Claire e sua família. Quando as tensões entre o governo e os rebeldes se acirram, a milícia é convocada mais uma vez e o conflito chega ao clímax na Batalha de Alamance.

De volta ao vilarejo onde moram, os Frasers e os MacKenzies ainda terão que enfrentar diversas tribulações, que acabarão aproximando Jamie e seu genro, Roger. Os dois tramam um plano para acabar com Stephen Bonnet, o sórdido capitão que violentara Brianna, pondo em dúvida a paternidade de seu filho, Jemmy.

Em meio a várias revelações, o mais surpreendente é o retorno inesperado de um conhecido, que traz uma pista capaz de desvendar os mistérios que cercam os viajantes do tempo.

Grandiosa, envolvente e inesquecível, a segunda parte de A Cruz de Fogo é uma vibrante mistura de fatos históricos e dramas humanos.

"- Por quê? - perguntei por fim. - Por que você... escolheu ficar? (...)
- Porque você precisa de mim - disse ele baixinho.
- Não porque você me ama?
Ele olhou para mim, esboçando um sorriso.
- Sassenach... eu a amo agora e sempre vou amá-la. Se eu estiver morto, se você estiver morta, se estivermos juntos ou separados. Você sabe que é verdade." (p. 347)


julho 03, 2017

[Livros] Big Rock - Lauren Blakely

Título Original: Big Rock
Autor: Lauren Blakely
Editora: Faro Editorial
Páginas: 224
Gênero: Romance Erótico, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788562409943
Classificação: ★

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Um romance erótico leve, perfeito para esquentar esses dias frios, Big Rock de Lauren Blakely é um dos melhores livros do gênero que li nos últimos tempos. Com uma narrativa descomplicada, a autora não ousa e aposta no clichê que tanto adoramos - o sedutor galanteador que se interessa por uma garota em especial. O protagonista nos conquista com seus muitos atributos, sendo o mais importante deles sua capacidade de contar uma boa história.

Com uma auto-confiança típica de machos-alfa da literatura e da vida real, Spencer inicia a narrativa falando sobre suas qualidades. Nada modesto, ele se descreve como um profundo conhecedor do prazer feminino e promete arrancar suspiros das leitoras. De fato, sua promessa se cumpre e no decorrer de Big Rock, percebemos o porquê desse tipo de homem ser tão desejado. 

Há uma referência ao "tamanho avantajado" do rapaz no primeiro capítulo e esse detalhe acaba aparecendo diversas vezes no decorrer da trama apesar de ser a menor - ou não - das qualidades na lista de Spencer Holiday. Essa e outras tiradas cômicas naturais, especialmente nos diálogos, não tornam a narrativa vulgar, pelo contrário, trazem leveza e fluidez a trama. Em muitos momentos, me vi rindo do comportamento do playboy convencido, tendo certeza que já conheci caras que se acham tanto quanto ele. 

Spencer e Charlotte são melhores amigos desde a faculdade. Ele um solteirão inveterado, não se vê em um relacionamento com ninguém. Ela, acabou de sair de uma relação horrível e tenta se livrar do ex babaca que a traiu. Os dois são sócios numa rede de bares e, assim como nos negócios, parceiros para proteger um ao outro de problemas.

Quando a família de Spencer se vê tentando fechar negócio com um conservador e autoritário magnata, ele é obrigado a fingir que não é um conquistador que traz uma mulher diferente para casa todas as noites. Por uma semana, até a concretização do acordo, ele propõe fingir ser noivo de Charlotte e essa friendzone rapidamente vai evoluir para amigos com benefícios. As transformações no relacionamento dos dois são deliciosas de acompanhar e, de uma maneira fofa sem deixar de ser sensual, Lauren Blakely nos dá um romance apaixonante repleto de cenas arrebatadoras e momentos cômicos.

O título do livro - sabiamente não traduzido - tem duplo sentido e remete tanto ao instrumento de Spencer, quanto ao grande diamante que ele dá a Charlotte, sacada genial da autora! Bem costurada, a história retoma acontecimentos dos primeiros capítulos ao seu final, mostrando que foi bem planejada e desenvolvida. Aliás, não há nada que não funcione bem nesse livro, incluindo Spencer Holiday, tudo é perfeito e na medida certa. 

"Eu posso ser mestre na arte de trepar, mas também sou um cavalheiro. Eu abro as portas do seu coração antes de abrir as suas pernas. Eu puxarei a cadeira para você se sentar, tirarei seu casaco, pagarei o jantar e a tratarei como uma rainha, na cama e fora dela." (p. 7)

SinopseA maioria dos homens não entendem as mulheres.” Spencer Holiday sabe disso. E ele também sabe do que as mulheres gostam.

E não pense você que se trata só de mais um playboy conquistador. Tá, ok, ele é um playboy conquistador, mas ele não sacaneia as mulheres, apenas dá aquilo que elas querem, sem mentiras, sem criar falsas expectativas. “A vida é assim, sempre como uma troca, certo?” Quer dizer, a vida ERA assim.

Agora que seu pai está envolvido na venda multimilionária dos negócios da família, ele tem de mudar. Spencer precisa largar sua vida de playboy e mulherengo e parecer um empresário de sucesso, recatado, de boa família, sem um passado – ou um presente - comprometedor... pelo menos durante esse processo.

Tentando agradar o futuro comprador da rede de joalherias da família, o antiquado sr. Offerman, ele fala demais e acaba se envolvendo numa confusão. E agora a sua sócia terá que fingir ser sua noiva, até que esse contrato seja assinado. O problema é que ele nunca olhou para Charlotte dessa maneira – e talvez por isso eles sejam os melhores amigos e sócios. Nunca tinha olhado... até agora.

