março 24, 2017

[Livros] Bela Chama - Jamie McGuire (Irmãos Maddox #4)

Título Original: Beautiful Burn
Autor: Jamie McGuire
Editora: Verus
Páginas: 336
Gênero: Romance, NA, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788576865520
Classificação★★★★★
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Tyler Maddox era o único irmão que ainda não havia sido propriamente apresentado aos fãs de Belo Desastre e posso afirmar com certeza que ficou ainda mais difícil escolher um favorito. Cada um dos garotos tem seu jeito apaixonante de ser badboy e o gêmeo de Taylor nos conquista por sua persistência - e instinto protetor. Ainda que muito parecido com os irmãos, Tyler me pareceu mais interessante e menos clichê que os outros.

Os velhos estereótipos do cafajeste e o maldito casamento de Travis e Abby não poderiam faltar pela sétima vez num livro de Jamie McGuire, mas desta vez a protagonista é um diferencial. Ellison Edson é, definitivamente, minha favorita. Apesar de seguir uma linha parecida com a das outras - afinal, esnobar um Maddox é a pior técnica para se livrar deles - seu desenvolvimento é mais realista.

As histórias de todos os irmãos Maddox se entrelaçam e os acontecimentos que cercam o casamento de Travis e Abby são recontados a partir de outra perspectiva. De maneira objetiva, sob o olhar de uma garota nada romântica, o livro é bem objetivo e sincero, incrivelmente diferente dos anteriores. E isso é algo que gosto em Jamie McGuire, sua habilidade em contar a mesma história sempre de maneiras diferentes.

Viciada em álcool, sexo e festas, Ellison Edson é uma versão piorada de qualquer um dos Maddox. Seu completo descontrole é fruto de uma relação tumultuada com os pais e o desespero de não saber o que fazer com a própria vida. Quando em uma festa ela acaba transando com Tyler Maddox e faz o que os garotos fazem de melhor - finge que aquilo nem aconteceu -, ela desperta no bombeiro uma chama incontrolável. 

Quanto mais ela quer se afastar de Tyler, mais ele se sente desafiado a conquistá-la e da mesma forma que esse joguinho funcionou com os outros irmãos, outro Maddox se apaixona por alguém que o despreza. Obviamente, é questão de tempo para a garota se interessar por ele, mas seus vícios podem levá-la à destruição antes que ela possa entender o que sente. E se há alguém capaz de salvar vidas e conter destruição, esse alguém é Tyler Maddox.

Repleto de metáforas envolvendo fogo - e álcool - e personagens interessantes, Bela Chama é um dos meus livros favoritos da série por ter uma protagonista tão incrível, problemática e complexa. Seus dramas são bem mais intensos e bem desenvolvidos e, pela primeira vez, a garota de um Maddox chamou mais minha atenção do que o irmão em si. Tyler é perfeito e intenso como todos os garotos de Jim e, uma vez mais, me apaixonei por um Maddox. Quantas vezes mais Jamie McGuire vai me jogar no fogo?

"- Só lembra o seguinte - falei. - Não foi culpa minha. Tentei te poupar do problema.
- Sou bombeiro, Ellie. Sou eu que faço a parte do salvamento nesse relacionamento." (p. 100)

Sinopse: Ellison Edson chegou ao fundo do poço. Na casa de férias de sua família no Colorado, o comportamento de Ellie finalmente chama a atenção de seus pais, mas não da maneira que ela esperava. Por causa disso, ela é afastada da fortuna da família e obrigada a se virar sozinha. Mas o redemoinho em que Ellie se encontra fica fora de controle, e ela comete um erro grave, que não vai ser capaz de reparar. 

Assim como Taylor, seu irmão gêmeo, Tyler Maddox é membro da Equipe Alpina de Bombeiros de Elite, combatendo incêndios florestais na linha de frente. Tão arrogante quanto charmoso, o estilo de vida nômade de Tyler torna mais fácil restringir seus relacionamentos a uma única noite. 

Quando ele conhece Ellie em uma festa durante a baixa temporada de incêndios, a personalidade forte e a atitude indiferente da garota o deixam fascinado. Mas, conforme seus sentimentos começam a se tornar intensos, Tyler se dá conta de que os demônios interiores da mulher que ele ama podem ser o inimigo mais poderoso que qualquer Maddox já enfrentou. 

Em Bela chama, você vai acompanhar a história quente e chocante de Tyler, o gêmeo Maddox que faltava na sua coleção dos irmãos mais irresistíveis da literatura new adult. E vai entender por que um Maddox é capaz de tirar a mulher amada do fundo do poço e levá-la às alturas.

