março 20, 2017

[Livros] Lugar Nenhum - Neil Gaiman

Título Original: Neverwhere
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Páginas: 336
Gênero: Romance, Fantasia
País: Reino Unido
ISBN: 9788580578997
Classificação: ★★★
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Lugar Nenhum mostrou-se tão fantástico quanto imaginei que seria e me levou a vários lugares sem que eu tenha ido, de fato, a lugar nenhum. Fã de longa data do trabalho de Gaiman, encontrei nesta, que foi sua primeira obra publicada, uma de suas mais complexas fantasias urbanas. O mundo mágico que se esconde sob o mundo real é apenas uma das peculiaridades dessa narrativa, onde atrás de cada porta há algo novo a ser descoberto.

O uso de metáforas e muito humor que são características do autor britânico se misturam a uma bela homenagem a Londres. Os lugares representados trazem a alma de alguém que conhece a cidade e seu complicado sistema metroviário e, ainda assim, a admira. A Londres de Baixo, uma realidade paralela à nossa, é uma versão invertida do real e tem suas próprias regras, bem como sua própria beleza.

A narrativa começa com a jovem Door, uma abridora de portas e habitante da Londres de Baixo que está fugindo de dois capangas furiosos. Enquanto tenta despistar os homens que mataram toda a sua família, ela acaba abrindo uma porta para a "realidade" - a Londres que nós conhecemos. Ferida e ensanguentada, a menina maltrapilha esbarra em Richard Mayhew.

Disposto a ajudar Door, Richard a leva para casa e atrai, assim, os problemas dela para ele. Em sua tentativa altruísta de salvar uma pessoa em necessidade, ele acaba indo parar numa Londres bem diferente da que conhece, onde nada é o que parece ser. Um lugar perigoso onde ficam todas as coisas e pessoas que caem das bordas da realidade, o Submundo vai tentar roubar a vida de Richard para sempre.

Richard, Door e o excêntrico marquês De Carabás - um personagem à parte que conhece e é conhecido por todos - saem numa jornada incerta e arriscada em busca da verdade sobre quem teria mandado assassinar os pais de Door. Entre favores, escambos e perigos iminentes, o grupo vai entender o real valor da amizade. 

Lugar Nenhum é uma aventura inenarrável e que me fez matar um pouco a saudade da escrita criativa do autor e da cidade de Londres - meu eterno amor. Frequentemente comparado a Alice no País das Maravilhas, o surreal se mistura com o ordinário resultando numa obra extraordinária. Como sua protagonista, Neil Gaiman nos ensina que a realidade é subjetiva e os livros podem abrir portas que nos levam a qualquer lugar. 

"- O que está acontecendo? - sussurrou Richard.
- A escuridão está acontecendo - respondeu a mulher de coiro, baixinho. - A noite. Todos os pesadelos que saem para passear quando o sol se põe, desde o tempo das cavernas, quando dormíamos amontoados em busca de calor e segurança, estão acontecendo. Esta é a hora de temer o escuro." (p. 91)

Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1997, a partir do roteiro para uma série de TV, o sombrio e hipnótico Lugar Nenhum, primeiro romance de Neil Gaiman, anunciou a chegada de um grande nome da literatura contemporânea e se tornou um marco da fantasia urbana. Ao longo dos anos, diferentes versões foram publicadas nos Estados Unidos e na Inglaterra, e Neil Gaiman elaborou, a partir desse material, um texto que viesse a ser definitivo: esta edição preferida do autor.

Em Lugar Nenhum, Richard Mayhew é um homem simples de coração bom que tem a vida transformada quando ajuda uma jovem que encontra ferida numa calçada. De um dia para o outro, Richard se torna invisível na Londres que sempre conheceu: não tem mais trabalho, não tem mais noiva, não tem mais casa. 

Para recuperar sua vida, ele se embrenha em um mundo que nunca sonhou existir, uma cidade que se abre nos esgotos e nos túneis subterrâneos: a chamada Londres de Baixo, em que personagens únicos e cenários mirabolantes fazem a Londres de Cima parecer uma mera paisagem cinza.

Com muita ação, um bom humor peculiar e evocações sombrias de um mundo fantástico, Lugar Nenhum é leitura indispensável para os fãs de Neil Gaiman e um rico prazer para os que ainda não conhecem o autor.

"Nesse momento faltou uma boa metáfora. Havia muito que deixara para trás o mundo das metáforas e comparações, passando para o lugar das coisas que são, e isso o estava transformando." (p. 252)

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