"Alguma coisa está acontecendo. Alguma coisa estranha, completamente desconhecida. Meu coração está falando uma língua que eu não compreendo, enquanto tenta me arrastar para Charlotte.
Era só o que faltava. Agora, em vez de lutar contra um órgão todo santo dia, vou ter de lutar contra dois." (p. 152)

julho 02, 2017

[Livros] Tudo e Todas As Coisas - Nicola Yoon

Título Original: Everything Everything
Autor: Nicola Yoon
Editora: Arqueiro
Páginas: 280
Gênero: Ficção, YA
País: EUA
ISBN: 9788580416992
Classificação: ★

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Nicola Yoon conquistou meu coração depois de O Sol Também É Uma Estrela e, por conta disso, resolvi ler seu primeiro livro publicado que recentemente foi adaptado para o cinema. Infelizmente, o romance não me convenceu tanto quanto eu esperava e apesar de não ter decepcionado, Tudo e Todas As Coisas também não me comoveu. É como se faltasse alguma coisa, como se eu esperássemos ver tudo mas só víssemos algumas coisas.

Os questionamentos científicos e existenciais característicos da narrativa de Yoon se fazem presentes e este é o ponto alto do livro. As sacadas geniais envolvendo matemática e filosofia se combinadas às ilustrações lindas - feitas pelo marido da autora - agregam muito à história. Como um diário da protagonista, nós temos uma visão complexa do que é ser privada do convívio social e ser obrigada a viver por meio dos livros, o que acaba sendo uma metaleitura interessante, uma vez que nós só conhecemos o mundo de Maddie por meio de um.

Madeline nasceu com uma rara condição genética - IDCG também conhecida como imunodeficiência combinada grave - e viveu toda a sua vida em um ambiente esterilizado sem contato com o mundo externo. As únicas pessoas que ela tem são a mãe e a enfermeira. Aos dezoito anos, sua experiência de vida ou a falta dela fez com que a jovem se conforme com tudo o que não pode ter. No entanto, as coisas mudam quando ela se apaixona pela primeira vez e seu mundo vira de cabeça para baixo. 

Olly e sua família - bastante problemática por sinal - acabaram de se mudar para a casa ao lado da de Maddie. A curiosidade atrai a garota a bisbilhotar a vida de seus vizinhos e de forma recíproca, o atraente garoto também se sente curioso a respeito da menina que nunca sai de casa. A relação de curiosidade e estranhamento entre os dois evolui, a meu ver, de forma muito apressada e pouco verdadeira, é como se instantaneamente eles tivessem se apaixonado pelo vidro que os separa.

O romance central é extremamente previsível e basicamente todo o desenrolar da trama também. Intencionalmente ou não, é fácil deduzir o final do livro e isso contribuiu para meu desencanto. Em contrapartida ao casal morno e forçado de protagonistas, as duas mães presentes na narrativa mereciam mais destaque. Em oposição, há uma mãe super-protetora, sempre presente e preocupada que zela por Maddie desde que ela nasceu e uma mãe que apanha do marido, expõe suas crianças a um pai violento e, aparentemente, o ama mais do que ama aos próprios filhos. É uma balança desequilibrada de preocupação e amor. 

Tudo e Todas As Coisas arrebatou muitos corações adolescentes e a história é realmente bonitinha, até digna de uma adaptação cinematográfica, mas não passa disso. A grande mensagem do romance é a de que devemos aproveitar cada instante e viver todas as experiências que o mundo puder nos proporcionar. Seja através da leitura ou no mundo real, devemos buscar a felicidade em tudo e em todas as coisas.

"- O que você pediu? - pergunta ela assim que abro os olhos.
Só existe uma coisa que eu possa desejar: uma cura milagrosa que me permita correr lá fora, livre como um animal selvagem. Mas nunca peço isso, porque é impossível. É como pedir que sereias, dragões e unicórnios existam de verdade. Então, peço alguma coisa mais provável do que a cura. Alguma coisa que não nos deixe tristes ao ser dita. 
- A paz mundial - respondo." (p. 18)

Sinopse: Tudo envolve riscos. Não fazer nada também é arriscado. A decisão é sua. A doença que eu tenho é rara e famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Não saio de casa. Não saí uma vez sequer em 17 anos. As únicas pessoas que eu vejo são minha mãe e minha enfermeira, Carla.

Então, um dia, um caminhão de mudança para na frente da casa ao lado. Eu olho pela janela e o vejo. Ele é alto, magro e está todo de preto: blusa, calça jeans, tênis e um gorro que cobre o cabelo. Ele percebe que eu estou olhando e me encara. Seu nome é Olly.

Talvez não seja possível prever tudo, mas algumas coisas, sim. Por exemplo, vou me apaixonar por Olly. Isso é certo. E é quase certo que isso vai provocar uma catástrofe.

"Se minha vida fosse um livro e você o lesse de trás para a frente, nada mudaria. Hoje é igual a ontem. Amanhã vai ser igual a hoje. No livro de Maddy, todos os capítulos são iguais. 
Até surgir Olly. (...)
Agora, minha vida não faz mais nenhum sentido. Como posso voltar a ser A Garota que Lê? Não que eu lamente viver nos livros. Tudo o que sei sobre o mundo aprendi com eles. Mas a descrição de uma árvore não é uma árvore, e milhares de beijos de papel jamais serão iguais à sensação dos lábios de Olly colados nos meus." (p. 145)

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