"- Sei desde sempre que eu era ruim pro Tyler. Ele não me escuta.
- Quando um garoto Maddox se apaixona, é pra sempre... - refletiu Abby.
- O quê?
- Se ele estiver apaixonado por você, ele não vai desistir." (p. 253)

março 20, 2017

[Livros] Lugar Nenhum - Neil Gaiman

Título Original: Neverwhere
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Páginas: 336
Gênero: Romance, Fantasia
País: Reino Unido
ISBN: 9788580578997
Classificação: ★★★
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Lugar Nenhum mostrou-se tão fantástico quanto imaginei que seria e me levou a vários lugares sem que eu tenha ido, de fato, a lugar nenhum. Fã de longa data do trabalho de Gaiman, encontrei nesta, que foi sua primeira obra publicada, uma de suas mais complexas fantasias urbanas. O mundo mágico que se esconde sob o mundo real é apenas uma das peculiaridades dessa narrativa, onde atrás de cada porta há algo novo a ser descoberto.

O uso de metáforas e muito humor que são características do autor britânico se misturam a uma bela homenagem a Londres. Os lugares representados trazem a alma de alguém que conhece a cidade e seu complicado sistema metroviário e, ainda assim, a admira. A Londres de Baixo, uma realidade paralela à nossa, é uma versão invertida do real e tem suas próprias regras, bem como sua própria beleza.

A narrativa começa com a jovem Door, uma abridora de portas e habitante da Londres de Baixo que está fugindo de dois capangas furiosos. Enquanto tenta despistar os homens que mataram toda a sua família, ela acaba abrindo uma porta para a "realidade" - a Londres que nós conhecemos. Ferida e ensanguentada, a menina maltrapilha esbarra em Richard Mayhew.

Disposto a ajudar Door, Richard a leva para casa e atrai, assim, os problemas dela para ele. Em sua tentativa altruísta de salvar uma pessoa em necessidade, ele acaba indo parar numa Londres bem diferente da que conhece, onde nada é o que parece ser. Um lugar perigoso onde ficam todas as coisas e pessoas que caem das bordas da realidade, o Submundo vai tentar roubar a vida de Richard para sempre.

Richard, Door e o excêntrico marquês De Carabás - um personagem à parte que conhece e é conhecido por todos - saem numa jornada incerta e arriscada em busca da verdade sobre quem teria mandado assassinar os pais de Door. Entre favores, escambos e perigos iminentes, o grupo vai entender o real valor da amizade. 

Lugar Nenhum é uma aventura inenarrável e que me fez matar um pouco a saudade da escrita criativa do autor e da cidade de Londres - meu eterno amor. Frequentemente comparado a Alice no País das Maravilhas, o surreal se mistura com o ordinário resultando numa obra extraordinária. Como sua protagonista, Neil Gaiman nos ensina que a realidade é subjetiva e os livros podem abrir portas que nos levam a qualquer lugar. 

"- O que está acontecendo? - sussurrou Richard.
- A escuridão está acontecendo - respondeu a mulher de coiro, baixinho. - A noite. Todos os pesadelos que saem para passear quando o sol se põe, desde o tempo das cavernas, quando dormíamos amontoados em busca de calor e segurança, estão acontecendo. Esta é a hora de temer o escuro." (p. 91)

Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1997, a partir do roteiro para uma série de TV, o sombrio e hipnótico Lugar Nenhum, primeiro romance de Neil Gaiman, anunciou a chegada de um grande nome da literatura contemporânea e se tornou um marco da fantasia urbana. Ao longo dos anos, diferentes versões foram publicadas nos Estados Unidos e na Inglaterra, e Neil Gaiman elaborou, a partir desse material, um texto que viesse a ser definitivo: esta edição preferida do autor.

Em Lugar Nenhum, Richard Mayhew é um homem simples de coração bom que tem a vida transformada quando ajuda uma jovem que encontra ferida numa calçada. De um dia para o outro, Richard se torna invisível na Londres que sempre conheceu: não tem mais trabalho, não tem mais noiva, não tem mais casa. 

Para recuperar sua vida, ele se embrenha em um mundo que nunca sonhou existir, uma cidade que se abre nos esgotos e nos túneis subterrâneos: a chamada Londres de Baixo, em que personagens únicos e cenários mirabolantes fazem a Londres de Cima parecer uma mera paisagem cinza.

Com muita ação, um bom humor peculiar e evocações sombrias de um mundo fantástico, Lugar Nenhum é leitura indispensável para os fãs de Neil Gaiman e um rico prazer para os que ainda não conhecem o autor.

"Nesse momento faltou uma boa metáfora. Havia muito que deixara para trás o mundo das metáforas e comparações, passando para o lugar das coisas que são, e isso o estava transformando." (p. 252)

março 18, 2017

[Séries] Easy - Netflix


A Netflix tem apostado em projetos ousados e diferenciados para manter seus fiéis espectadores e atrair novos fãs. A produção e desenvolvimento de novas séries e novos formatos tem sido uma preocupação da empresa que atualmente tem os direitos de roteiros incríveis. Uma das apostas do ano passado foi Easy, uma série de oito episódios que funcionam como uma antologia e falam sobre oito diferentes tipos de relacionamento. 

Focada no tema relações amorosas e suas complicações, Easy é justamente o contrário do que aborda, simples e descomplicada. Não existem grandes acontecimentos ou reviravoltas, tudo é morno, não há muita evolução. A produção é extremamente realista e, por isso, traz um formato completamente novo para quem a assiste, por vezes, entediante e, outras, de fácil identificação. 


Os personagens não são aprofundados e talvez esta seja a intenção da trama, o espectador sabe pouco sobre o casal central de cada episódio, quase como se fossem pessoas de quem se ouve falar. Vamos aos poucos desvelando suas intenções e tentando compreender o que não está funcionando na relação deles. 

Atores fantásticos em atuações limitadas por seus papéis deixam a sensação de muito potencial desperdiçado. Grandes nomes como Orlando Bloom e Dave Franco trazem destaque aos seus episódios, mas não conseguem se sobressair perante o roteiro minimalista. Ressalto, novamente, esse minimalismo na ficção é absolutamente intencional.


Os meus episódios favoritos foram Vegan Cinderella, Controlada e Chemistry Read. Com histórias mais diferentes e algum tipo de desfecho, as três tramas não foram muito longe, mas, definitivamente, saíram do lugar e conseguiram trazer histórias de mais destaque. O final de Controlada é um dos mais interessantes, apesar de bem previsível, pois não se fecha, pelo contrário, deixa várias possibilidades.

Sexo é um tema recorrente em Easy e se há algo bem abordado é a relação os protagonistas com o sexo, cada um deles tem seu próprio tabu a quebrar e o faz de uma maneira nada ordinária. Existe todo o tipo de relacionamento e todo o tipo de situação, a que mais me intrigou foi a de Chemistry Read. A fabulosa Gugu Mbatha-Raw interpreta uma garota que opta por terminar seu relacionamento para começar a pensar em si mesma e em sua carreira, indo contra a corrente que a arrastava para o caminho oposto.

Se vale a pena assistir? Talvez tanto quanto vale a pena descobrir como anda a vida daquele casal da rua de cima. É uma história bem realista, com pouco a acrescentar além de recortes da realidade, mas que vai te deixar intrigado para descobrir se as relações vão dar certo. E como é a vida sendo retratada, nem sempre os finais são felizes, nem sempre as coisas têm final. 

março 17, 2017

[Livros] O Erro - Elle Kennedy - Amores Improváveis #2

Título Original: The Mistake #2
Autor: Elle Kennedy
Editora: Paralela
Páginas: 248
Gênero: NA, Romance, Adulto
País: Estados Unidos
ISBN: 9788584390410
Classificação: ★★★
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Mais um new adult delicioso de Elle Kennedy, O Erro segue a mesma fórmula de seu antecessor, O Acordo, e acerta em cheio o coração das leitoras. A história de um popular astro do esporte na faculdade que acaba se apaixonando por uma encantadora e certinha aluna do primeiro ano, apesar do clichê, ainda arranca suspiros - e muitos.

No primeiro volume da série Off-Campus, no Brasil Amores Improváveis, conhecemos o sedutor John Logan. Melhor amigo de Garret, o também atacante do time de hóquei da universidade, Logan não se perdoa por estar apaixonado pela namorada do amigo. A parceria com Garret dentro e fora do gelo, no entanto, é maior e mais forte que qualquer sentimento que o rapaz nutra pela bela Hannah e, por isso, ele decide esquecer essa paixão tola. 

Como o esquecimento sempre vem acompanhado de sexo e bebidas, o garoto continua cometendo os mesmos erros e insistindo em relações sem significado nenhum. Sem nunca se apegar a nenhuma de suas conquistas, John Logan continua desejando ter o que o melhor amigo tem, alguém para amar. Nenhuma garota parece ser interessante o suficiente para despertar sua atenção além do sexo, isso até ele conhecer a encantadora Grace, aluna do primeiro ano de psicologia. Um encontro casual coloca os dois no mesmo caminho e as consequências disso vão mudar a vida deles para sempre. 

A divertida e espontânea Grace fala pelos cotovelos e adora filmes de ação, seu mundo vai virar de cabeça para baixo quando um dos jogadores de hóquei mais bonitos e gostosos do time da faculdade vai parar no seu quarto. Enquanto tenta se concentrar em parecer normal, ela finge não ser afetada pela presença inebriante do rapaz, mas o disfarce não dura muito tempo. 

Os dramas familiares que ambos enfrentam são expostos e suas atitudes, suas formas de lidar com os problemas são verdadeiras. Há muita honestidade, coragem e nenhuma vergonha nos livros de Elle Kennedy, as cenas sexuais são deliciosas e bem escritas, eróticas na medida certa. Um dos melhores new adults que eu já tive o prazer de ler, O Erro acerta ao contrabalancear seus protagonistas, fazendo com que nos identifiquemos com eles e torçamos para que consertem tudo o que há de errado no mundo um do outro.

"- O que você está fazendo? - sussurro.
- Você estava me olhando como se quisesse um beijo.  
Seus olhos azuis ficam semicerrados. 
- Então, estava pensando em fazer isso." (p. 31)

Sinopse: Logan parece viver uma vida de sonhos. Com um talento incrível para jogar hóquei e um charme inato para conquistar mulheres, ele é uma das maiores estrelas da universidade de Briar. Mas por trás do característico sorriso maroto, ele esconde duas grandes angústias – a primeira, estar apaixonado pela namorada de seu melhor amigo. A segunda, saber que sua vida, após a formatura, se tornará um beco sem saída. 

Um dia, por acaso, ele conhece Grace, uma garota tão encantadora quanto intrigante. Tudo nela parece ser original e deliciosamente contraditório – tímida, mas ao mesmo tempo vibrante. Doce, mas ao mesmo tempo forte e confiante. A cada encontro, Logan se vê mais e mais envolvido. Mas um grande erro colocará o relacionamento desses dois jovens em risco. 

Agora, Logan terá que se esforçar para reconquistar Grace – nem que para isso ele precise amadurecer e encarar de frente as suas questões mais profundas e doloridas.

"Verdade seja dita, não tenho certeza se preciso de sorte. Todas as vezes que entreguei um dos meus presentes vergonhosamente românticos na porta de Grace, fui recompensado com um sorriso radiante iluminando seu rosto. Posso estar imaginando coisas, mas acho que ela ficou encarando a minha boca com tanta atenção que parecia estar morrendo de vontade de me beijar." (p. 182)


março 16, 2017

[Livros] Outro Dia - David Levithan (Todo Dia #2)

Título Original: Another Day
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Páginas: 322
Gênero: Ficção, Romance
País: EUA
ISBN: 9788501106834
Classificação: ★★★
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Definitivamente, um dos melhores livros da vida, Outro Dia é tão (ou mais) genial quanto seu antecessor. Narrado a partir do ponto de vista de Rhiannon, a história se desenrola até o exato ponto onde terminou Todo Dia deixando o desfecho em aberto para o último livro da trilogia - ainda sem previsão de lançamento

Sob os olhos da protagonista, a - já incrível - trama criada por David Levithan ganha ainda mais força e é impossível não compreender os sentimentos e medos dos personagens. Se a jovem foi julgada por suas escolhas no livro anterior, desta vez, nos colocamos no lugar dela e percebemos o quanto é difícil sua situação. Rhiannon se apega à uma relação fracassada por sentir que sua vida é ainda mais vazia sem as migalhas de atenção que recebe do namorado. 

Observando seu namoro com Justin, é notável o quanto os dois fazem mal um para o outro. Em muitos momentos, a garota é chata, insegura, tola e dependente do namorado. O relacionamento abusivo - por culpa dos dois - exige tudo dela e lhe traz tão pouco em troca, é muito triste ver o quanto ela se diminui para tentar agradar Justin e como sempre falha miseravelmente. Essa não era a visão que tínhamos de Rhiannon, aos olhos de A ela parecia invencível, forte e extremamente interessante. Aí está a genialidade de Levithan ao escrever pontos de vista que se fundem às nossas próprias perspectivas. 

Rhiannon se apaixonou por A, um ser que vive mudando de corpo. Não há uma definição para A, ele simplesmente é. Não há gênero, raça, idade, família, nenhuma ligação constante. A é tudo e todo mundo e ao mesmo tempo não é ninguém. Mas como amar alguém que cada dia está num corpo diferente? Como ignorar a aparência, a história de vida, o livre-arbítrio do hospedeiro em troca de uma essência?

Ninguém jamais conseguiu ver nossa essência, mudamos todos os dias e nos escondemos sob nossas aparências e, por isso, somos um pouco A. Tudo o que buscamos é identidade, compreensão e, acima de tudo, amor. Mas também somos um pouco Rhiannon, reféns dos estereótipos de gosto, identidade, instinto. Somos tudo e nada ao mesmo tempo. 

Um livro repleto de questões filosóficas, Outro Dia faz pensar, questionar e nos confunde com múltiplas metáforas e possibilidades de interpretação. Poucas vezes uma história me tocou tão fundo quanto essa e por muitos motivos. Debaixo de todas as camadas, cascas e rótulos que me definem, os livros de David Levithan encontraram minha alma e o amor que eu sinto por essa série transcende o que e quem eu sou. 

"- Tem tantas coisas que podem manter você num relacionamento - diz ele. Seus olhos me imploram para ouvir. - Medo de ficar sozinho. Medo de bagunçar a ordem da sua vida. A decisão de se acomodar com algo que é razoável porque você não sabe se vai arrumar coisa melhor Ou, talvez, a crença irracional de que vai ficar melhor, mesmo que você saiba que ele não vai mudar." (p. 56)

Sinopse: Um dos mais inovadores autores de livros jovem adulto e o primeiro a emplacar uma trama gay na lista do New York Times, David Levithan retoma a sua mais emblemática trama em "Outro Dia". Aqui, a já celebrada — com várias resenhas elogiosas — história de "Todo Dia" é mostrada sob o ponto de vista de Rhiannon. 

A jovem, presa em um relacionamento abusivo, conhece A, por quem se apaixona. Só que A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Mas embarcar nessa paixão também traz desafios para Rhiannon. Todos eles mostrados aqui.

"Então volto a olhar para o público o máximo que posso, escolhendo por que pessoa eu ficaria mais atraída se A estivesse dentro dela. 
Sei que a resposta deveria ser todas elas.
Não é todas elas. 
Não é tão simples quanto dizer que todos os caras são sim e todas as garotas são não. É mais complicado que isso. Embora eu considere basicamente os garotos.
A resposta (o A real que eu quero) está sentado bem ao meu lado." (p. 189)


março 10, 2017

[Livros] Sway - Kat Spears

Título Original: Sway
Autor: Kat Spears
Editora: Globo Alt
Páginas: 256
Gênero: Ficção, Young Adult
País: EUA
ISBN: 9788525060389
Classificação: ★
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Um young adult tão clichê quanto problemático, Sway segue a fórmula perfeita para o gênero mas desliza em maus exemplos. Envolvendo um garoto-problema, uma jovem com pouca personalidade e muito humor, o livro de Kat Spears não me agradou e a leitura foi extremamente frustrante.

Jesse Alderman é conhecido como Sway por todos. O apelido vem de sua "habilidade" em conseguir, literalmente, qualquer coisa para qualquer pessoa. Sem mais delongas, Jesse é uma versão romantizada de um traficante e para a autora - e as fãs do romance - tudo bem com isso. 

Personagens problemáticos e polêmicos sempre me intrigam e, por conta disso, considero o garoto que dá título ao livro, um elemento interessante na história apesar de não ter torcido por ele em momento algum. O romance que se desenvolve durante a narrativa é forçado e o que o garoto tem de politicamente incorreto, a garota por quem ele se apaixona tem de insuportavelmente correto. São extremos que se atraem de uma maneira bizarra e pouco convincente. 

Contratado para fazê-la se apaixonar pelo garoto mais imbecil de toda a escola, Jesse se aproxima da jovem e inocente Bridget Smalley a fim de coletar informações. No meio do processo, ele acaba se apaixonando por ela e como todo jovem problemático, tenta se tornar alguém melhor para merecê-la. E a típica história do badboy e da menina dos sonhos se repete, espalhando a ilusão de que um garoto ferrado que atua como traficante de drogas possa se transformar em um príncipe da noite para o dia. 

Não me entendam mal, eu adoro os clichês, acredito mesmo que garotos-problema possam ser recuperados e tenho uma queda pelos caras que arranjam confusão, mas esse não é o caso de Jesse Alderman. O rapaz não vai atrás de Bridget quando percebe estar apaixonado por ela, simplesmente foge como um garoto assustado e continua suas atividades ilícitas até não ter outra opção e, por isso, não vi evolução alguma nele. Também é impossível simpatizar com a sonsa Bridget e em contraste ao babaca que é o outro protagonista, fica difícil escolher quem é o pior. 

O único ponto alto do livro, na minha opinião, foi o humor ácido que a autora adicionou à narrativa. Obviamente, em alguns momentos, as piadas fogem do tom (alcançando um humor negro) e perdem a graça para mim, mas no geral, há bastantes sacadas inteligentes e que nos forçam a pensar. Tratando abertamente de todo o tipo de sujeira que se esconde no ensino médio, o Sway de Kat Spears consegue muitas coisas, mas, infelizmente, não conseguiu me convencer. 

"Às vezes o que queremos e o que o mundo espera de nós são duas coisas diferentes." (p. 78)

Sinopse: Sway é o apelido de Jesse Alderman, por causa de seu talento para conseguir qualquer coisa para qualquer pessoa, como providenciar trabalhos escolares, fazer com que pessoas sejam expulsas da escola, arrumar cerveja para as festas, entre outras coisas, legais ou ilegais... É sabendo dessa fama que Ken Foster, o capitão do time de futebol da escola, pede a ele um trabalho controverso: Ken quer que Bridget Smalley saia com ele. Com seu humor ácido e seu jeito politicamente incorreto de ver a vida, Sway terá que encarar o trabalho mais difícil que já teve: sufocar todos os sentimentos que Bridget desperta nele, a única menina verdadeiramente boa que ele conheceu em toda a sua vida.

"(...) No mundo real, a Bela não se apaixona peça Fera e vive feliz para sempre. No mundo real, a Fera transa com a Bela. A Fera quebra o coração da Bela. A Bela entra num comportamento autodestrutivo como dormir demais nas aulas da faculdade, aumentando assim o impacto emocional negativo provocado pela Fera. Era uma história triste." (p. 104)

março 07, 2017

[Livros] O Guardião de Memórias - Kim Edwards

Título Original: The Memory Keeper's Daughter
Autor: Kim Edwards
Editora: Arqueiro
Páginas: 368
Gênero: Romance, Ficção
País: EUA
ISBN: 9788599296141
Classificação★★★★★
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O Guardião de Memórias foi uma excelente leitura de começo de ano. Kim Edwards mostrou a que veio com uma história de amor, coragem e superação. Não foi uma leitura rápida por conta do excesso de descrições que a autora empregou no texto, mas mesmo assim, conquistou um lugar de destaque no meu coração literário.

A história pode parecer comum à algumas pessoas, isso porque em 2006, uma novela chamada Páginas da Vida, trazia uma trama muito semelhante à do livro. A novela foi um sucesso e o livro também, em seu ano de lançamento figurou primeiro lugar na lista dos mais vendidos do New York Times, consagrando a autora.

Em O Guardião, conheceremos o doutor David Henry, um médico que não mede esforços para cuidar de seus pacientes, ele é o marido perfeito para Norah e a vida deles tem tudo para ser uma vida-modelo. As coisas mudam, quando Norah entra em trabalho de parto numa noite de nevasca. Por conta do alto nível de neve nas ruas, Henry é forçado a conduzir o parto de seu próprio filho. Com o auxílio de sua enfermeira, Caroline, ele então traz ao mundo o primogênito do casal. Tudo corria bem, até que Norah dá a luz à uma segunda criança, uma menina que nasceu com síndrome de Down.

Em meados dos anos 60, a síndrome ainda era desconhecida e o prognóstico de sobrevivência era baixíssimo, devido à possibilidade alta de problemas cardíacos nas crianças. David viu a irmã morrer em decorrência de problemas no coração e viu como sua mãe também morreu aos poucos depois disso. Ele não quer isso para Norah. O médico, então toma uma atitude que mudaria sua vida para sempre. Ele pede à enfermeira que deixe sua menina numa clínica para crianças mentalmente debilitadas e diz para a esposa que a criança nasceu morta.

Caroline desesperada não sabe o que fazer e decide seguir a instrução do médico, ela nutre uma paixão por ele e faria o que fosse preciso para que ele a notasse. O problema é que ao chegar na clínica ela vê que as crianças são desprezadas, negligenciadas e sofrem com as condições precárias do sistema público. Nesse dia ela também toma uma atitude que mudará sua vida para sempre, ela leva a pequena Phoebe e cuida dela, como se fosse sua.

Acompanhamos o desenvolvimento de Phoebe e do irmão gêmeo Paul, que são criados distante e que nem imaginam a existência um do outro. Com muito amor, Caroline cuida de Phoebe e luta para que ela tenha os mesmos direitos das outras crianças. Enquanto isso, Norah cuida de seu filho Paul, seu amorzinho. Mas ela nunca superou a morte da filha e isso deteriorou seu casamento, sua vida. 

Kim apresentou uma narrativa fantástica e em diversos momentos somos forçados a tentar entender os motivos de cada personagem, de cada escolha. David Henry não devia ter tomado as atitudes que tomou, mas em outros tempos, com outras informações, devemos ter em mente que ele não sabia o que fazer. E Caroline, se apropriou de uma criança que não era sua, foi ao enterro da menininha, viu sua verdadeira mãe chorar e nunca disse uma palavra. 

São escolhas difíceis e Kim nos mostra as consequências de cada uma delas. É uma ótima leitura, como eu disse anteriormente e mais do que recomendo. Laços de amor são os mais fortes e duradouros laços que existem. Confesso que não gostei da mudança na tradução do título original (The Memory Keeper's Daughter - A Filha do Guardião de Memórias) porque o título era muito mais específico e tornaria Phoebe a personagem principal, não David Henry. Mas como a narrativa é muito focada no segredo de David e em como ele lida com as consequências de abrir mão da filha, é compreensível a escolha da editora.

Vocês vão se encantar com essa história e em especial com a pequena Phoebe, que encantaria qualquer um com sua fofura, seus pequenos passos, evoluções e conquistas. Comovente, real, extraordinário. Aos que tem filhos e aos que desejam ter. Muitos reclamaram da escrita prolixa da autora, mas acho válido, apesar de cansativo, o excesso de detalhes enriquece a história e isso nunca comprometeria minha opinião sobre o livro.

"Ele segurou a criança, esquecendo-se do que devia fazer a seguir. As mãos minúsculas eram perfeitas. Mas ali estava o espaço entre o dedão do pé e os outros, como um dente faltando, e, ao olhar fundo nos olhos da menina, ele viu as manchas de Brushfield, minúsculas e nítidas como salpicos de neve na íris. Imaginou o coração dela, do tamanho de uma ameixa e, muito possivelmente, malformado. (...) Pensou na esposa parada na calçada, diante da casa coberta pelo véu luminoso de neve, dizendo: 
- Nosso mundo nunca mais será o mesmo." (p. 19)


Sinopse: Com mais de três milhões de exemplares vendidos nos Estados Unidos, O Guardião de Memórias é uma fascinante história sobre vidas paralelas, famílias separadas pelo destino, segredos do passado e o infinito poder do amor verdadeiro. Inverno de 1964. Uma violenta tempestade de neve obriga o Dr. David Henry a fazer o parto de seus filhos gêmeos. O menino, primeiro a nascer, é perfeitamente saudável, mas o médico logo reconhece na menina sinais da síndrome de Down. Guiado por um impulso irrefreável e por dolorosas lembranças do passado, Dr. Henry toma uma decisão que mudará para sempre a vida de todos e o assombrará até a morte: ele pede que sua enfermeira, Caroline, entregue a criança para adoção e diz à esposa que a menina não sobreviveu. Tocada pela fragilidade do bebê, Caroline decide sair da cidade e criar Phoebe como sua própria filha. E Norah, a mãe, jamais consegue se recuperar do imenso vazio causado pela ausência da menina. A partir daí, uma intrincada trama de segredos, mentiras e traições se desenrola, abrindo feridas que nem o tempo será capaz de curar. A força deste livro não está apenas em sua construção bem amarrada ou no realismo de seus personagens, mas, principalmente, na sua capacidade de envolver o leitor da primeira à última página. Com uma trama tensa e cheia de surpresas, O Guardião de Memórias vai emocionar e mostrar o profundo - e às vezes irreversível - poder de nossas escolhas.

"- Ainda penso nela, David - disse Norah, virando-se de lado e enfrentando o olhar do marido. - Em nossa filha. Em como ela seria.
David não respondeu e a viu chorar em silêncio, cobrindo o rosto com as mãos. Após um momento, estendeu a mão e o tocou no braço. Norah secou as lágrimas dos olhos.
- E você? - perguntou, agora enfurecida. - Nunca sente falta dela, como eu?
- Sim - respondeu ele, em tom sincero. - Penso nela o tempo todo." (p. 96)


março 06, 2017

[Livros] Paixão Libertadora - Sophie Jackson (Desejo Proibido #2)

Título Original: An Ounce Of Hope 
Autor: Sophie Jackson
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
Gênero: Ficção, Romance, NA
País: EUA
ISBN: 9788580415421
Classificação: ★

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Com muito amor e uma temática tão pesada quanto a de seu antecessor, o segundo volume de Desejo Proibido é diferente dos outros new adults em sua essência. Drogas, violência doméstica e crises de ansiedade são apenas alguns dos temas abordados no romance. Se a história de Carter e Kat já era encantadora e transbordava superação, a de Max e Grace é ainda mais intensa e prova que dois corações podem se consertar, não importa o quão quebrados estejam.

Sophie Jackson leva o clichê dos protagonistas complicados a outro patamar. Seus personagens, na verdade, todos até agora, tem algum trauma bem sério a ser resolvido. Apesar disso, as vidas de Kat e Max não são incomuns, pelo contrário, eles sofrem dramas que nos são bem familiares e, por isso, é fácil sentir uma conexão com eles. As crises de ansiedade de Grace e Max são minhas velhas companheiras de vida e seu potencial de destruição é ilimitado, o que leva a trama do segundo livro para uma problemática essencialmente psicológica.

Max, melhor amigo de Carter, ao qual fomos brevemente apresentados em Desejo Proibido, é um ex-viciado que tenta se manter sóbrio após ter chegado ao fundo do poço. O estopim para sua autodestruição foi ter sido abandonado pelo amor da sua vida. Sem apoio e desesperado, o jovem resolveu fugir da dor de sua própria realidade, mergulhando num mundo de prazeres momentâneos compactados em pó.

A dor de Max e sua luta contra o vício encontram em Carter um porto seguro. O melhor amigo que faz as vezes de irmão, tenta incessantemente resgatá-lo e trazê-lo de volta. Enquanto se recupera, Max acaba esbarrando em uma encantadora garçonete, tão destruída por dentro quanto ele. Um laço de compreensão e respeito se forma entre eles e única coisa que pode desestabilizá-los é a visível atração que nutrem um pelo outro. Por conta disso, eles fazem um acordo que será, de longe, o maior desafio deles até agora: manter a relação apenas num nível casual.

Não se envolver é sempre um problema para uma das partes e no relacionamento de Grace e Max não é diferente. O problema é a fragilidade que os envolve, fazendo com que qualquer decepção ou mágoa possa culminar em uma recaída. Tensão, expectativa e atração são os ingredientes para um romance desastrosamente interessante e, mais uma vez, Sophie acerta na química de seus protagonistas. 

Não há muita surpresa ou grandes reviravoltas na trama e esta é a especialidade da autora, escrever histórias plausíveis, tão reais quanto se pode ser. O comportamento de Max é o da típica esquiva para não se comprometer e sofrer de novo, algo extremamente familiar para nós mulheres. Mais do que a análise psicológica de um romance, Paixão Libertadora é um retrato fiel de uma realidade em que o amor é a causa da loucura e, ao mesmo tempo, sua cura.

"- Mas, mesmo assim, você não faria...
- Porque você merece mais - interrompeu ele. - Você merece mais do que um babaca que não pode oferecer nada além de uma transa sem compromisso. Você merece alguém que a leve para sair e a trate direito. - Ele sacudiu a cabeça. - Não sou capaz de fazer isso nesse momento. E não sei se algum dia voltarei a ser capaz disso de novo." (p. 114)

Sinopse: Segundo livro da trilogia Desejo Proibido - que teve mais de 4,5 milhões de visualizações on-line - , Paixão Libertadora é uma história sensual e apaixonante sobre segundas chances. 


Max OHare já passou por muitos momentos difíceis na vida. Depois de perder um grande amor e ter que se internar numa clínica para se livrar das drogas, ele decide que é hora de trocar Nova York por uma cidade do interior, na tentativa de se reerguer ao lado da família.

É lá que ele conhece a deslumbrante Grace Brooks. Amante da arte e da fotografia, ela parece a mulher perfeita. Mas o que Max não sabe é que ela guarda a sete chaves a verdade sobre o próprio passado. 

Atraídos um pelo outro, mas com medo das consequências que um relacionamento sério pode trazer a suas vidas já complicadas, eles fazem um pacto para que a relação seja apenas sexual, sem sentimentos envolvidos. Até que as coisas começam a mudar entre os dois. Presos a grandes medos e a segredos profundos, Max e Grace precisam aprender a confiar de novo e se entregar um ao outro não apenas de corpo, mas também de alma.

"Eles eram dois adultos - fodidos, é verdade - que sentiam atração um pelo outro. Eram parceiros sexuais e nada mais. Mesmo assim, tanto Tate quanto seu tio o alertaram para o fato de que talvez Grace quisesse mais, que gostasse de Max mais do que deveria.
Max olhou para si mesmo no espelho. 
- Merda." (p. 198)



março 02, 2017

[Livros] Sem Esperança - Colleen Hoover (Hopeless #2)

Título Original: Losing Hope
Autor: Coleen Hoover
Editora: Galera Record
Páginas: 320
Gênero: Ficção, Romance, NA
País: EUA
ISBN: 9788501065124
Classificação★★★★★
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Continuação de um dos meus livros favoritos da vida inteira, Sem Esperança também conquistou meu coração, assim como seu protagonista. Na resenha anterior - de Um Caso Perdido - eu já havia dito o quanto Dean Holder significava para mim, conhecer o ponto de vista dele, só me fez amá-lo mais. Uma das tramas mais pesadas e tristes que já pude ler, a trilogia Hopeless desperta os sentimentos mais intensos e pensar nessa história sempre me faz chorar. Muito. 

Tendo como referência a narração dos acontecimentos por Holder, temos uma percepção mais abrangente sobre o estrago que uma ação pode causar na vida de todos ao seu redor. O ponto de partida para toda a destruição - conhecido ao final do livro anterior - é dolorosamente narrado e sentimos, novamente, o sofrimento por tamanha crueldade. 

Como o livro foca em Dean Holder, acompanhamos os primeiros anos após o desaparecimento de Hope e a trágica morte de sua irmã, Less. O suicídio de Less é uma das cenas mais tristes e a culpa que o irmão carrega por não ter conseguido salvá-la é palpável, tão forte quanto o motivo que a levou a tirar sua própria vida. 

Enquanto a narrativa aborda temas densos e complexos, também traz a beleza da paixão adolescente. Holder e Sky se apaixonando, descobrindo aos poucos quem são e curando um ao outro. Se há sofrimento demais nesse livro, há também amor demais. Colleen Hoover sabe manter o equilíbrio entre a dor e a felicidade, entrelaçando-os e mostrando que um não caminha longe do outro. Dean Holder transborda sensualidade, compreensão e coragem e ele é a única pessoa capaz de trazer esperança de novo à Sky. As muitas metáforas envolvendo os nomes dos protagonistas são claras e trazem ainda mais complexidade às personalidades de cada um.

Apesar de ser uma tendência nos livros da autora, a forma como a morte é abordada sempre é diferente. O suicídio não é julgado, exaltado ou criticado. Os fatos são apresentados e a história é contada e ela é tão real e tão triste que comove qualquer um que tenha um coração. Um Caso Perdido e Sem Esperança são livros que me fazem querer olhar para o céu e contar as estrelas para esquecer o quão cruel o mundo é, mas ainda assim, mostram que a esperança continua viva.

"- Vou lhe avisar uma coisa - digo, abaixando a voz. - Assim que meus lábios encostarem nos seus, vai ser, sim, seu primeiro beijo. Porque, se nunca sentiu nada enquanto alguém a beijava, então ninguém jamais a beijou de verdade. Não da maneira como eu planejo beijá-la." (p. 144)

Sinopse: Assombrado pela culpa e pelo remorso por não conseguir salvar Hope nem Less, Holder desenvolveu uma personalidade agressiva. Mas, quando finalmente se depara com Hope depois de tantos anos, não poderia imaginar que o sofrimento seria ainda maior após o reencontro. Em Sem esperança, Holder revela como os acontecimentos da infância de Hope, que agora se chama Sky, afetaram sua vida e sua família, fazendo-o buscar a própria redenção na possibilidade de salvá-la. Mas é apenas amando Sky que ele finalmente será capaz de começar a se reconciliar com si mesmo.

"Nos próximos minutos, ficamos completamente perdidos no que parece a perfeição absoluta. O tempo parou completamente e, enquanto nos beijamos, só consigo pensar que é isso que salva as pessoas. Momentos assim, com pessoas como ela, fazem todo o sofrimento valer a pena." (p. 218)


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